Bebidas alcoólicas. Consumo liberado nos postos de combustíveis. É o que decidiram os edis
Ainda que as manifestações dos vereadores refutem a hipótese, o que é legítimo, não há como negar: o lobby dos postos de combustíveis funcionou à perfeição e levou à rejeição do projeto que proibia o consumo de bebidas alcoólicas nas lojas de conveniência e estabelecimentos similares.
Foi uma supergoleada. Apenas um edil, Vilmar Galvão, votou a favor. Outros dois não compareceram (e justificaram): Loreni Maciel e Ovídio Mayer. Os demais todos se posicionaram contra, com as mais diversas justificativas. Repita-se: todas legítimas. E que a história julgará. Mesmo aquelas diversionistas, como um vereador (como você verá mais abaixo, ao ler o texto distribuído à imprensa), que sequer entendeu a proposta, discursando sobre o absurdo da proibição da venda.
Em todo caso, e essa é a opinião claudemiriana, é uma pena. Sujeitando-se à pressão, os vereadores contribuíram bastante para o desassossego público, além de se responsabilizarem indiretamente por tudo o que poderá decorrer da liberação absoluta do consumo de bebidas alcoólicas em locais de grande concentração de jovens – exatamente o segmento da população que mais morre em acidentes de trânsito e homicídios, tudo potencializado pelo consumo de álcool.
Os argumentos, todos, tergiversan. É a realidade insofismável. Mas, pelo menos, e isso é elogiável, os edis decidiram. Não ficaram como em 2007, jogando a proposta pra todo lado, evitando a disputa em plenário. Melhor assim. Afinal, agora a população sabe o que cada um pensa. É bom. Mesmo que este analista não concorde.
Confira a cobertura da sessão da Câmara de Vereadores que votou, e rejeitou, o projeto, no material distribuído pela assessoria de imprensa do Legislativo. A seguir:
Rejeitado projeto que proíbe consumo de bebidas alcoólicas nos postos de gasolina
Por onze votos a um, foi rejeitado o Projeto de Lei 6908, do Poder Executivo, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nas dependências de postos de gasolina, estacionamentos e similares localizados em Santa Maria, obriga-os a ostentar, em locais visíveis ao público, cartazes contendo o número desta Lei e os dizeres Proibido o consumo de bebidas alcoólicas e dá outras providências. O voto favorável foi do vereador Vilmar Galvão. Os vereadores Loreni Maciel e Ovidio Mayer tiveram ausencias justificadas na sessão.
No espaço da Comissão de Constituição e Justiça, o vereador João Carlos Maciel informou que reuniu os vereadores integrantes da comissão e alertou para a necessidade de votação urgente do projeto. Lembrou que, no ano passado, a Câmara de Vereadores foi alvo da imprensa que disse que os vereadores estavam fugindo do debate. João Carlos Maciel ressaltou que a Comissão agilizou a tramitação do projeto, que chegou à Câmara de Vereadores no ano passado.
Na discussão, o vereador Isaias Romero (PMDB) classificou o projeto do Executivo como inócuo. Afirmou que a prefeitura é contra quem quer trabalhar. Reiterou que vota sempre a favor dos trabalhadores. Medidas paliativas como essa não contribuem, não resolvem e revoltam a sociedade. Este projeto não vai resolver nada. Quem quer beber, vai buscar em outros lugares, não vai deixar de beber. Sou totalmente contrário a esta proposta porque queremos defender o interesse do povo. Ninguém pode proibir a venda de nada.
Em espaço de liderança de oposição, Tubias Calil, disse que defende a geração de empregos, afirmando também que não é lobista dos donos de postos de gasolina. Informou que foi relator do projeto na CCJ. Destacou que o bloco de oposição se uniu no posicionamento contra este projeto. Não é com a proibição que se resolve, mas com a conscientização. Não podemos culpar os postos por aqueles que vão beber nestes locais. Salientou que é preciso buscar as causas dos jovens freqüentarem os postos. Eles procuram os postos porque o Poder Público não oferece nenhum tipo de lazer, não direciona. Não há parques, lugares para os jovens se reunirem. Afirmou que os postos não podem ser culpados por mortes no trânsito e outros delitos advindos da falta de limites no consumo de bebida alcoólica.
O vereador Luiz Carlos Fort (PT) se manifestou contrário ao projeto argumentando que a proposta fere a Constituição Federal. A eficácia é zero. Se o projeto fosse proibir a venda, eu votaria favorável porque o álcool é uma das drogas mais prejudiciais, mas não posso votar contra uma categoria. O projeto proíbe o consumo. Quem tipo de fiscalização controlaria isso?, questionou. Citou outros lugares onde não há postos e mesmo assim há grande consumo de álcool. Destacou que não tem medo nenhum de defender o que é correto. Entendo que é um projeto que, na sua forma, não tem eficácia nenhuma, pois vamos estar ferindo o …
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra da cobertura da sessão de ontem, da Câmara de Vereadores, em trabalho realizado pela assessoria de imprensa do Legislativo.





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