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O entorno. Com a “República do ABC” não tem crise. Ela continua no poder, com Lula

O País já conviveu com a República do Pão de Queiro. Lembra? Eram os amigos mineiros de Itamar Franco, que cercavam o Presidente pós-Fernando Collor. Próximos ou distantes geograficamente, influenciavam nas ações de Itamar, que sempre os tratou bem.

Aliás, a mineirada sucedeu à República de Alagoas, de triste memória. Era a escória a gravitar em torno de Collor. Paulo César Farias, lembra?, fazia parte dela. E fiquemos por aí.

Não se sabe que tipo de ajuda (ou não) prestam os integrantes da chamada República do ABC. No entanto, seus integrantes são assim-assim com Lula. São parceiros do tempo de sindicalismo, cristãos-mais-ou-menos novos do lulismo, fundadores do PT e outros mais. Todos têm posição em algum lugar, mas a unanimidade apóia o Presidente, independente dos problemas que este (ou o partido) tenha enfrentado.

E são motivo de uma excelente reportagem de Roney Domingos, do G-1, disponível no portal de notícias das Organizações Globo. É um texto altamente elucidativo das relações e inter-relações entre todos. E que você pode ler a seguir:

“REPÚBLICA DO ABC” RESISTE À CRISE E DEVE PERMANECER NO GOVERNO

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou a permanência de um projeto e, junto com ele, a permanência de um grupo que compartilha mais que uma visão de mundo. No governo da República Federativa do Brasil, existe outra, a “República do ABC”. Entre os principais assessores e conselheiros do presidente, encontram-se companheiros de longa data que, como Lula, fizeram carreira política no ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e cidades nos arredores).

A República do ABC foi abatida por crises políticas na segunda metade do primeiro mandato. Alguns de seus integrantes célebres pagaram o preço com a perda de cargos ou com a derrota nas urnas: na próxima Câmara dos Deputados, o PT do ABC vai ter um único representante, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho.

A expectativa desse círculo é que a confirmação de Lula pelo voto, no segundo turno, tenha encerrado o ciclo de contratempos. Com o triunfo de seu representante máximo, a República do ABC ganhou novo impulso.

Berço sindical

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já disse mais de uma vez em seus discursos que pretende voltar a morar em São Bernardo do Campo, ao lado do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Quando retornar à cidade em que se projetou nacionalmente como líder sindical no fim dos anos 70, Lula vai ficar entre amigos.

Em São Bernardo, moram companheiros como o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. No primeiro ano de governo, quando ainda não era ministro, recebia telefonemas diretos do presidente Lula em seu celular ou no ramal da secretária do Sindicato dos Metalúrgicos. Em mais de uma ocasião, Marinho descreveu o ABC como um fonte de energia positiva para Lula nos momentos de crise.

O sindicalista assumiu a presidência da Central Única dos Trabalhadores (CUT) quando a organização ameaçava esfacelar-se sob o peso de ser governo e, uma vez ministro, assumiu as tarefas mais espinhosas de negociação trabalhista – a última delas com os controladores de vôo.

Marinho condicionou sua candidatura a prefeito de São Bernardo em 2008 à vitória de Lula em 2006. Foi um gesto para levantar o moral da militância em plena noite pós-primeiro turno. Agora que novo mandato foi garantido, Marinho prefere pensar primeiro nos próximos passos do governo antes de decidir pela empreitada eleitoral em São Bernardo, uma cidade que mostrou-se relativamente hostil a todos os candidatos petistas desde Maurício Soares, ex-advogado do Sindicato dos Metalúrgicos, eleito pelo PT em 1988 e pelo PSDB em 1996.

Em São Bernardo, mora um dos principais confidentes de Lula, o presidente do Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto. Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC entre 1981 e 1990, Okamotto vive a poucos quilômetros do sindicato. “Eu tenho relação familiar muito grande com as pessoas que você citou. A bem da verdade não integro o governo (o Sebrae é uma entidade privada), mas tenho apoio de membros do governo para ocupar o cargo que ocupo”, afirma.

Berço administrativo

Na vizinha Santo André, cidade que é uma espécie de laboratório para políticas públicas do PT, Lula também tem amigos.

O homem de confiança do presidente, paranaense Gilberto Carvalho, foi secretário administração do prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002. Quando chegou ao estado de São Paulo, Gilberto viveu primeiro em Jundiaí e depois alguns meses em Santo André. Embora tenha se mudado para São Paulo, onde mora sua esposa, Carvalho conta que ainda tem o pé no ABC. “Minha base é Santo André. Na verdade, morei pouco na cidade, mas meu coração está lá”, afirma. Carvalho articulou a vitória do vice de Celso Daniel, João Avamileno, nas eleições municipais de 2004 e integra o grupo que mantém o poder local.

Uma das mulheres de confiança do presidente também atua na cidade. A “supersecretária” Miriam Belchior, ex-mulher de Celso Daniel, é apontada como uma das principais responsáveis pela articulação dos programas sociais do governo. Em Brasília, ocupa função similar à que exercia no ABC: é encarregada de municiar Lula de informações antes das reuniões com os ministros. Esteve presente em todos os debates entre presidenciáveis e vibrou visivelmente, muito mais do que os colegas, a cada investida do presidente contra o candidato da oposição. Discreta em outros campos, não concede entrevistas e não gosta de ser chamada de “ministra”.

A titular da secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, também fez carreira em Santo André. Embora não more mais na cidade, Matilde (que tem status de ministra) mantém-se ligada aos movimentos populares ativos no município paulista. “Antes de ser governo, trabalhei na Prefeitura de Santo André coordenando a assessoria de defesa dos direitos da mulher. Tenho laços fortes com a cidade”, diz. Ela afirma que a República do ABC não existe como um grupo coeso, com interesses específicos. “Não existe uma identidade do grupo do ABC, mas vínculos construídos ao longo da vida entre pessoas que hoje estão no governo federal.”

No discurso da vitória pronunciado por Lula na noite de 1º de outubro, o nome da secretária foi mencionado. Matilde comemorou a menção de Lula com um cochicho ao pé do ouvido da…”


SE DESEJAR ler a íntegra da notícia, pode fazê-lo acessando a página do “G-l”, o portal de notícias das Organizações Globo, no endereço http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1345843-5601,00.html.

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