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OPINIÃO. Coordenador do DCE/UFSM, Luiz Boneti contradita artigo de Riesgo, colaborador do site

Texto “O que o mercado resolve, o governo atrapalha” recebe redarguição

Luiz Bonetti, militante do PT e coordenador do DCE/UFSM e o artigo de Giuseppe Riesgo, que ele contradita (fotos de Reprodução)

Pelo menos uma pessoa se incomodou com um artigo no site a ponto de tentar contraditá-lo. No caso, Luiz Boneti, estudante de Direito e Coordenador do Diretório Central dos Estudantes da UFSM, além de secretário municipal de Juventude do PT/SM. Ele contesta opiniões expressas pelo colaborador habitual do site, que escreve sempre às quintas-feiras, Giuseppe Riesgo, deputado estadual pelo NOVO.

O texto objeto da redarguição de Boneti é “O que o mercado resolve, o governo atrapalha”, publicado em 17 deste mês (para reler, clique AQUI).

E a manifestação de Luiz Boneti? Esta você confere a seguir, na íntegra:

O que os neoliberais precisam? De um choque de realidade

Em resposta ao artigo “O que o mercado resolve, o governo atrapalha” de autoria de Giuseppe Riesgo, Deputado Estadual pelo Partido Novo:

Na última quinta-feira (17) – número que vira e mexe acompanha os neoliberais de plantão Brasil afora -, me deparei com o artigo “O que o mercado resolve, o governo atrapalha” de autoria de Giuseppe Riesgo, Deputado Estadual pelo Partido Novo e grande defensor do neoliberalismo, publicado no site do Claudemir Pereira, site jornalístico de grande expressão em Santa Maria. Ao ler, achei importante apontar algumas das várias incoerências mencionadas no artigo.

Logo de cara fica nítido o não apenas necessário mas urgente choque de realidade que os neoliberais precisam. Citando Mises, o deputado tenta atribuir a riqueza ao capitalismo, na qual as políticas estatais dependem diretamente deste segundo, já que o capitalismo seria dessa forma o legítimo produtor de riqueza e renda. Pois observem bem como chega a ser engraçada essa afirmação: aparentemente não são os milhões de trabalhadores e trabalhadoras os responsáveis pela produção da riqueza no Brasil e no mundo, mas sim o “Deus Mercado”. Se for assim, precisamos o quanto antes avisar cada trabalhadora e cada trabalhador que levanta 5h da manhã (ou até antes) para dedicar praticamente todo o seu dia e seu esforço ao seu emprego, para que deixe de se preocupar. Fiquem todas e todos tranquilos e dediquem seus dias para descansar em suas casas com suas famílias, que a “mão invisível” do mercado está com tudo sob controle. Até parece um conto de fábulas, mas pelo visto existe quem acredita nessa visão fictícia de mundo.

Mas o que mais surpreende com esse artigo é, com certeza, a capacidade que os neoliberais tem em negar a realidade e os efeitos que suas próprias políticas causaram,  para tentar criar uma narrativa paralela. Não que isso seja surpreendente, afinal de contas justifica inclusive o porque defendem com unhas e dentes negacionistas científicos em prol de uma falsa ideia de liberdade. Passados quase 6 anos do golpe, eles continuam a insistir que o projeto neoliberal ainda não está sendo posto em prática, mesmo após a aprovação das reformas, da emenda constitucional do teto de gastos (EC 95) e de várias privatizações.

Entretanto, como a realidade não é fruto de opinião, mas sim de fatos concretos, cabe avisar que o neoliberalismo já está em curso no Brasil. Os Governos de Bolsonaro a nível nacional e de Eduardo Leite aqui no Rio Grande do Sul, são a mais pura expressão do neoliberalismo. E na vida real, é assim que ele funciona. Ele se sustenta explorando a população, o Estado e os recursos da nação em prol da iniciativa privada e deixando o povo em último plano, como ocorreu com a PETROBRÁS, VALE e mais recentemente com a CEE gaúcha, vendida a preço de banana.

E a tal da “liberdade econômica”? Também já é uma realidade. E não, ela não melhora e muito menos resolve a vida das brasileiras e brasileiros. Prova disso são os reflexos da Reforma Trabalhista e da Lei da Terceirização que só precarizaram as condições de trabalho – sustentadas por uma falsa narrativa quanto ao empreendedorismo e inovação – e que nem de longe resolveram o problema do desemprego, servindo apenas para potencializar o trabalho informal, que atinge atualmente cerca de 38,6 milhões de pessoas. Quem lucra com tudo isso? Basta olhar na capa de revistas e jornais, que noticiam o lucro extraordinário de bilionários brasileiros mesmo em meio a pandemia. E o trabalhador? Fica torcendo para não ter que cobrar o patrão e acabar tendo o mesmo fim que Moïse, jovem congolês morto por reivindicar o pagamento de seu trabalho.

Ainda, a “uberização” quase que aplaudida no artigo, não deu autonomia mas sim aprisionou milhões de pessoas a um trabalho precário, sem nenhuma segurança, e atualmente com as altas no preço do combustível, quase impossível de ser realizado, como mostra um levantamento feito recentemente com as maiores plataformas digitais (Uber, iFood, 99, Rappi, UberEats e GetNinjas). O que gerou o boom nos aplicativos não foi a liberdade e competição do mercado, mas sim a falta de emprego de qualidade causada pela reforma trabalhista – para as e os atuais trabalhadores de aplicativo – e no caso dos apps de transporte, a precarização do transporte público coletivo – para a maioria da população. Aliás, a tão comentada alta no combustível é mais um dos grandes resultados da agenda neoliberal: o preço baseado no dólar prejudica todo o Brasil, mas favorece os grandes acionistas privados, entretanto aparentemente isso não era tão interessante de ser comentado no artigo. Estranhamente uma PETROBRÁS estatal incomoda mais os neoliberais que os R$ 7,00 do litro de combustível fruto da “livre concorrência internacional”.

A conclusão que podemos tirar do artigo “O que o mercado resolve, o governo atrapalha” é quase que automática: é mais que urgente que os neoliberais tenham um choque de realidade, e parem de olhar apenas para números na Bolsa de Valores, mas também para o povo brasileiro. O ápice da defesa das pautas neoliberais pode ter sido impactante em 2016, mas estamos em 2022. O Brasil sentiu na pele que o neoliberalismo é um fracasso para 99% da população. E a culpa não foi da Dilma, do Lula ou do PT, foi e continua sendo do capitalismo disfarçado de neoliberalismo. Já passou da hora dos neoliberais assumirem as consequências do mal que causaram ao Brasil e a nossa democracia, afinal de contas o bolsonarismo nada mais é do que a evolução do MBL e da direita golpista.”

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