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Eleições 2008. Mídia grandona só dá bola para capitais. E perde o que ocorre nas comunas

Não penso que esteja exatamente errado. Afinal, os veículos da mídia grandona (e eventualmente da que se acha) estão próximos das grandes cidades, especialmente as capitais – onde são mais lidos, vistos e ouvidos. Assim, é natural que dêem atenção maior às sedes das províncias.

 

O problema está em acreditar (e transmitir isso) que são esses grandes centros os detentores da verdade absoluta em relação, por exemplo, às alianças político-partidárias. E mais: supor que essa correlação de forças possa, por efeito da gravidade, se reproduzir em nível nacional.

 

Um bom exemplo dessa tendência dos midiatas grandões pode ser conferida na reportagem do jornal Valor Econômico, assinada por César Felício, e reproduzida na página do jornalista Ricardo Noblat. Confira um trecho e, no final, meu comentário. A seguir:

 

“Alianças ideológicas e menos candidatos marcam eleições

 

O conjunto nacional das alianças partidárias das principais siglas nas capitais do país mostra um realinhamento ideológico e projeta composições para 2010, apesar da preponderância das realidades locais. Ao contrário do que ocorreu em 2004, as alianças do PT com partidos de esquerda cresceram em 2008. PCdoB, PSB e PDT têm com o PT, em bloco ou separadamente, 40 alianças em capitais – em 2004, foram 29. Desses, o PSB, que tem dois protagonistas para a eleição de 2010, o deputado federal Ciro Gomes (CE) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi um dos que mais avançou nas coligações petistas. Passou de oito alianças em capitais para 14.

 

O PT reaproximou-se de seus aliados históricos sem descuidar dos parceiros que se notabilizaram pela participação no mensalão. Juntos ou separadamente, PTB, PR e PP têm hoje 18 alianças com o PT em capitais. Em 2004, tinham 16. O partido que mais avançou foi o PP, parceiro do PT em seis capitais.

 

PSDB e DEM, apesar de rompidos em São Paulo, mantiveram tendência à coligação. São 12 neste ano, ante 11 em 2004. Mas o parceiro mais comum dos tucanos é o PPS, aliado em 13 capitais. Não foi o que ocorreu em 2004, quando PSDB e PPS estavam juntos em apenas sete. Já o DEM encontra no PP parceiro freqüente: tem 11 alianças com a legenda.

 

O PMDB privilegiou candidaturas próprias, lançadas em 13 capitais, montando um eclético arco de alianças, sem sair do governismo. Seu parceiro não é o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o PDT, com dez coligações. O PT vem em segundo lugar, empatado com o PRB, em nove capitais. Com os tucanos são apenas três alianças e com o DEM, duas. Em 2004, o PMDB estava próximo da oposição. Fez, na ocasião, alianças com os tucanos em oito capitais e com o então PFL, hoje DEM, estava junto em sete…”

 

 

COMENTÁRIO CLAUDEMIRIANO: você aí, em frente ao computador, acredita mesmo em tudo o que está escrito na reportagem da mídia grandona? Sim? Reavalie, então, pois a prevalecer no interior a lógica (que é real) das capitais de província, em Santa Maria o PP de José Haidar Farret teria que fechar aliança com Paulo Pimenta, do PP, e não com o PMDB de Cezar Schirmer.

 

Esse exemplo é suficiente para entender, imagino, que o que vale lá não necessariamente vale cá. E mais, não há qualquer garantia que as alianças de hoje, sejam nas grandes, médias ou pequenas comunas, se reproduzirão dentro de dois naos, na sucessão de Lula. Pode apostar nisso. Se acontecer, será mera coincidência. Na verdade, a conjuntura de 2010, ou pouco antes, é que definirá quem estará com quem nos palanques do segundo semestre daqui a dois anos. E ponto.

 

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui, se desejar, outras notas publicadas pelo jornalista Ricardo Noblat.

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