Há, afinal, futuro para a Sotéia? Qual?

De um lado, um dos proprietários. Ele defende a demolição do que resta do que seria o antigo “Solar dos Niederauer”, ou a Sotéia, que “sobrevive” como escombros da metade para o fim da rua Venâncio Aires e que “nada teria de histórico”.

De outro, o Conselho do Patrimônio Público Municipal, que entende ser o local histórico e, portanto, deveria ser preservado e “transformado em ponto de referência cultural para a cidade”.

A opinião de ambos é registrada em reportagem especial que o jornal A Razão publica nesta segunda-feira. No entanto, e o texto registra isso, de uma certa maneira, histórico ou não o local, para tombá-lo há que se indenizar os proprietários. Como fazer isso, sem o principal, o troco? Hein?

Leia o que o jornal publica e tire sua própria conclusão:

”Sotéia. Tombamento ou demolição?
A Sotéia, construção do Bairro Passo D’Areia que não tem origens comprovadas, não tem futuro garantido

“A minha intenção é demolir o que restou da casa e fazer um loteamento no lugar”. Estes são os planos de Walter Stoever, um dos atuais proprietários da Sotéia. Ele justifica:”A casa não tem nada de histórico. Acho que um prédio com 61 anos de construção não tem nada de mais”.

Walter conta que quando o Coronel Niederauer morreu, seus herdeiros teriam destruído a mansão e repartido as terras. Parte do terreno foi vendido a seu avó na década de 1940. Na ocasião, ele teria construído uma nova casa no lugar da histórica, bastante semelhante à original. No entanto, a nova obra teria ganho um pátio no lugar da sotéia. “Não tem mais sotéia nenhuma, foi feito um pátio”, garante.

O Conselho do Patrimônio Público Municipal, composto pela Prefeitura, UFSM, Unifra e Fórum Técnico do Escritória da Cidade, não tem a mesma opinião. “O local é um patrimônio histórico. Temos a intenção de aproveitar toda a riqueza cultural dele e transformá-lo em um ponto de referência para a cidade”, diz a presidente do Conselho, Priscila Quesada.

Segundo Priscila, o Conselho não tem mais a intenção de reformar a casa e sim de preservá-la. Manter a grama cortada e reestabelecer a estrutura para que ela não caia seriam algumas das primeiras medidas a serem tomadas. “Faríamos algo semelhante ao que foi feita nas Ruínas das Missões. Nada seria reconstruído, apenas preservado e explorado. Queremos fazer da Sotéia uma área para visitação e aproveitar para realizar pesquisas no local”, destaca a presidente.

Desde 31 de março deste ano, o local é um sítio arqueológico, constando no cadastro nacional de sítios do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). “Os estudos deixaram clara a importância histórica do local. Contudo, enquanto esta for uma área privada, só podem ser feitas pesquisas com a autorização do proprietário. Ao mesmo tempo, todo sítio arqueológico é patrimônio da União, o que obriga que não seja feita nenhuma transformação”, diz o professor da UFSM e doutor em Arqueologia, Saul Milder, responsável pelo cadastro da Sotéia como sítio.

Saul é um dos que torce pelo tombamento do lugar, o que facilitaria sua exploração. O pedido de tombamento da Sotéia foi feito em 20 de abril de 2005 pelo Conselho. A Prefeitura ainda não encaminhou nenhuma resposta, alegando que é preciso fazer uma análise detalhada para tombar qualquer patrimônio.

“Diversos setores da Prefeitura precisam realizar estudos para dar algum parecer. Além disso, o tombamento mexe com o direito de propriedade. Portanto, teríamos que indenizar os proprietários, e para isso temos que saber se a Prefeitura teria como arcar com o ressarcimento. A comissão espera concluir este processo o mais rápido possível. A meta é…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço www.arazao.com.br, ou na versão impressa, nas bancas nas primeiras horas desta segunda-feira.



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