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Rescaldo do debate. Chapa governista mostrou muito mais mobilização que o frentão de oposição

Cobraram deste jornalista uma opinião acerca do debate da última sexta-feira, no jornal A Razão – que o promoveu, juntamente com a rádio Santamariense. Pretendia deixar passar mais um tempo – que ainda existe, à esta altura da campanha – para refletir sobre o que sobrou, do primeiro encontro (ou confronto) de idéias entre Sandra Feltrin (Frente de Esquerda), Cezar Schirmer (Juntos por uma Santa Maria Melhor) e Paulo Pimenta (Santa Maria não pode parar).

 

Houve equilíbrio no debate propriamente dito. Ou, como escrevi ainda na madrugada de sábado, e reproduzi no mesmo dia e ontem (releia aqui), o trio de pretendentes à sucessão municipal apenas ofereceu uma amostra do que será a campanha e a estratégia que cada um pretende imprimir às discussões com a população. Para usar uma expressão futebolística, jogaram na retranca. Ou com cautela, como se estivessem atuando fora de casa contra um adversário poderoso.

 

Mas isso aconteceu só no debate. Isto é, o comedimento na hora de mostrar as armas ao microfone, e os três assim se propuseram, não foi exatamente o mesmo que se viu no entorno. Aí, bem objetivamente, a frente governista mostrou um grande poder de mobilização. E, sem o temor da adjetivação, foi bastante superior ao seu principal oponente, o frentão de oposição, e à outsider frente de esquerda.

 

Como sabem os que acompanham campanhas eleitorais, o “visual”, o “aparente” também conta, e muito. Se não no resultado final, o que também não está proibido de acontecer, certamente no ânimo da militância. E aí os pimentistas deram de goleada nos schirmistas.

 

Para começar, na própria assessoria principal aos candidatos. É verdade que Renato Nicoloso preside o PMDB de Schirmer, o que lhe confere legitimidade. Mas não é menos verdade que, do outro lado, o principal auxiliar de Pimenta, do PT, era o prefeito Valdeci Oliveira. Cá entre nós, e respeitando muito Nicoloso, os schirmistas não pensaram (ou, se isso aconteceu, não tornaram realidade) em colocar na sala o vice, José Farret, que também já foi prefeito municipal. E por dois mandatos, como Valdeci.

 

Também faltaram, aos oposicionistas, número e vitalidade na secundagem ao candidato. Afinal, se Renor Beltrami é um nome importante no PP, foi o único líder de outra agremiação do Frentão a comparecer. Do outro lado, e na mesma função, quem estava é Ivo Cassol Júnior, secretário geral de Governo e (com laptop em punho) e titular de todos os números possíveis, por exemplo, do PAC e de outras obras municipais, sabidamente um trunfo governista.

 

Onde estavam PSDB, PPS, DEM e o restante do alto comando do PP? E assessoria técnica, havia? Se sim, desculpa, ficou invisível. Só se percebeu meia dúzia (e o número é esse mesmo) de lideranças do peemedebismo, entre os quais o histórico Antonio Carlos Lemos. Curiosamente, afora Lemos, talvez a figura mais saliente do grupo pró-Schirmer presente ao jornal A Razão foi o dissidente do PDT, Marcelo Bisogno (na foto, sentado à esquerda, junto com dois militantes do PMDB), além de outros dois (ou três) militantes graduados do peemedebismo. E só. Importante, mas pouco.

 

Principalmente quando, do outro lado, além do candidato a vice Ovídio Mayer (do PTB), do presidente do PDT, Juici Passini, do presidente do PT, Raul Villaverde, havia pelo menos dois vereadores, e dirigentes estaduais. Pouco? E também dois deputados, Ivar Pavan e Marco Maia. Em resumo: o respaldo político a Pimenta era bastante maior, para dizer o mínimo.

 

E olha que nem se está contando, aqui, os cerca de 50, quem sabe 60, militantes organizados que se postaram na rua, a fazer a claque do candidato da Frente Popular Trabalhista. Embora isso também tenha influência no ânimo de uma campanha que, mais do que qualquer outra talvez, terá um componente fundamental na militância.

 

Resumo da ópera: se no debate houve equilíbrio, no seu entorno a aliança Santa Maria não pode parar deu de goleada. A sorte dos oposicionistas é que a campanha recém está começando. E há outros rounds a serem disputados. Mas o pessoal vai ter que se entender. Ou será patrolado, de dentro para fora do gramado.

 

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