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SAÚDE. Autoridades atrasadas nas medidas de prevenção à ‘varíola dos macacos’, diz virologista

Especialista defende publicidade e ampliação dos laboratórios para diagnóstico

Até esta quarta-feira, 2 de agosto, o governo do Rio Grande do sul tinha confirmado 12 casos de varíola do macaco (Foto EBC)

Por Fritz R. Nunes (com informações do governo do RS e Prefeitura de SM) / Da Assessoria da Sedufsm

Eduardo Furtado Flores, virologista e professor do departamento de Medicina Veterinária Preventiva da UFSM, avalia que, a exemplo do que ocorreu na chegada da pandemia de Covid-19 ao Brasil, as autoridades da área de saúde estão atrasadas nas medidas de prevenção da “Varíola dos macacos” (Monkeypox). Flores defende que o governo faça campanha massiva de propaganda para esclarecer os sinais clínicos da doença, as formas de prevenção.

Além disso, o pesquisador entende que já seria possível ampliar o número de laboratórios do país que fazem o diagnóstico da doença. Atualmente, segundo leitura feita por ele, existem quatro locais no país que fazem a análise dos casos suspeitos e esse número poderia ser ampliado para ao menos 30, o que inclui a UFSM, onde já se atuou na realização de diagnósticos de Covid-19.

“A UFSM não está fazendo (diagnóstico) porque não foi chamada pelas autoridades. Se formos chamados, não tem problema algum. Fazer o diagnóstico molecular é muito simples e, para esse vírus, é ainda mais simples. Se o Ministério da Saúde ou a Secretaria Estadual de Saúde nos chamar, teríamos condições de implementar esse tipo de diagnóstico”, enfatiza Eduardo Flores.

Questionado sobre a necessidade de medidas como a vacinação, o professor destaca que, caso seja implementada, não será uma “vacinação em massa”. Isso porque, segundo ele, não há vacina suficiente e também por não haver necessidade de vacinar toda a população. “Tendo vacina, ela deverá ficar restrita a grupos de risco (homossexuais masculinos e bissexuais masculinos), profissionais do sexo masculinos e, também, profissionais da área de saúde”, afirma.

Infecção restrita e estigmatização

Dois meses atrás, no início de junho, a Assessoria da Sedufsm entrevistou o professor Eduardo Furtado Flores, sobre a “Varíola dos macacos” ou Monkeypox, cujo quadro se agravava em âmbito mundial. Naquele momento, ele argumentava que não era caso para “pânico”. Agora, com o alerta de emergência mundial, deflagrado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Flores explica que há uma mudança no quadro. Contudo, ele segue entendendo que não é caso para gerar pavor na população. “Temos que nos preocupar, mas sem pânico”, diz.

Para o virologista, a característica da ‘Monkeypox’ segue sendo de uma doença predominantemente branda, e que não é de fácil transmissão. Ele frisa que, conforme os dados existentes, entre 90% e 95% dos infectados e infectadas são homens que fizeram sexo com homens e mulheres que fizeram sexo com esses homens.

Questionado sobre a questão de a doença estar sendo identificada a “grupos de risco”, incluindo homossexuais masculinos e homens bissexuais, se isso não levaria à estigmatização, como já ocorreu nos primórdios do surgimento da epidemia de AIDS, Flores respondeu que é preciso desmistificar. Conforme o especialista, a vinculação da doença com grupos de risco tem a ver com o fato de o atual surto da doença estar associada ao comportamento sexual desses grupos.

Eduardo Flores destaca que a literatura especializada aponta que o surto teria sua origem em uma festa ocorrida nas Ilhas Canárias, em um evento com grande concentração de pessoas e com presença numerosa, também, de homossexuais, alguns vindos da África. Contudo, acrescenta, que é “importante esclarecer que não é uma doença que tem como característica a transmissão pela via sexual. A transmissão se dá através do contato corporal e através de secreções do corpo”.

A situação em Santa Maria

A assessoria de imprensa da Sedufsm fez contato com prefeitura de Santa Maria (via Secretaria de Comunicação) para questionar se existe alguma iniciativa no sentido de prevenção contra a Varíola dos macacos. A resposta foi sintética: “As medidas são definidas pelo Estado e repassadas aos municípios”. Ou seja, não há novidade por parte das autoridades responsáveis, o que remete ao depoimento inicial do professor Eduardo Flores.

Na sequência da resposta ao e-mail encaminhado, foi encaminhado o link para o site do governo do estado onde há informações sobre a Monkeypox. Ainda nesta sexta, 5 de agosto, circulou a notícia em Santa Maria de um caso suspeito de varíola dos macacos, mas que foi descartado após análise do laboratório credenciado pelo governo gaúcho…”

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