Telefonia fixa. Monopólio sai de campo. Entra o duopólio. Quem ganha? A população? Pfff…
Já elogiei aqui o processo de privatização da telefonia. Com as ressalvas óbvias em relação a uma nebulosidade que até ministro derrubou (Mendonça de Barros, pego em telefonemas articulando consórcios para disputar esta ou aquela concessão, por exemplo), mas evidenciando um fato inequívoco: hoje, ao contrário de antes de 1997, é muito mais fácil você obter uma linha.
Podemos discutir, e eu discuto, o preço, mas não o acesso. Só que, de repente, me descobri um sujeito classe A ou B, dentro dos padrões científicos para qualificar o cidadão, economicamente. E a classe C? Hein? E a D e a E? Essas estão se vendo como sempre, sem telefone.
Aliás, sem telefone fixo. Porque o celular está disponível, pré-pago preferentemente de forma que aquele pequeno cidadão (sim, temos isso, no país e não significa a altura, necessariamente) compra um cartão a cada dois, três meses (não sei qual o prazo mínimo) e gasta R$ 15 ou R$ 20 em uma, duas semanas e depois só recebe chamada.
Isso é, convenhamos, além de humilhante, uma distorção. Que precisa ser corrigida. Quanto à telefonia fixa, que é a que todos gostaríamos de ter, essa está longe das camadas mais pobres da população. E há apenas uma diferença entre antes e depois da privatização tocada por Sérgio Motta, o Serjão, todo-poderoso ministro das Comunicações nomeado por Fernando Henrique Cardoso. Antes, uma única empresa fornecia os serviços. Hoje são duas. Passamos, em 10 anos, do monopólio ao duopólio. Diferença: nenhuma. Exceto, claro, que assistimos impotentes (e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, ao que parece, também) a uma briga de gigantes entre os espanhões da Telefonica e os mexicanos da Telmex. Ah, o perdedor do enrosco? Preciso dizer?
SUGESTÃO DE LEITURA – leia aqui a reportagem Monopólio resiste na telefonia fixa, de Renato Cruz, publicada no jornal O Estado de São Paulo.





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