Olimpíada. Com tantos recordes, mídia esquecidinha não falou mais nada da poluição de Pequim
Isso é recorrente, na mídia grandona (e também na que se acha e na maioria das outras): o esquecimento. Tal ou qual assunto só é conveniente quando dá audiência. O resto é o resto. Em uma semana, tudo está devidamente escanteado. Já rendeu? Então, deixa de lado.
Esse sentimento se amplia bastante quando o que se coloca na pauta é a auto-preservação. Os erros que a própria mídia comete, então, entram loguinho naquele canto da memória. Aquele, que nunca é alcançado. Exemplo? Confira o que escreve Carlos Brickman, na ótima coluna Circo da Notícia, publicada no sítio especializado Observatório da Imprensa. A seguir:
Pequim poluída? A Olimpíada, no jornal e na vida real
Lembre, não faz tanto tempo: de acordo com os meios de comunicação de todos os países, apoiados em estudos científicos absolutamente inatacáveis e em entrevistas com os mais renomados especialistas do mundo, o ar poluído de Pequim iria prejudicar muito o desempenho dos atletas. Ninguém é de ferro: como atingir a máxima performance respirando aquele ar que dava para cortar com faca?
Pois é: esqueceram de avisar o Usain Bolt e o Michael Phelps. Quem tinha o que mostrar, mostrou; os recordes mundiais caíram em penca. E, talvez por ter procurado nos meios de comunicação com menos atenção do que seria desejável, este colunista não viu uma notícia sequer dizendo onde é que a imprensa tinha errado. Será que a poluição de Pequim não é tão forte quanto se imaginava, será que os efeitos da poluição sobre atletas bem treinados são menos graves do que se pensava? Cadê as entrevistas com os mesmos especialistas da catástrofe ambiental, desta vez a respeito da chuva de recordes mundiais?
O regime comunista chinês tem problemas em quantidade: a falta de liberdade de expressão, a maciça aplicação da pena de morte, a ditadura de partido único, o caso do Tibete, o apoio a um regime, como o sudanês, que massacra seus próprios cidadãos. São inúmeros defeitos, são defeitos graves, são defeitos criminosos. Para criticar a China, basta citar os defeitos que existem. Não é necessário, nem ético, inventar defeitos que não existem…
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui, se desejar, também outras notas exclusivas da seção Circo da Notícia, assinada por Carlos Brickmann, no sítio especializado Observatório da Imprensa.





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