Do Marionaldo. As contradições no interior da administração central da Universidade Federal
Recebi artigo do servidor público federal, e habitual colaborador deste espaço, Marionaldo Ferreira. Ele trata da medida judicial da reitoria da UFSM, para impedir uma suposta invasão do prédio da administração central. Mas ele escreve também sobre… Bem, confira você mesmo:
Administração da Universidade Federal
Trabalho já faz 28 anos na UFSM. Nunca vi e convivi com tamanhas diferenças. E as diferenças que falo não é os pensamentos de homens diferentes, não, são de pessoas que partilharam de um mesmo processo e de uma mesma proposta, portanto imagina-se que tenham afinidade de pensamento.
Na ação que os estudantes fizeram em frente à FATEC e pensando que quebrar o prédio adiantaria alguma coisa, alguns estudantes, avançaram e depredou-se a rigor um bem público. Esta ação estudantil tem um significado de contrariedade e de revolta com as ações de homens despojados de tudo e principalmente de caráter que tomaram conta da fundação e seus projetos.
Pois bem, nessa ação de destruição e até ameaça aos funcionários da FATEC que nada, mas absolutamente nada têm haver com as falcatruas, surgiu uma voz em defesa daqueles que destruíram com o patrimônio: o atual vice-reitor da Universidade Federal de Santa Maria. Através do dialogo equacionou o problema.
Em um curto espaço de tempo, a mesma administração central entra com uma ação judicial e convoca a policia para darem possibilidade de acesso à reunião do Conselho Universitário, visto que havia uma inquietação nos estudantes e estes poderiam não permitir o acesso dos nobres conselheiros à sala de reuniões.
O Vice-reitor determina nada fazer na questão da FATEC e o Reitor determina intervenção policial. O que estará acontecendo? Será que nosso Reitor, orientado certamente pelo competente procurador, despiu-se de sua habitual simplicidade e deixou transparecer sua face mais,digamos, truculenta?
Não quero acreditar nessa hipótese. O Reitor continua um homem simples e defensor das liberdades, pois foi dela, liberdade, que ele é hoje Reitor.
Depois de anos de luta pela liberdade de expressão, a comunidade universitária não aceita mais retrocessos, temos que avançar e avançar em uma academia significa aprofundar a discussão e o debate. Policia é para quem não sabe dialogar, que não é o caso dos estudantes e de sua entidade representativa e muito menos da comunidade universitária.
De qualquer forma está faltando sintonia na atual direção superior da UFSM. Enquanto alguns da administração vão para a direita outros vão para esquerda. Esquerda e direita aqui expressam não um posicionamento ideológico de concepção de mundo e de sociedade.
Para a Instituição isso é ruim, Quando não se tem um timoneiro, não há como navegar em águas tão diferentes. Chega ocorrer a pororoca e corremos o risco de afundar.
Minha lembrança é do Amigo que já partiu, Alfeu Pizzarro, que sempre dizia que a universidade se nega a morrer.
Negamos-nos a morrer porque nossa morte significa a escuridão para milhares de pessoas.
Precisamos rever com certeza nossas ações de graduação, extensão e pesquisa, mas sempre com um comportamento democrático no sentido de entender que a presença dos alunos, técnicos-administrativos em educação e docentes em todas as discussões não atrapalham a universidade a crescer e se despir de seus paradigmas.
O que pode atrapalhar é esse descompasso, é a falta de criatividade e a falta de dialogo com a comunidade universitária e a sociedade em geral.
Há uma carência de debates sobre a ação da Universidade na sociedade e atos de repressão como o que aconteceu não contribui em nada para enraizarmos uma cultura diferente. Esta atitude da reitoria traduz o que há de pior para todos que sempre pensaram em uma sociedade liberta e libertadora das amarras da truculência e do autoritarismo.
Marionaldo Ferreira
Servidor Publico





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