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Empreiteiras. Sobram os políticos dependentes delas. Estaria aí a razão para tanto medo?

Houve um tempo, e nem faz tanto (afinal, a história não se conta em meses ou anos, mas em décadas e até séculos), em que o Brasil era totalmente delas. Sim, das empreiteiras. Rasgavam-se rodovias e construíam-se obras grandiosas. E pequenos construtores não tinham vez. Nem médios, talvez. Apenas grandões.

 

Muitos enriqueceram com essas obras. Ao ponto, inclusive, para crescer ainda mais, de expandir suas atividades para o exterior. Tem, até hoje, empreiteiros brasileiros em vários países da América Latina e além-oceano. Há sobrenomes em português do Brasil nas estradas e pontes e hidrelétricas do Oriente Médio, Iraque inclusive, África e Ásia. São, mesmo, poderosos os seus controladores.

 

Está na raiz da carreira política de muita gente o dinheiro generoso (e legal) das empreiteiras, desde pelo menos os anos 60, aqueles das sombras que alguns gostariam de ver retornar. Um vício, talvez. Muito persistente e difícil de largar – como bem sabem os que adoram uma tragada de cigarro.

 

Nunca se mexeu com eles. Embora se soubesse que a corrupção poderia ter, neles, senão a sua origem, uma bem fundamentada fonte. Perdeu-se a oportunidade à época de Fernando Collor e seu escudeiro econômico, Paulo César Farias. E também mais adiante. Isso até que surgisse, incrivelmente, e no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (talvez, em outro, fosse impossível), a Operação Navalha, muito bem urdida pela Polícia Federal, em colaboração (não se deve negar, como tem feito, ardilosamente às vezes, a mídia grandona) com o Poder Judiciário e o Ministério Público.

 

O curioso, ou interessante, ou que adjetivo lhe se queira dar, é que a Gautama nem é das maiores. É uma subalterna até, oriunda de uma das grandonas, a OAS, de onde é oriundo o hoje famoso Zuleido Veras. Agora imaginemos se alguém levar a sério a idéia de uma CPI das Empreiteiras, além do sonhador (desculpa, mas é isso mesmo, diante das circunstâncias) senador Pedro Simon. O que aconteceria, quando se trouxesse a luz a relação conspícua entre políticos e essas gloriosas empresas?

 

Bem, talvez esteja aí uma boa razão por que se ficará outra vez na periferia do problema. O que é uma pena. Para o Brasil e os brasileiros.

 

SUGESTÃO DE LEITURAconfira o texto“CPI das empreiteiras, se fosse criada, abalaria o país”, de Etevaldo Dias, publicado na página que ele mantém na internet.

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