BOM DEBATE. A imprensa nativa e os dois senhores
De pronto, o editor dá sua opinião, respeitando obviamente quem pensa (e eventualmente age) diferente. Entende ser incompatível o exercício simultâneo da profissão de jornalista nos meios privados e públicos – exceto se por concurso.
Mas é interessante, de todo modo, acompanhar o que escrevem outros nomes, inclusive nacionalmente. O artigo a seguir é de José Cleves, jornalista, e veiculado no principal organism que cuida das questões da mídia no Brasil, o portal Observatório da Imprensa. Confira, a seguir, um trecho, publicado na seção “Imprensa em Questão”:
“A imprensa oficialíssima
Com a troca de governo na maioria das prefeituras do país, grande parte da imprensa também tem novos patrões. É prática antiga, principalmente no interior, os veículos de comunicação local sobreviverem das verbas, jabás e mimos oficiais em troca do silêncio. Em alguns casos, o dono vira até servidor público com cargo de confiança do prefeito. São elementos contratados para zelar pela imagem do mandatário, do seu CPF e de seus chegados, com o dinheiro do contribuinte. De quebra, seus veículos de comunicação são também agraciados com generosas verbas públicas. Alguns destes pseudojornalistas são incluídos na folha de pagamento da prefeitura para silenciá-los, sem qualquer outro favor.
Nada tenho contra jornalistas que prestam assessorias e/ou trabalham para o governo. Pelo contrário. A assessoria de imprensa é um nicho de mercado muito valorizado e respeitado. O dia em que decidir não mais mexer com jornal, vou tentar ser assessor também porque vivo do jornalismo e não sei fazer nada na vida além disso. Sou contra o dublê de assessor de imprensa e repórter ao mesmo tempo – um servindo ao rei e o outro tentando agradar os súditos – porque isso é impossível. Não dá para acender duas velas na nossa profissão. Ou servimos ao interesse público, que é a missão do jornalista que se dedica à reconstituição de fatos aleatórios, ou ao interesse privado.
Essa dualidade é muito ruim para a democracia. O mais revoltante é que a classe jornalística não fiscaliza nada e com isso permite que falsos formadores de opinião emplaquem, oficialmente, seu veículo de aluguel no governo. Tudo – CNPJ e CPF – sustentado pelo povo. O bom da democracia é a liberdade que a imprensa tem para fiscalizar e denunciar os desmandos no poder público. É missão dos veículos de comunicação tratar os detentores de cargos eletivos com olhar crítico de quem tem a obrigação de vigiar o dinheiro do contribuinte. Se isso não ocorre, por conta da imoralidade, para que serve então a liberdade de escrever e falar em nosso meio?…”
PARA LER A ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.
Que se crie uma legislação nacional proibindo que governos, autarquias, empresas estatais (de capital fechado ou aberto onde os governos sejam acionistas), entidades representativas, sindicatos, ONGs, etc… sejam anunciantes em veículos de mídia.
Bilhões serão economizados e as mídias (todas) terão que buscar seu sustento na publicidade de mercado.
Simples…
“Sou contra o dublê de assessor de imprensa e repórter ao mesmo tempo – um servindo ao rei e o outro tentando agradar os súditos…”
“Não dá para acender duas velas na nossa profissão. Ou servimos ao interesse público, que é a missão do jornalista que se dedica à reconstituição de fatos aleatórios, ou ao interesse privado.”
Será que isso acontece aqui em Santa Maria, também?
Talvez com apenas algumas dezenas de almas. Aqui tá tudo dominado!