O rei está nu. O gritalhão e falastrão senador tucano Arthur Virgílio e sua estranha ética
O senador tucano Arthur Virgílio, nos últimos quatro anos, notabilizou-se por dois fatos. Um é sua pouca capacidade de atrair o voto popular. Candidatou-se ao governo do Amazonas e não passou de 2% dos votos. Chegou lá pelos últimos lugares no coração do eleitor. A conseqüência disso para o futuro é a mais que provável volta pra casa, defenestrado pelos amazonenses, na sua luta (se houver) para renovar o mandato no Senado da República.
O segundo fato é sua irresistível capacidade de gritar estrambelhadamente na tribuna do Senado. Tudo para baixar o cacete em qualquer coisa que seja parecida com governo federal. Sempre sem olhar para o que acontece logo abaixo do seu nariz. É afilhado da vestal Fernando Henrique Cardoso, que morre de ciúmes de quem conseguiu pagar a dívida que ele fez (US$ 40 bilhões, nunca é demais lembrar) com o Fundo Monetário Internacional e que agora até empresta dinheiro para ajudar os países mais pobres sem impor aquelas condições draconianas que a sociedade brasileira bem conhece. Mas isso é outro assunto. Voltemos a Virgílio.
Pois o líder dos tucanos no Senado, além de tudo, falastrão como é, esquece que ética é algo que deveria ser comum a todos. Inclusive a ele. Pior, o grão-mor dos valores morais e políticos, foi pego com as calças na mão, semana passada. E teve que fazer compungido discurso, sem dar o braço a torcer, que isso não é com ele. Mas é com seus colegas, que já pensam numa maneira de tirá-lo da liderança, o que deve acontecer só no final do ano – com os tucanos, pressa não é exatamente uma virtude.
Mas a denúncia sobre a situação do ético Virgílio surgiu primeiro na IstoÉ, a penúltima edição. E a publicação foi virulentamente (e quem achou que seria diferente?) pelo gritalhão, na última terça-feira. Agora, a revista dá o contra-golpe. Este, que você passa a ler e que foi editado na abertura da seção Brasil. A foto é de Roosewelt Pinheiro, da Agência Brasil. Confira:
A estranha ética de Arthur Virgílio
O líder do PSDB no Senado reconhece ter recebido vantagens indevidas, como foi denunciado por ISTOÉ, e diz que vai devolver o dinheiro público
Na segunda-feira 29, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) subiu à tribuna do Senado para responder às denúncias publicadas por ISTOÉ. Durante três horas e 20 minutos, fez um dos discursos mais longos da história da Casa. Mas tudo não passou de pura retórica. Sem nenhum documento, Virgílio esbravejou ao vento. Ele não rebateu as acusações e confirmou com mais detalhes os fatos trazidos à tona. Na verdade, o senador autoincriminou-se. A partir de seu relato inflamado, ficou claro que o líder do PSDB no Senado infringiu os artigos do Código de Ética que prevêem sanções para casos de abuso de prerrogativa e obtenção de vantagens indevidas e doações.
E mais: ao reconhecer os pecados cometidos no exercício do mandato, o senador demonstrou que, embora seja severo na hora de julgar adversários políticos, costuma adotar padrões éticos bem mais elásticos em relação às próprias atitudes.
Segundo reportagem de ISTOÉ, Virgílio manteve um servidor fantasma lotado em seu gabinete. No discurso, o senador, visivelmente alterado, admitiu que errou ao manter na folha de pagamento do Senado Carlos Alberto Nina Neto, filho do amigo e seu subchefe de gabinete, Carlos Homero Nina, mesmo quando ele resolveu estudar no Exterior. Nina Neto foi contratado em 21 de maio de 2003 como assistente técnico, com salário de cerca de R$ 10 mil. Em 2005, entre maio e julho, foi para Barcelona para um mestrado e continuou recebendo salário. Depois, passou mais de um ano fora, entre outubro de 2006 e novembro de 2007, fazendo pós-graduação. De volta ao Brasil, continuou no gabinete de Virgílio até ser exonerado em 22 de outubro de 2008. “Esse é um equívoco do qual me penitencio, um erro pelo qual mereço ser, sim, criticado”, resignou-se. De acordo com o tucano, Carlos Homero chegou a aconselhar que ele pedisse à Mesa Diretora para “dar autorização” e ainda “pagar as diárias” do filho. Virgílio achou que as diárias “eram demais”, mas por conta própria decidiu pagar os salários, “sem a noção clara do pecado”.
O pecado que Virgílio cometeu está tipificado no artigo 5º do Código de Ética do Senado como abuso de prerrogativa. Não por acaso, dois dias depois, na quarta-feira 1º, ele anunciou que venderá imóveis da família para ressarcir o Senado pelo que pagou indevidamente, durante quase dois anos, ao ex-servidor do seu gabinete. “Era dinheiro da Nação brasileira que não poderia ter sido usado dessa forma”, admitiu em…
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SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui, se desejar, também outros artigos e reportagens publicadas na edição desta semana da revista IstoÉ.





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