Por Maiquel Rosauro
A Justiça gaúcha determinou, a pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o arquivamento do inquérito que investigava a ex-deputada estadual e pré-candidata ao governo do Estado Juliana Brizola (PDT). Ela havia sido indiciada pela Polícia Civil, em outubro de 2025, por suspeita de apropriação de recursos pertencentes à avó materna, Dóris Hartz Daudt.
Conforme noticiou Zero Hora, nesta quarta-feira (22), a decisão judicial foi tomada na semana passada. O promotor criminal Leo Mario Heidrich Leal justificou o pedido de arquivamento pela “ausência de prova de desvio fraudulento ou apropriação indébita”.
A investigação teve origem em uma notícia-crime apresentada em março de 2025 por Alfredo Daudt Júnior, tio de Juliana e filho de Dóris. Ao acessar extratos de uma conta conjunta mantida pela mãe e pela sobrinha, ele identificou saldo negativo de R$ 44 mil, além de empréstimos que somavam R$ 520 mil.
Segundo a investigação policial, também havia despesas e transferências que, inicialmente, não teriam relação com os cuidados de Dóris. A idosa recebia pensão mensal de R$ 25 mil e havia sido indenizada em R$ 1,8 milhão em 2024. Juliana sempre negou ter se apropriado dos recursos da avó e atribuiu o caso a uma divergência familiar.
Dóris morreu em novembro de 2025, aos 99 anos. Ela estava sob a curatela de Juliana desde fevereiro daquele ano. A ex-deputada afirmava que ambas mantinham uma conta conjunta desde 2018, por iniciativa da própria avó, e que Dóris tinha conhecimento das movimentações financeiras.
Arquivamento
No pedido de arquivamento, o promotor afirmou que o espólio de Dóris permanece solvente (quando os bens e valores deixados são suficientes para cobrir as dívidas) e que as movimentações investigadas correspondiam a um adiantamento da participação de Juliana na herança.
As questões patrimoniais também foram discutidas nas esferas cível e sucessória. De acordo com o Ministério Público, as partes chegaram a um acordo e reconheceram a regularidade das contas apresentadas.
O promotor acrescentou que o tio de Juliana apresentou elementos que ajudaram a esclarecer as suspeitas e “manifestou expressa concordância com as contas apresentadas” pela sobrinha. Diante dessas circunstâncias, o MP considerou desnecessária a continuidade da investigação criminal.
“A justiça foi feita”, diz Juliana
Em nota divulgada à imprensa, Juliana disse que o caso foi explorado politicamente para atingir sua reputação e a memória da avó, por quem afirma ter sido criada. Também afirmou que pretende buscar na Justiça a responsabilização de pessoas que, segundo ela, fizeram acusações falsas ou distorceram os fatos. Confira:
Nota à imprensa
Recebo com serenidade a decisão do Ministério Público, que chegou à conclusão que eu sempre soube que chegaria: nunca houve qualquer irregularidade. O patrimônio da minha avó estava preservado. E as informações que foram divulgadas de forma covarde eram apenas despesas do meu cartão pessoal.
A verdade é que usaram a memória de uma senhora de 99 anos, que viveu sob meus cuidados até o último dia da sua vida, como arma política para me atacar. Ela foi a mulher que me criou. A mulher que me ensinou os valores que carrego até hoje.
Eu sei que nada, absolutamente nada, vai trazer a minha avó de volta. Mas a justiça foi feita. Durante meses, a minha vida particular tem sido covardemente atacada por motivações politiqueiras. Tentaram atingir a minha honra, porque não podem atacar a minha vida pública. São mais de 15 anos de trabalho pelo Rio Grande, uma história limpa e coerente.
Mas os fatos falaram. E a verdade, agora, encerra essa história. Ninguém mais atacará a memória da minha avó. E todos que fizeram acusações falsas e distorceram os fatos em benefício dos seus projetos políticos pessoais sentirão o peso da justiça.
Juliana Brizola
Nas redes sociais, a pré-candidata ao Piratini também divulgou um vídeo sobre o caso. Confira:





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