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Day After. Depois do julgamento, um Renan menor. Mas não necessariamente pequeno

Por traz do discurso belicoso, e naturalmente sentido, dos maiores adversários do presidente do Senado, Renan Calheiros, há uma constatação: os outros três processos contra o senador, e que ainda correm no Conselho de Ética, muito remotamente irão significar a derrocada dele. A absolvição, com números consistentes, na quarta-feira, indicam que o discurso incisivo tende a ser apenas isso, discurso.

 

Goste-se ou não, a decisão do plenário desencoraja a imaginar a possibilidade de uma cassação posterior do mandato de Renan. Taaaalvez, sabe-se lá quando, por imposição judicial – no caso, do Supremo Tribunal Federal. Mas nem nisso os adversários do senador acreditam.

 

Aliás, a distribuição de culpas, se possível envolvendo a bancada governista, especialmente a do PT, era também previsível. Mas não se sustenta nos números. Afinal, contando votos do PMDB (Pedro Simon, por exemplo), PTB (Sérgio Zambiasi, outro exemplo), sem falar em Jefferson Peres, Jarbas Vasconcellos, Cristovam Buarque, mais o integrante do PSol, fica evidenciado que parte do DEM e do PSDB  votou também pela absolvição de Renan.

 

Justifica-se o discurso. Mas ele não se mantém. Exceto, quem sabe, para a arquibancada. No jogo cru da política o que se tem é uma derrota dos anti-governistas e de alguns do próprio governo. E uma vitória governista, sim, mas sobretudo do próprio Renan, que salvou a própria cabeça. O resto… é o resto.

 

E então, o que se tem a partir daí? Um presidente do Senado que talvez se licencie, mas que não renunciará. Por que faria isso? Mas um político menos forte, mais limitado em suas ações e sob a constante vigilância de seus pares. E, eventualmente, da mídia grandona – esta, em grande parte responsável pela situação em que se viu metido Renan.

 

De forma que, a partir de agora, pelo menos uma coisa melhorou: a possibilidade de negociação política no Senado. Com um Renan vencedor. Mas não necessariamente grande. No melhor sentido da expressão. Ou o contrário, um Renan menor. Mas não exatamente pequeno. Como cada um quiser entender.

 

SUGESTÕES DE LEITURAconfira a reportagem “Os limites da vitória de Renan”, de Eduardo Militão e Lúcio Lambranho, no Congresso em Foco.

Você também pode ler as análises feitas por outros comentaristas políticos, clicando aqui (Ricardo Noblat), aqui (Josias de Souza) e aqui (Lucia Hippolito).

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