Não será barato. A conta dos governadores, para as bancar mudanças que Lula está propondo

– Ok, ok, ok. Nós te ajudamos. Vamos mobilizar os nossos deputados e senadores e você consegue aprovar as reformas Tributária (que nos interessam, mas não precisamos dizer isso) e Previdenciária (que também nos servem, mas não custa nada negarmos). Agora, tem o seguinte: pra fazer isso, e você se consagrar, e todos nós vivermos felizes para sempre, tem um preço.

O parágrafo acima é um hipotético dito de algum dos vários governadores que se dispõem a apoiar o governo de coalizão proposto por Luiz Inácio Lula da Silva. Por trás do salamaleque ensaiado para a imprensa, com foto e tudo, há uma série de pleitos dos chefes de governo estaduais. E não apenas em obras, mas, também e sobretudo, a renegociação das dívidas (sempre crescentes) dos estados.

Quem conta, e bem, essa história são os repórteres Vanice Cioccari e Ricardo Brandt, no jornal O Estado de São Paulo, neste domingo. Leia você mesmo o texto deles, que passo a reproduzir:

”Governadores cobrarão fatura de R$ 38 bi da União para obras
Lista de demandas para Estados ajudarem retomada de crescimento inclui estradas, ferrovias, refinarias e portos

A pressão dos 27 governadores eleitos e reeleitos para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viabilize em seu novo mandato mais obras para os Estados custaráccaro. Levantamento feito com base nas principais reivindicações dos Estados mostra que a fatura pode chegar a R$ 38 bilhões. São obras de aeroportos, rodovias federais, refinarias de petróleo e portos, que compõem uma extensa lista de demandas que estão sendo entregues ao Planalto.

Aliados fundamentais para o projeto do presidente de fazer o Brasil voltar a crescer 5% ao ano, os governadores defendem em coro obras de infra-estrutura que dependem do governo federal. Sua realização é uma das condições para que os Estados ajudem a viabilizar essa retomada do crescimento econômico – as outras são a renegociação das dívidas com a União e uma maior fatia do bolo dos tributos arrecadados no País.

”Fala-se em crescimento a 5%, mas ele não virá sem a participação dos Estados e municípios”, adverte o governador reeleito da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Ele diz que a situação financeira da Paraíba é insustentável – tal qual a de outros Estados que têm gastos excessivos e falta de caixa para investimentos. “Em 2006 usamos 17% da receita para pagar a dívida com a União – R$ 350 milhões. E para investir só tivemos R$ 130 milhões no ano”, explica Cunha Lima.

O levantamento feito pelo Estado não inclui os bilhões de reais de custo de uma nova renegociação da dívida e de uma divisão mais equilibrada da arrecadação dos tributos – atualmente 80% dessa receita fica com a União e 20% com Estados e municípios. Nem as centenas de outras obras já programadas, mas que ainda não saíram do papel. A soma é apenas dos valores dos projetos que os governadores enumeraram como prioridade e considera o investimento integral de cada uma delas.

As maiores e mais onerosas obras listadas são velhas demandas, algumas com investimentos já em andamento, que atendem a mais de uma unidade da Federação. É o caso da Transnordestina, obra ferroviária que interessa a nove governos do Nordeste – iniciada em 1990, acabou paralisada dois anos depois e foi retomada em junho deste ano. Com uma extensão de 1,8 mil quilometros, a ferrovia ligará o sudeste do Piauí ao sul do Maranhão e o oeste da Bahia aos portos de…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal O Estado de São Paulo na internet, no endereço http://www.estado.com.br/editorias/2006/11/26/pol-1.93.11.20061126.22.1.xml.



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