Corrupção. Então, estamos conversados: a culpa toda é tua, é minha. É, claríssimo, nossa!
Tenho alguma dificuldade para aceitar algumas acusações genéricas sobre corrupção. Isto é, fulano é corrupto. Ou o partido tal é patrocinador da corrupção. Ou, mais generosamente ainda, os políticos são corruptos. Enfim, o Justo Veríssimo, personagem famoso de Chico Anísio (onde andará o ex-marido da Zélia Cardoso de Mello?), não é mais uma caricatura – antes, trata-se do retrato perfeito e acabado de todos quantos têm cargo político.
Só tem um detalhe. Sou eu que elejo o político – estamos, ainda bem, numa democracia. Aliás, eu, não. Eu, você, nós. Portanto, somos todos responsáveis pela eventual corrupção. Somos todos culpados. E insistimos, eleição vai, eleição vem, em colocar lá em cima quem nós entendemos sejam os melhores. Se não são…
Desta forma, não deixa de fazer sentido que uma pesquisa, como a feita pela Fundação Getúlio Vargas (confira, mais abaixo, a sugestão de leitura), e tema de reportagem do jornal O Estado de São Paulo, aponte o sistema como culpada pela corrupção.
Claro, a enquete foi realizada junto aos parlamentares federais. E apenas um quinto deles acredita que os desvios de conduta sejam de ordem pessoal. O que é muito. Mas não é tudo. Afinal, mais de 70% debitam ao sistema, ou à engrenagem, a maior parcela de contribuição para a, palavra claudemiriana, sacanagem.
Por fim, faço, provocativamente, uma pergunta (não é novidade para os que me conhecem pessoalmente, pois a tenho como norma): quantos, no prédio em que você mora, tem um gato para a TV a cabo? Hein? Gato de TV a cabo? É, pois é. No meu, não há um só – mas não por falta de tentativa, pois um ex-morador sondou-me da possibilidade de puxar um bichano de um dos dois pontos que pago (e caro) mensalmente.
Pergunta derradeira: que moral tem esse seu vizinho (se existe), para falar em corrupção dos outros? Que tal?





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