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Novo governo. Lula vai negociar coalizão. Mas algumas áreas não cederá para os aliados

Na verdade, segundo o comentarista Franklin Martins, da TV Bandeirantes, três áreas não vão entrar em qualquer negociação a ser feita por Luiz Inácio Lula da Silva.

No segundo mandato, o controle do núcleo da equipe econômica (Fazenda, Banco Central e Planejamento), a “cozinha” do Planalto (Casa Civil, Secretaria Geral, Articulação Política) e os ditos ministérios de Estado (Relações Exteriores e Defesa) serão da alçada exclusiva do Presidente e ficarão com petistas ou, digamos, lulistas.

Todos os demais, em princípio, estão disponíveis para conversas com os partidos aliados. E o critério será o peso efetivo de cada sigla. Martins exemplifica o que siignificaria a expressão “efetivo”: uma coisa é o PMDB, o parceiro prioritário e chave no processo, garantir 70 votos na Câmara; outra é assegurar 50. Leia, a seguir, o que escreve o comentarista da Band, em sua página na Internet:

”A questão-chave é a formação de um governo de coalizão

Convém não se enganar com o clima de ressaca eleitoral. As próximas duas ou três semanas serão decisivas para desenhar o quadro político dos próximos dois ou três anos. Vale a pena acompanhar algumas iniciativas complexas que estão em curso, como as conversações entre o Palácio do Planalto e os 27 governadores eleitos e a reconstrução de canais de diálogo entre o governo e a oposição. Mas a questão-chave do período é a negociação de Lula com o PMDB para a formação de um governo de coalizão.

Dessa questão dependem todas as demais. Se o presidente for bem sucedido na tarefa, o quadro político dos próximos anos tende a ser marcado por uma relativa estabilidade. O governo contará com maioria na Câmara e no Senado, ainda que sujeita a chuvas e trovoadas, e terá um mínimo de paz política para governar. Se, ao contrário, Lula der com os burros n’água, podemos esperar por um forte recrudescimento do clima político tão logo o calor das urnas se dissipe e a oposição se recobre da tunda que levou nas urnas. Segundo ministros muito próximos a Lula, o presidente está convencido de que não tem tempo a perder.

Não se trata de dar dois, três ou quatro ministérios para o PMDB. Não se trata tampouco de atrair, através da distribuição de cargos, o maior número possível dos caciques que comandam o partido nos estados. É claro que as negociações envolverão ministérios e cargos – afinal, ninguém é de ferro –, mas o objetivo é a constituição de um governo de coalizão assentado numa aliança entre o PT e o PMDB, patrocinada por Lula e em torno do presidente, em termos muito parecidos aos que existem nos regimes parlamentaristas.

Por isso mesmo, a idéia é de que as negociações sejam feitas no atacado, e não no varejo; passem pelas instâncias partidárias, e não por uma multidão de chefes locais; e desemboquem num programa mínimo de governo, que dê liga e discurso ao conjunto dos atores envolvidos no processo. É claro que, em boa medida, essas iniciativas salutares são simples tributos à respeitabilidade perdida pelos dois lados e exigida pela sociedade, mas, de qualquer forma, se vierem a se confirmar, não deixam de ser positivas.

A avaliação predominante no Palácio do Planalto é de que, apesar das enormes dificuldades, são grandes as chances de as negociações serem bem sucedidas. Primeiro, porque, mal ou bem, Lula aprendeu que nem só de voto na urna e popularidade nas ruas vive um presidente. Precisa também de maioria parlamentar. Segundo, porque o PT, apesar de ter colhido bons resultados eleitorais, não tem mais a força política de quatro anos atrás. Mesmo que queira, não tem como impedir a divisão de espaço com outras forças políticas. Terceiro, o processo eleitoral, na prática, aproximou o PMDB de Lula em quase tidos os estados. Dos sete governadores eleitos pelo partido, por exemplo, cinco estão com o presidente. Em quase todas as outras seções, o PMDB sente-se hoje muito mais parceiro do PT do que do PSDB e do PFL. Tudo somado, o vento a favor da coalizão sopra mais…”


SE DESEJAR ler a íntegra do artigo, pode fazê-lo acessando a página do jornalista na internet, no endereço http://www.franklinmartins.com.br/post.php?titulo=a-questao-chave-e-a-formacao-de-um-governo-de-coalizao-1.

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