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A salada eleitoral da velha política brasileira – por Giuseppe Riesgo

O articulista e as uniões (e desuniões) partidárias no Rio Grande do Sul

O período eleitoral sempre nos fornece momentos no mínimo interessantes sobre a política, os políticos e suas relações com o poder. Um bom exemplo disso está na dança das cadeiras dos partidos tradicionais à medida que as eleições nacionais vão se aproximando. O vai e vem é tão grande e confuso que fica difícil de acompanhar e se manter atualizado.

Senão, vejamos: o PSDB, de Eduardo Leite, que não iria de forma alguma concorrer à reeleição, mudou de ideia e lançou o ex-governador novamente ao Piratini. Antes disso, o mesmo PSDB, apesar do alarde feito com as suas prévias partidárias, desidratou a campanha do vencedor destas, João Dória, e acordou-se com o MDB de Simone Tebet -, que virou a candidata do tal “centro democrático”, nessas eleições.

O acordo nacional entre os dois partidões gerou um ruído enorme aqui no RS. Começando pela quebra da promessa de Eduardo Leite em não concorrer à reeleição. Promessa, inclusive, feita ao MDB e, como sabido, descumprida (de novo). O MDB – que vinha em rusgas desde a disputa entre o Deputado Estadual Gabriel Souza e o Deputado Federal Alceu Moreira pela vaga ao Piratini -, rachou de vez. Uma ala se sentia traída por Leite, enquanto outra, na ânsia de se manter no poder, entendia que a vaga de vice na chapa tucana era a melhor forma de se manter competitivo no outubro próximo. O acordão venceu e o MDB não terá candidatura própria ao governo do RS pela primeira vez, desde a redemocratização de 1986.

Mas não terminou. O vai e vem continua com o União Brasil e seu fabuloso dinheiro do fundo eleitoral -, além do seu enorme tempo de televisão. Eduardo Leite de um lado e Onyx Lorenzoni do outro se estapeiam pelo mais novo partido do centro fisiológico da nossa jovem democracia. A decisão, pelo visto, sairá aos 45 minutos do segundo tempo.

Ah, e ainda tem a esquerda, que fechou seu acordão e também se uniu para tomar o Piratini. A linha auxiliar do PT, o PSOL, finalmente vestiu a carapuça e se juntou à chapa petista na composição entre Edegar Pretto e Pedro Ruas. Uma chapa que cheira a naftalina e me dá arrepios só de pensar.

Eis o resumo da festa da democracia brasileira. Uma ciranda de negociatas, pagas com o dinheiro da população gaúcha, à revelia dos interesses desse mesmo povo que esses mesmos políticos dirão defender daqui algumas semanas. Benjamim Franklin dizia que a democracia era um jantar com dois lobos e uma ovelha decidindo sobre o que comer no jantar. Uma afirmação dura, mas que no Brasil tem se mostrado absolutamente verdadeira. É por isso que resolvi me envolver. Pois é essa democracia que precisamos mudar, já!, em 2022.

(*) Giuseppe Riesgo é deputado estadual e cumpre seu primeiro mandato pelo partido Novo. Ele escreve no Site todas as quintas-feiras.

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Um Comentário

  1. Esta novela, ou teatro de má qualidade, é totalmente estéril. Democracia é força de expressão, jogo de cartas marcadas. Questão é se, e quando, a situação do pais vai degringolar o suficiente para levar a um ponto de ruptura (vide as jornadas de junho de 2013. Alás, as coisas podem deteriorar além do ponto de recuperação, vide Argentina, protestos não adiantam mais porque simplesmente não há solução no horizonte visivel. A politica vai continuar a mesma com os mesmos resultados. Para alguém deve estar bom.

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