Segurança. Se havia alguma sensação, os números deram um jeito de fazê-la desaparecer
- Não sei o que vou fazer. Colocar grades, espantaria os clientes. O que eu faço é ficar armado quando estou atendendo. Mas sei que isso também não é recomendável. Se o bandido me matar, tudo bem. Se o matar, também. O que eu não posso é colocar em risco a vida de pessoas que trabalham comigo
As palavras acima foram ditas pelo comerciante Luis Altissimo Fridhein, entrevistado pelo jornalista Homero Pivotto Jr, em reportagem publicada ontem, pelo Diário de Santa Maria (se quiser conferir a íntegra, clique aqui). Era o desabafo de alguém que viu seu empreendimento, uma padaria na Vila Kennedy, ser assaltada, em média, uma vez ao ano nos últimos sete.
Escrevi no último sábado, na coluna Observatório, no jornal A Razão (que reproduzi aqui, na manhã do mesmo dia), que a sensação de segurança, experimentada nos primeiros meses do governo de Yeda Crusius, estavam se esvaindo. E destaquei não haver números para comprovar a tese – era apenas e tão somente a sensação.
Lamentavelmente, os números surgiram para comprovar a teoria. Não apenas o registro desesperado do comerciante da zona norte. Mas os números oficiais das autoridades, garimpados em reportagem publicada pelo ClicRBS (confira, mais abaixo, a sugestão de leitura).
Na Grande Porto Alegre, no momento em que você está lendo esta nota, já foram assassinados mais de 500 seres humanos (eram 497, até a noite de segunda-feira). Mais de 100 além dos mortos em igual período do ano passado. Já não é, convenhamos, sensação de insegurança, apenas. Mas fato.
No caso de Santa Maria, em que os números são desenconctrados, ou até desconhecidos, se pode afirmar com absoluta tranqüilidade (se é possível utilizar o termo), que houve um avanço nos crimes contra o patrimônio. Não raro com violência – como o caso do rapaz da padaria da Vila Kennedy.
Resumindo: ou se faz algo. Ou… Ah, e não venham com a história da maioridade penal. A grande maioria, quase totalidade, dos crimes é cometida por adultos. Os menores são apenas mais citados. Exatamente porque exceção são. O resto é retórica. Mais nada. É o que penso. E escrevo.
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a reportagem Número de homicídios na Grande Porto Alegre aumenta 25% em 2007, de Cid Martins, da Rádio Gaúcha, publicada pelo ClicRBS.





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