Economia. É hora de mudar a cara da vitrine

Houve uma época, e vai longe esse tempo, em que as estações do ano eram muito bem definidas. Ao ponto de as tradicionais liquidações de artigos de vestuário se realizarem pontualmente em agosto, novembro, fevereiro e maio. Era assim mesmo: no último mês de inverno, primavera, verão e outono, o consumidor (e o varejista) fazia a festa.

É. Mas isso era há muuuito tempo. Hoje, o que acontece é uma verdadeira corrida (e uma analisada bem dada nas previsões – nem sempre certas – dos meteorologistas), tanto de quem vende, quanto de quem compra. Queimas de estoque acontecem duas vezes por ano, no inverno e no verão. Ou mais vezes em cada estação, dependendo do que marcam os termômetros. Mas em duas ocasiões do ano, sempre.

Agora, por exemplo, é aquela loucura. Já se foram as roupas de inverno, “queimadas” por antecipação naquele calor extemporâneo de julho, e as vitrines estão mudando de cara. Aos pouquinhos, porque ninguém sabe o que vai acontecer semana que vem. No entanto, há consumidores que, com o frio da semana passada, vão atrás de roupas de veludo, próprias para as baixas temperaturas.

Resultado: um verdadeiro descontrole, que prejudicam lojistas e clientes. De qualquer forma, todos têm que se adaptar. Não há outro jeito. Em todo caso, com a proximidade da primavera, as vitrines da cidade já começam a mudar de cara, como mostra reportagem de Elisete Tonetto, que A Razão está publicando nesta terça-feira, a duas semanas do início oficial da primavera. Se bem que dizem haverá mais frio ainda chegando por aí e o comércio trata de se adaptar. Leia e confira:

”Meia-estação já invade as vitrines
Com o tempo variando, lojistas antecipam promoções e já apostam na nova coleção para elevar vendas

Não é somente os idosos e crianças que sofrem com o constante sobe e desce dos termômetros nesta época. Os lojistas, também. E para não amargar mais prejuízos, principalmente, quem tem negócio no setor de vestuário, usar a criatividade ou até mesmo antecipar promoções torna-se imprescindível. Foi o que aconteceu em uma das boutiques, localizada na Floriano Peixoto, onde as últimas peças de inverno foram vendidas há cerca de um mês e por preços com até 60% de desconto. Em julho, conforme termômetro de vendas divulgado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Maria (CDL), quando as vendas ficaram com índices 7,21% abaixo da média, levando em conta o mesmo período do ano passado, e conforme pesquisa feita em 13 empresas do setor de vestuário, lojistas já reclamavam da baixa procura, em função da ausência do frio.

“Como não estava fazendo frio, foi o jeito que a gente encontrou para não ficar com roupas de inverno estocadas. Tomara que com a chegada do calor, melhore. Até por que já estamos com a coleção de meia-estação na loja”, adianta a gerente Leiza Fabian Antunes. Quem também já estava recolhendo artigos de inverno e mudando as vitrines ontem era o gerente de uma das lojas do setor, no calçadão, que trabalha com produtos diretos de fábrica, Marcelo Arnoldo. “Geralmente, o cliente espera de dois a três dias para ver se o tempo vai mudar e decidir se investe ou não em um agasalho mais pesado. Como o frio vêm, mas fica pouco tempo, optamos por antecipar os modelos da nova coleção. Para a gente que tem loja pequena a troca não requer muito esforço”, afirma.

Uma situação que o gerente das lojas Riachuelo de Santa Maria, Carlos Souza, tenta administrar da melhor forma possível. A rede de lojas tem um total de 79 filiais espalhadas pelo Brasil. “Administrar as vendas nessa entre-safra de agosto para setembro é complicado. Apesar da previsão, que indica mais um final de semana de baixas temperaturas já estamos apostando na nova coleção. Roupas pesadas, nem temos mais”, adianta.

A instabilidade do clima provoca incerteza até em quem já tem experiência de longa data com comércio. Na vitrine da loja Empório Doméstico, no Calçadão Salvador Isaia, blusas de manga curta já dividem espaço com casacos de tecido mais leve. “As vendas acontecem mas conforme varia o clima. O lojista está preparado para estações definidas e quando isso não acontece não resta outra opção senão antecipar a coleção. Na verdade, estamos vivendo uma nova realidade, onde os recursos do consumidor são direcionados, sendo cada vez mais raro a compra por impulso”, salienta o proprietário Cézar Gehm.

Apesar da semana ter iniciado com tempo quente, a desempregada Neida Terezinha da Silva Santos, 37 anos, foi uma das que na manhã desta quarta se dirigiu às lojas, à procura por calça de veludo para a mãe. “A gente nem sabe o que ainda vai precisar…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço www.arazao.com.br, ou na versão impressa, nas bancas nas primeiras horas desta terça-feira.



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