Picaretagem. Um médico se deu conta da falcatrua e se insurgiu contra o prêmio aos melhores
Certa feita, recebi um telefonema (era editor de A Razão) de uma simpática moça me avisando que eu fora escolhido o melhor jornalista santa-mariense. E que, alguns dias depois, faria novo contato para me dizer como eu receberia o prêmio.
Duas semanas após, a garota, ainda mais simpática, religou, oferecendo os detalhes: seria no clube tal, na hora tal, e eu teria que pagar R$ 300 (faz cinco anos). Receberia, em troca, um diploma e dois convites para o jantar em que seria entregue a premiação.
Recusei. Afinal, não considerava correto pagar para receber prêmio. Claro que não houve problema para os premiadores. Alguém, que não eu, foi escolhido o melhor jornalista de Santa Maria. Picaretagem pura. E que acontece todo dia na gloriosa boca do monte. Alguns pagam sabendo, mas para evitar que algum concorrente receba no seu lugar. Outros simplesmente adoram, são vaidosos. E por conta deles proliferam os picaretas.
Atenção: nada tenho contra quem recebe esse tipo de premiação, pagando por ela. Cada um, cada qual. Eu, fora. Mas, às vezes, os picaretas se incomodam na Justiça. Leia a seguir um caso, acontecido com um médico do Mato Grosso do Sul, e que serve de alerta aos incautos:
Melhores de bolso – Médico tem de pagar para receber prêmio de medicina
Não bastasse o duvidoso prêmio Melhores da Advocacia, que já premiou um estagiário, chega também à Justiça o Melhores da Medicina. É mais uma premiação promovida pelo promotor de eventos Norberto Gauer.
O cardiologista Délcio Gonçalves da Silva Junior, que atende em Mato Grosso do Sul, foi um dos agraciados com a homenagem em 2003. Foi avisado, pelo próprio Gauer, que receberia o troféu em reconhecimento pelo seu trabalho como médico. Mas, em contrapartida, teria de comprar quatro convites para a cerimônia de premiação, cada uma no valor R$ 280. Ou seja, teria de pagar R$ 1.120 para ganhar o prêmio.
A quantia exigida é pequena perto do que os premiados com o Melhores da Advocacia tinham de pagar. Para o advogado premiado, o valor é cobrado em dólar: US$ 1,8 mil para a organização do evento de premiação.
O médico Silva Júnior diz que só se deu conta das condições para receber o prêmio quando levou o contrato para a sua casa e o leu com calma. Ele havia pedido e se comprometido a pagar dois convites. Quando leu o contrato, viu que estava pagando por quatro convites. Tentou argumentar que só pretendia levar a sua mulher. Portanto, queria apenas dois convites.
Segundo o médico, nesta altura da conversa entrou em cena o poder de persuasão de Norberto Gauer: sem o pagamento de quatro convites, nada de prêmio. Silva Júnior aceitou: nada de prêmio. Gauer contra atacou: ele não podia desistir do prêmio e teria de pagar pelos convites. Silva Júnior não pagou e foram expedidas duas promissórias, sustentadas no contrato assinado pelo médico e já protestadas no Banco do Brasil.
O médico recorreu à Justiça para ser dispensado do pagamento e pediu indenização por danos morais. Na…
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra da reportagem Melhores de bolso – Médico tem de pagar para receber prêmio de medicina, de Aline Pinheiro, na revista Consultor Jurídico





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