Promiscuidade? Economista vê com reservas a proposta de um governo de coalizão

Faz bem um governo de coalizão? Sim, faz. E não é novidade na maioria das democracias do planeta. A questão, então, é outra. Ou as questões são outras. Uma delas: a discussão de uma aliança para governar feita sob o signo da divisão de cargos – as idéias são colocadas apenas para constar, ou, na melhor das hipóteses, subsidiariamente.

Outra é o maniqueísmo: você é pró ou contra o governo. E ponto. Sem que se percebam fatos positivos aqui ou ali, ou mesmo em boa parte da proposta adversária. E também não vale, do ponto de vista do governo, exigir a concordância praticamente unânime. Isso não existe. Ou não é exatamente democrático.

São esses, e outros temas, a receberem inteligente (o que não quer dizer que eu concorde com tudo) avaliação de Adriana Vandoni, economista e especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas. O texto a seguir, originalmente publicado no site “ABC Polityco”, é dela. E vale a pena ler:

”Beijo na boca NÃO!

A última de Lula, meu eterno muso, é querer um governo unânime, na paz, na harmonia. Para facilitar seu diálogo com o legislativo e poupar-lhe alguns milhões, o primeiro passo foi cooptar governadores para que estes pressionem as bancadas de seus estados. Estrategicamente correto. Mas é impossível administrar o país apenas adquirindo governadores, o governo precisa do legislativo.

Aí veio o segundo passo. Está chamando as oposições (!?!) para conversar. Fechou com o PMDB inteiro, básico! O partido fez um pacotão. Mesmo um ou outro esperneando ou fingindo espernear, o PMDB está aí para fechar com o governo, seja ele qual for. Mas Lula quer mais. Lula não se contenta com maioria, ele quer tudo e todos concordando com ele. Sob o manto do “pelo Brasil” ou “pela governabilidade” ou ainda, “quem é civilizado vem conversar comigo”, ele está chamando todos os partidos para uma conversa sobre os rumos do país. Espero que o rumo do país seja a permanência da democracia que por sua vez é antagônica à idéia de unanimidade.

O papel de Lula é esse. Mas qual é a oposição que Lula chamou para conversar? Ah sim, ele deu carona a Arthur Virgílio no seu aviãozinho. Virgílio entrou feroz e saiu manso, mas da tribuna se disse indignado com a reação contrária à sua postura. Chamou os críticos de maniqueístas. Mas a preocupação, pelo menos minha, não é saber se o senador é um homem que “nunca se recusou a entendimentos” (palavras dele), a preocupação é com o papel que deve ser cumprido por um e por outro partido. Lula está no papel dele e do PT. É um presidente da república que imagina fazer do país um grande Woodstock onde todos fiquem numa boooa, na paaaaz, na harmoniiiiia. Decorou seu script certinho. Só que isto aqui não é um festival. Isto aqui ainda é um país e um país que vive uma democracia com todos os ônus e bônus que ela deve ter.

Se quisermos manter uma democracia minimamente digna, é bom que os partidos que ainda não se encantaram com a conversa divino Lula, se tratem desse transtorno bipolar do qual parecem sofrer.

No primeiro mandato de Lula, os que estavam fora da base aliada, inibidos (prefiro pensar assim), desempenharam uma oposição covarde. Não podem agora ser irresponsáveis e em nome da subjetiva e enjoativa palavra governabilidade, participar do que o presidente chama de governo de coalizão. Não acredito em governos de coalizão, isso não existe. Um governo que não tem oposição política, não tardará para colidir…”,/I>

SE DESEJAR ler a íntegra do artigo, pode fazê-lo acessando a página do “ABC Politiko”, no endereço http://www.abcpolitiko.com.br/?secao=secoes.php&sc=2&url=debate.php.



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