
Reproduzido do site do Correio do Povo / Texto de Taline Oppitz, colunista do jornal
De fato, o ambiente no PT gaúcho nunca foi tão favorável, pelo menos para uma ala do partido, à possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa na disputa ao Piratini em favor de um aliado em potencial. Neste caso, da pré-candidata do PDT, Juliana Brizola, visando a sonhada frente ampla no Estado em 2026.
O cenário inédito, no entanto, nem de longe significa que o apoio irá se concretizar. São inúmeras as variáveis no meio do caminho. Algumas, consideradas intransponíveis, como a de que o PT, por seu tamanho e representatividade, não pode ceder o protagonismo para um partido menor, como PDT, no Rio Grande do Sul.
Presidente estadual do PT, o deputado Valdeci Oliveira afirmou, nesta terça-feira, que, neste momento, nenhum cenário pode ser descartado, mas reconheceu a dificuldade. “A possibilidade de o PT abrir mão da cabeça de chapa existe. Ela é difícil, mas existe. Estamos conversando e iremos ampliar o diálogo até se esgotarem as chances”, disse Valdeci, em entrevista ao Programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba.
O dirigente destacou que, caso a aliança não seja viável no primeiro turno, já deve ficar alinhavada para a segunda etapa da disputa. Valdeci minimizou o resultado das duas últimas eleições ao governo gaúcho, em que o PT não conseguiu chegar ao segundo turno.
“Toda eleição é um risco, é um processo dinâmico. A própria direita está dividida. Há ciclos no Estado. Após dois mandatos deste grupo que está no poder, pode ser a hora de voltarmos a governar o Rio Grande do Sul”, disse, mencionando os dois mandatos de Eduardo Leite (PSD), primeiro governador reeleito no Estado.
Presidente do PDT gaúcho, Romildo Bolzan Júnior afirmou que não há chance de o partido recuar da pré-candidatura de Juliana e que ela não será vice em nenhuma hipótese. “A Juliana é nossa candidata e, cada vez mais, está sendo vista como uma alternativa viável. O desempenho dela nas pesquisas mostra isso. Não se trata mais de recall da eleição de 2024 à prefeitura de Porto Alegre”, avaliou o trabalhista.
Apesar de as negociações estarem em curso, Bolzan também vê dificuldades na aliança com o PT no primeiro turno. “Tenho essa percepção de que o PT não irá abrir mão da cabeça de chapa. O ideal seria a construção de um bloco com maior identidade, mas, se não der, buscaremos concretizar a aliança também com partidos de centro e de centro-direita. Por que não?”, disse, citando PSDB, PP, União e Podemos como alternativas.
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Problema deles. E delas.