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Novo partido. Ele até pode sair, mas não com Serra. Que tem problemas outros, bem maiores

A realidade é uma só: fundar um partido é fácil só pra quem quer alugá-lo. Ou até vendê-lo, como se está notando nessa coisa de furar a cláusula de barreira e as “fusões” que estão sendo gestadas. Para quem quer algo sério, capaz de se tornar competitivo e até alternativa de poder, a situação é bem mais complicada.

E não se consegue isso em um vapt-vupt. Que o digam os militantes do PSol, de Heloísa Helena, reduzido a três deputados federais, um senador (aliás, suplente que vai assumir em função da eleição da petista Ana Carepa como governadora do Pará) e escassa visibilidade política.

Então, por que José Serra embarcaria nessa aventura? Para facilitar sua candidatura à Presidência? Pouco provável. Mais ainda porque, afinal de contas, é governador do maior Estado do País e, em tese, larga na frente na disputa interna do PSDB – que tem pelo menos mais um, Aécio Neves, talvez dois, Geraldo Alckmin, com o mesmo objetivo.

O problema de Serra (ou os problemas) é de outra natureza. E tem a ver muito com suas próprias convicções políticas, muito mais à esquerda do que a média do pensamento atual de seus companheiros tucanos. Um artigo do comentarista da TV Bandeirantes, Franklin Martins, expõe com muita clareza a situação do futuro governador paulista e os obstáculos à sua (dele) pretensão de concorrer à Presidência da República, em 2010. Vale a pena ler:

”Serra tem duas pedras no seu caminho

As versões de que o governador eleito de São Paulo, José Serra, estaria pensando em fundar um novo partido, com um perfil de centro-esquerda, para sustentar sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2010, não fazem o menor sentido. Nos próximos quatro anos, Serra estará no comando do estado mais rico e populoso do país. Se fizer um bom governo, será o primeiro tucano na fila para a sucessão de Lula. Não há dúvida de que Aécio Neves é uma pedra no seu caminho. Mas Serra é o pole-position e a corrida presidencial é como o circuito de Mônaco: as ultrapassagens são muito arriscadas e quem larga na frente leva enorme vantagem. Por que o novo governador de São Paulo deixaria o PSDB para lançar-se numa aventura?

Os profissionais da política, e Serra é um deles, sabem que botar de pé um partido não se assemelha em nada a uma carga da cavalaria ligeira. Ao contrário, é uma tarefa penosa e complicada que, no mínimo, demanda uma década de esforços – quando é bem sucedida. O PT e o PSDB, por exemplo, partidos que surgiram como expressão de forças sociais e políticas relevantes, levaram cerca de dez anos para se converter em alternativas de poder. Assim, fundar um partido, daqui a um ou dois anos, de olho em 2010 não tem pé nem cabeça. Quantos minutos de televisão a nova legenda daria a Serra no horário de propaganda gratuita? A senadora Heloísa Helena tem a resposta. Na última campanha, montada num PSOL recém-criado, ela foi engolida pelos latifúndios eletrônicos dos candidatos dos partidos bem-postos e bem-estabelecidos.

As versões sobre o novo partido de Serra, portanto, não são para ser levadas a sério. O novo governador de São Paulo está condenado a ficar no PSDB e a lutar dentro dele pela sua candidatura a presidente em 2010. No entanto, de alguma forma, esses rumores lidam com um problema estratégico real de Serra. Por suas idéias, trajetória e objetivos, Serra é um político de centro-esquerda. Já a base eleitoral da qual ele parte, aquela que votou em Alckmin, é de centro-direita. Evidentemente, ele não pode agredi-la ou desprezá-la. Mas tampouco deseja ficar refém dela e dos discursos que a agruparam na campanha deste ano.

Daí a movimentação e a efervescência nas fileiras próximas a Serra. Daí também o tom marcadamente desenvolvimentista da primeira entrevista coletiva do governador depois de eleito. Parece claro que Serra aposta no discurso da retomada do crescimento econômico como aquele que lhe permitiria fazer um encontro de contas entre ele mesmo e o eleitorado que vem votando no seu partido. Faz sentido. Se a aposta será bem sucedida, são outros quinhentos.

Aliás, esse não é o único problema estratégico grave que Serra tem pela frente. As eleições fizeram aflorar um fenômeno que já vinha se manifestando subterraneamente há um bom tempo: o crescente isolamento de…”


SE DESEJAR ler a íntegra do texto, pode fazê-lo acessando a página do jornalista Franklin Martins na internet, no endereço http://blogdoet.blig.ig.com.br/.

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