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Corsan e o PGQP. Qualidade da companhia é só de fachada, garante funcionário e sindicalista

A propósito de nota “E a Corsan, hein?!”, que publiquei na coluna Observatório, em A Razão, e reproduzi aqui no sábado (sob o título “Enquanto isso, a Corsan de Santa Maria…”), recebi correspondência do colaborador da Companhia, Rogério Ferraz – que também é dirigente sindical. Confira a íntegra do texto dele, a seguir:

 

“Prezado Claudemir,

Sobre o seu comentário a respeito do PGQP e o possível motivo de a Corsan de Santa Maria ter ficado de fora.

Como funcionário há 26 anos desta grande empresa te digo que a surpresa não é a nossa Unidade de Santa Maria ter ficado de fora. Para quem vive a Corsan, causa espanto é saber que alguma Unidade ganhou o tal prêmio.

A gestão da empresa é única. As deficiências que temos aqui, se espalham por todas as Unidades. Como uma empresa que não tem, há muito tempo, materiais básicos para conserto de redes como fita veda rosca, ganha prêmio? Quando há um vazamento, muitas vezes somos obrigados a sair à procura de peças em outras cidades. Isto é qualidade?

Como uma empresa que se dá ao luxo de deixar 10 viaturas no pátio por falta de conserto e até de documentação pode ser agraciada por sua gestão?

Há muitas unidades da empresa onde não há sequer papel higiênico. A bagunça administrativa se instalou na empresa de tal forma que fica difícil até de acreditar. Pergunte aos vereadores de Santa Maria se eles sabem a quem se dirigir quando precisam de alguma informação.

A gestão Corsan diz que é melhor terceirizar do que chamar os mais de quatro mil concursados aprovados. Colocam empresas sem experiência para executar tarefas importantíssimas. Em muitos lugares não temos mais contrato com retroescavadeira, o que nos deixa em situação complicada para prestar um bom serviço.

O número de vazamentos se acumulando por que a “gestão de qualidade” diz que nossos funcionários devem ficar em casa nos fins de semana para não gerar horas extras.

Soma-se a isto o fato de, segundo o site da empresa, o lucro no último período ter sido de 53,3 milhões de reais. Ora, a empresa pública Corsan virou empresa privada? Este tal “lucro” não deveria ser investido na própria Corsan? Dando condições de trabalho a seus funcionários? Prestando um bom serviço ao usuário?

Sei que muitos devem estar se perguntando: Mas então, como há Unidades que foram premiadas?

Eu já colocaria em dúvida até o tal prêmio. Os avaliadores avisam o dia que farão a visita. O que, na Corsan, dá chance de se “montar um cenário”. Houve até um caso em que um a funcionária guardou um rolo de papel higiênico para quando os avaliadores chegassem. Isto é reconhecido por muitos funcionários que “criam resultados” para ser mostrado aos avaliadores. Os funcionários que fazem isto não sabem que estão colocando em risco até o futuro da Corsan como empresa pública. Pois estes “bons resultados” serão mostrados por nossa governadora à iniciativa privada quando da abertura de capital da empresa. Uma empresa que lucra 53,3 milhões, cresce 9,49% e obtém tantos prêmios, realmente fica muito mais atrativa aos olhos da iniciativa privada. Pena que é tudo de fachada. A Corsan real que os usuários são obrigados a suportar, não é mostrada. Este é o “novo jeito” de gerir a empresa pública.”

(a) Rogério Ferraz, funcionário da unidade de Santa Maria da Corsan e Secretário de Interior da atual gestão do SINDIÁGUA – o sindicato que reúne os trabalhadores da companhia.

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