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CPI do Detran. Virou confronto entre governo e oposição. Há o risco de não se investigar nada

É cada vez mais óbvio que o confronto entre as bancadas da oposição e do governo, no interior da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a Fraude do Detran poderá impedir a sociedade de saber o que de fato aconteceu na autarquia. E os prejuízos apurados pela Operação Rodin, da Polícia Federal.

 

Lembro de ter-me posicionado, láááá atrás, muito reticente em relação à criação da CPI (relembre aqui). Sobretudo porque, é o que me parece, a Polícia Federal está muito mais gabaritada que os parlamentares, para fazer esse tipo de trabalho. Inclusive porque desprovida do aparato político que, natural e legitimamente, cerca a atividade parlamentar.

 

Um dos ingredientes óbvios desse aparato é o confronto entre governo e oposição. Isso se dá, por exemplo, em Brasília. CPIs importantes acabam se transformando em mero palco para brigas, se desviando do interesse da sociedade. Assim, melhor deixar mesmo para os federais.

 

Em todo caso, a  CPI do Detran foi criada. E alguma coisa deve e, imagino, será feita. Inclusive para que não se desmoralize o instituo das Comissões de Inquérito. Mas o início não é exatamente muito bom. Quer saber mais detalhes? Dê uma conferida na reportagem de Leandro Fontoura, de Zero Hora. E vê se não tenho razão. A seguir:

 

“Governistas e oposição travam batalha no primeiro dia da CPI do Detran

Relator chegou a deixar o local por discordar do presidente da comissão

 

No primeiro dia de depoimentos da CPI do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) da Assembléia Legislativa (AL), em Porto Alegre, governistas e oposição travaram nova batalha em torno da condução das investigações, sem chegar a acordo. O relator da comissão, Adilson Troca (PSDB), quer aprovar um cronograma de depoimentos, partindo do governo Antonio Britto até o atual comando do Detran.

O presidente da CPI, Fabiano Pereira (PT), quer ter acesso ao inquérito da Operação Rodin, da Polícia Federal (PF), que apurou a suposta fraude R$ 40 milhões no Detran nas gestões de Germano Rigotto (2003-2006) e Yeda Crusius. Enquanto os dois não chegam a um acordo, a CPI segue truncada.

Para tentar aprovar sua proposta de ordem de depoimentos, Troca apresentou para a comissão um requerimento assinado por outros seis parlamentares. Pereira negou a votação do requerimento do relator, explicando que o pedido fere o regimento da AL.

Com os ânimos exaltados, Troca chegou a se retirar da reunião, em protesto contra Pereira. Já o presidente da CPI afirmou que a intenção do relator seria a de retardar as apurações da comissão em relação à Operação Rodin…”

 

 

SUGESTÕES DE LEITURA – confira aqui a íntegra da reportagem “Governistas e oposição travam batalha no primeiro dia da CPI do Detran”, de Leandro Fontoura, de Zero Hora.

Para conhecer a posição de Adilson Troca, o relator, clique aqui, em texto assinado por Nanra Branco, jornalista da bancada do PSDB. E para saber o ponto de vista de Fabiano Pereira, acesse aqui, em matéria produzida por João Ferrer, jornalista da bancada do PT.

 

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