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Machista – por Marcelo Arigony

Todas as mulheres do articulista. Meeeeu Deeeus!!!

Machista, eu confesso; turma de 72. Tenho três filhas mulheres. Quero o melhor para elas, como minha mãe teve; como minha esposa tem. Tava pensando se isso é ser machista. Quero que tenham um companheiro provedor e protetor, que lava a louça, troca fraldas e faz outras tarefas do lar quando necessário; que sejam mães, tenham filhos e dignidade em casa, e também um lugar no mercado de trabalho. Vejam que estou desejando dupla jornada.

Penso que homens e mulheres são biologicamente distintos, implicando papéis sociais e familiares um pouco diversos. Acho que sou mesmo machista. Aliás, as mulheres, além de serem mais bonitas, são melhores em quase tudo. Acho que também sou um discriminador.

Minha avó Eva adorava andar de moto comigo, na carona. Dirigia uma Brasília branca, aos quase setenta anos. Em outro tempo pilotava um Volkswagen TL, verde, alcunhado valente. Aliás, nem sei por que chamavam de Eva. O nome dela era Otília. Mas para mim sempre foi a vó Eva. Havia criado sete filhos, e o meu avô Pérsio – um negrão de olho verde do meu tamanho – andava num cortado com ela. Minha avó era empoderada pacas.

Minha mãe Enir era professora. Dava aula para crianças de dia, e no madureza à noite. Alfabetizou muito ganzelão. E sempre foi muito querida pelos alunos. Tripla jornada. Criou três filhos, cuidou da gente com muito carinho. Também cuidou do meu pai, desde quando me lembro até seu último dia. Normalmente minha mãe lavava a louça. Meu pai cozinhava, cortava a grama, fazia churrasco e ajudava em algumas tarefas do lar. Minha mãe era quem mandava em casa. Era empoderada pacas. Só não dirigia a Brasília, mas ninguém é perfeito.

A minha colega comissária Olinda é um exemplo pra mim. Ralou a vida toda. Formou-se, fez especialização, mestrado e doutorado – sempre trabalhando e cuidando da família. Foi professora de grande parte dos formados em Direito e Administração na última década em Santa Maria. Inclusive ajudou muito na coorientação do meu doutorado. Pena que está se aposentando. Vai fazer muita falta na polícia civil. A Olinda é empoderada pacas.

Então, lavo a louça de vez em quando, troco fraldas apenas quando necessário, cozinho às vezes; e faço algumas tarefas do lar, subsidiariamente. Quem manda lá em casa é a Cabrita, que cuida com mais delicadeza das filhas, que cozinha (muito) melhor, que arruma a casa com maestria. Mas quem dá a última palavra é o machista aqui. Ela me olha com aqueles olhos azul-céu e eu brado: – tá bem!

Casem com uma alemoa pra ver… Tá loco!

(*) Marcelo Mendes Arigony é titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil em Santa Maria, professor de Direito Penal na Ulbra/SM e Doutor em Administração pela UFSM. Ele escreve no site às quartas-feiras.

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