Transporte. Questão da tarifa, rolo sem fim. Não faltam acusações. De lá pra cá. De cá pra lá

De um lado, “os empresários são generosos demais com seus funcionários”. De outro, “não se pode vincular uma conquista dos trabalhadores a uma jogada dos empresários”.

Pois é. Agora tem isso. O Conselho Municipal de Transportes está completamente dividido, a partir de uma declaração feita pelo relator do processo que estuda a proposta da prefeitura para reajustar a tarifa de transporte coletivo. E que foi rebatida, obviamente, por outro conselheiro.

Enquanto isso, não se resolve o problema dos passageiros do transporte coletivo da cidade. Gostem ou não os que defendem que a tarifa deva ser menor, mas não dizem como, objetivamente, o fato é que as gratuidades e subsídios são o grande entrave para que se reduza o custo para a maioria dos usuários. Afinal, dos 2,5 milhão de santa-marienses/mês transportados, 600 mil são estudantes que pagam meia passagem. E isso pesa muito mais que o aumento do salário de motoristas e cobradores. Ou não?

A discussão sobre a tarifa, que deverá ter novo capítulo em reunião nesta quinta-feira do fracionado Conselho Municipal de Transportes, e os argumentos de cá e de lá, de lá e de cá, são o tema de reportagem assinada por Fabrício Minussi, e que o jornal A Razão está publicando nesta quarta-feira. Vale a pena ler?

”Crise bate à porta do CMT
Posição de relator quanto ao reajuste da passagem de ônibus gera descontentamento de entidades

O representante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Ricardo Rondinel, nomeado relator do processo que analisa o custo da tarifa do transporte coletivo em Santa Maria, em reunião realizada na última sexta-feira, apresentou cálculo que indica reajuste no preço da passagem, porém recomenda que não seja aprovado pelo Conselho Municipal dos Transportes (CMT). Em seu relatório o professor de Economia da UFSM critica os empresários do transporte coletivo por serem “generosos” com seus funcionários ao aumentar os salários dos rodoviários em índices acima da inflação, fazendo com que a passagem de ônibus em Santa Maria fique muito alta.

No dissídio coletivo dos transportadores, fechado em julho último, a Associação dos Transportadores Urbanos (ATU) de Santa Maria fechou acordo reajustando em 12,75% os salários de motoristas, cobradores e fiscais. Rondinel argumenta que o índice concedido estaria servindo para justificar o aumento da tarifa do transporte urbano para R$ 1,80, conforme apurou cálculo da planilha da Prefeitura.

Contrariamente a esta posição, o Presidente do CMT, Cláudio Scherer, disse que considera o salário dos rodoviários muito baixos. Ele, que também é sindicalista do setor metalúrgico e dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Regional/Santa Maria, disse ontem acreditar que a categoria dos transportadores rodoviários não ganha bem, mas razoavelmente, até pela responsabilidade que possui e pelo ótimo serviço que presta à comunidade. “A questão dos trabalhadores nem deveria ter sido tocada da maneira como foi pelo relator. O Rondinel se expressou mal e o resultado é que acabou sendo mal compreendido”, disparou o presidente do CMT.

O representante da União das Associações Comunitárias (UAC) de Santa Maria, Rodrigo dos Santos, segue a mesma linha de raciocínio do presidente do CMT, mas foi mais duro nas críticas feitas ao relator do processo que analisa o custo da passagem de ônibus em Santa Maria. “O Rondinel foi muito infeliz em suas declarações. Ele não pode atribuir uma conquista dos trabalhadores a uma jogada dos empresários do setor do transporte”, disse Rodrigo.

Segundo ele, o reajuste de 12,75% foi uma conquista dos transportadores, fruto de debates e reuniões. “O relator não pode vincular o aumento da passagem ao reajuste salarial dos transportadores. Se os empresários estão valorizando os empregados, nada mais justo que isso seja colocado na forma de aumento salarial. A declaração de Rondinel deixou claro que ele está um pouco por fora do contexto”, disparou o representante da UAC no CMT.

Rondinel disse ontem que seu argumento está embasado no fato de que o salário dos motoristas teria aumentado mais que a inflação, em termos reais, nos últimos dez anos. “Nenhum trabalhador teve este índice de reajuste concedido pelos empresários do transporte de Santa Maria. Este aumento está sendo transferido para a população. Meu parecer é com relação a tarifa de transporte. Preciso considerar aqueles que utilizam o sistema e pagam pelo serviço, que são os pobres”, explicou o professor da UFSM.

As declarações de Rondinel encontram eco na opinião do representante do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFSM no CMT, Roberto Flech. Ele nega que a indicação de Rondinel como representante do CMT tenha sido uma “barganha” para apoiar a candidatura do atual reitor da UFSM. Ele afirma que seria melhor se todos os trabalhadores tivessem salários que pudessem proporcionar uma melhoria no padrão de vida., “O que não pode é haver vinculação com o aumento da tarifa de ônibus.” Porém não explicou de onde sairiam os recursos para pagar os trabalhadores rodoviários.

O representante das empresas do transporte coletivo no CMT, Luiz Fernando Maffini, também criticou a postura do conselheiro da UFSM, pois este “com a responsabilidade de professor, economista e na condição de relator do processo que analisa o custo da tarifas deve ter uma postura imparcial e ética, pois no mês de abril solicitava dados locais para a confecção do custo e agora, demonstrado os dados pela Secretaria de Município de Trânsito, Transportes e mobilidade Urbana, ele quer se valer de dados de Porto Alegre”. Maffini afirmou ainda que “o relator muda seus critérios toda vez …”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço www.arazao.com.br, ou na versão impressa, nas bancas nas primeiras horas desta quarta-feira.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *