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Menos, Lula, menos! Comparar momento atual a ‘milagre econômico’ é, no mínimo, exagero

Vamos combinar o seguinte: crise política à parte; desvios éticos e morais deixados de lado; e ainda outras situações que beiram a imoralidade, há algo dando certo neste país. E é a macroeconomia. O fato, claro, não agrada a uns e outros, inclusive economistas. Mas é praticamente consensual a sensação de que a conjugação de uma série de fatores torna virtuoso este momento.

 

A inflação está sob controle. O crescimento do Produto Interno Bruto, em 2007, estimam (aí há unidade) os analistas, pode chegar a 4,5%. Talvez até um pouquinho mais. O risco país é o mais baixo em muuuuuitos anos. O investimento externo produtivo (não aquele capital trânsfuga e interesseiro de alguns anos atrás) é pra lá de satisfatório. O custo dos alimentos tem até, invariavelmente, experimentado deflação. E até mesmo os acordos salariais, não obstante o sempre necessário desconto das exceções, na iniciativa privada têm resultado em ganhos reais (pequenos, mas existentes) para os trabalhadores.

 

Enfim, há uma série grandiosa de indicadores que sustentam a tese lá do primeiro parágrafo. O país vai bem, macroeconomicamente falando. Até mesmo o Bolsa Família, já se ouve e lê, aqui e ali, passa a ser entendido também como distribuidor de renda. Transitório, talvez, mas real. Sem falar na moeda, cuja valorização ninguém sabe onde vai dar – mas que já torna visível um aumento da auto-estima da população.

 

Isso tudo é inegável. Mas daí ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer, como fez em encontro com empresários, anteontem, que o Brasil vive um “milagre econômico” é, senão inteiramente falso, um óbvio exagero ufanista. E que pode ser cobrado do Presidente logo ali na esquina.

 

Estamos bem, sim. Mas a classe média está ficando cada vez mais esfolada pela tributação excessiva. E os servidores públicos, para falar em trabalhadores, sofrem com um arrocho salarial que beira ao absurdo. Se é que ainda não chegou lá. E o desemprego ainda é estratosférico: 10,1% em abril, segundo dados de uma instituição do próprio governo, o IBGE.

 

Quer dizer, o entusiasmo presidencial até pode se justificar. Mas não da forma estrepitosa como foi colocado. Quem sabe um pouco de moderação, hein? Faria bem ao próprio Presidente. E à população – pelo menos aquela que só conhece os milagres do Frei Galvão. E nem todos acreditam nele. Logo…

SUGESTÃO DE LEITURA confira a reportagem “Para Lula, milagre econômico é agora”, de Tiago Pariz, da sucursal de Brasília do G1, o portal da Globo.

Vale a pena ler também a notícia “Pesquisador diz que taxa de desemprego de 10,1% frusta expectativa do cenário econômico positivo”, assinada pela repórter Adriana Brendler, e distribuída pela Agência Brasil.

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