Coffee break – por Orlando Fonseca
E há o “Business is business - outra expressão criada pelos americanos”

Café é tão importante, na vida cotidiana dos americanos, que eles criaram a expressão do título desta crônica. E isso virou parte dos encontros, mesmo entre nós, brasileiros, de modo que “pausa” nos eventos virou coffee break. Quem está acostumado com seminários, simpósios, reuniões de diretoria, reuniões acadêmicas ou debates financeiros, sabe do que estou falando.
Vai daí que o presidente Trump, diante do clamor geral do seu povo, resolveu dar um break nas tarifas de importação do precioso produto para a cultura local. Isso mesmo, pode ser que tenha uma mãozinha diplomática, ou a química adoçante dos encontros de líderes dos países exportadores (o Brasil é quem mais exporta a preciosidade para os gringos). Mas o certo é que a população de lá já vinha dando mostras de descontentamento com as medidas governamentais, tirando o coffee do break de cada dia deles.
O notório pragmatismo de Trump falou mais alto, uma vez que a sua aprovação nunca esteve tão baixa (39%, segundo média da revista Economist). Some-se a isso as tarifas descontroladas, as batidas indiscriminadas do Serviço de Imigração, derrotas eleitorais nos preitos municipais. A medida beneficia dezenas de produtos alimentícios, incluindo alimentos básicos como carne bovina, café e frutas.
Para os produtores brasileiros, já acostumados com o comportamento errático trumpista, o decreto provocou confusão em vez de alívio com o fim da sobretaxa, e renovou a incerteza entre os exportadores. A medida não esclareceu se a isenção atinge a tarifa base de 10%, a sobretaxa de 40% ou ambas. Caso o tarifaço imposto ao Brasil permaneça, trata-se de uma mudança incapaz de alterar a situação do fluxo entre o maior produtor global de café, o Brasil, e o maior importador mundial, os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, mantidos os 40% de sobretaxa, não deve ser alterado o problema de escassez de grãos de qualidade utilizados em larga escala pelas indústrias. Por seu lado, ressalve-se que, com as medidas restritivas dos EUA, o Brasil abriu novos mercados.
Trump ainda terá que lidar com a vitória dos democratas, tanto em Nova York quanto na Virgínia, em Nova Jersey e Pensilvânia, o que sugere uma mudança no clima político do país, que em 2026 irá às urnas com o controle do Congresso em jogo.
A vitória de Zohran Mamdani, o primeiro prefeito muçulmano de Nova York e o mais jovem, em mais de um século, representa um forte sintoma de descontentamento do eleitorado, especialmente jovens de bairros em processo de gentrificação, motoristas de táxi, donos de bodegas e outros imigrantes sul-asiáticos da classe trabalhadora. A agenda do novo prefeito novaiorquino é ousada: aliviar o custo de vida da população, com congelamento de aluguéis, catraca livre nos ônibus e creche gratuita para todas as crianças.
Business is business – outra expressão criada pelos americanos – para dizer que cada coisa deve ser julgada e implementada em seu âmbito adequado. Ideologia é uma coisa, negócio é outro. Mistura de negócios com política não deu certo. Haja vista a perda de importância de Eduardo Bolsonaro, tentando intervir na política internacional para tirar o pai da forca.
Agora virou réu no processo que apura a atuação do parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos para promover o tarifaço contra as exportações brasileiras, a suspensão de vistos de ministros do governo federal e ministros da Corte. A investigação foi conduzida pela Polícia Federal que indiciou o parlamentar. A maioria dos ministros da Primeira Turma do STF decidiu tornar réu o deputado federal pelo PL-SP.
Diante das cada vez mais difíceis relações internacionais, motivadas por urgências nas medidas contra os extremos climáticos, ou nos rumores de guerra se espraiando pelo planeta, uma pausa para o café seria bem-vinda.
Ou como dizem os americanos na língua universal (como é o dólar para a economia mundial), um coffee break seria uma ótima pedida para amenizar as tensões, colocar o papo em dia em clima ameno. Isso poderia gerar uma química com cafeína da boa, que, convenhamos, é sempre muito bom.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera. Nem tudo que deveria está sendo divulgado pela imprensa. Por exemplo, maioria acha que a JBS é só dos Batista. Só que o BNDES Participações tem 18% da empresa. Um dos maiores exporadores de café é uma cooperativa, Cooxupé. Que tem grana do BB e do BNDES. Subsidiada obvio, como a JBS. ‘Business is business’, mas concorrência é importante.
‘Isso poderia gerar uma química com cafeína da boa,[…]’. Uma hora até periga sair alguma coisa. Mas a ‘quimica boa’ só gerou reuniões para marcar outras reuniões que resultam em reuniões adicionais. Marketagem.
‘[…] motivadas por urgências nas medidas contra os extremos climáticos, […]’. Urgencia que só restou no discurso de alguns. COP teve até duas manifestações promovidas por puxadinhos do PT para gerar noticia e mesmo assim maioria não dá bola.
‘Haja vista a perda de importância de Eduardo Bolsonaro, […]’. Os problemas dele são dele. Passarinho que come pedra sabe do fiofó que tem.
‘A agenda do novo prefeito novaiorquino é ousada: aliviar o custo de vida da população, com congelamento de aluguéis, catraca livre nos ônibus e creche gratuita para todas as crianças.’ É mentirosa. Como alguém disse por lá, de vez em quando é necessario eleger uma criatura como esta para a população lembrar que não funciona.
‘[…] medidas restritivas dos EUA, o Brasil abriu novos mercados.’ Não na mesma quantia e principalmente não com o mesmo preço. Não é ser a favor ou contra, são os fatos.
‘Some-se a isso as tarifas descontroladas, as batidas indiscriminadas do Serviço de Imigração, derrotas eleitorais nos preitos municipais.’ Batidas só incomodam os democratas que já não votam nele. Tarifas resolvidas. Nova Iorque? Pessoal de lá é mais comuna mesmo. Mas tem o estelionato eleitoral. Mudar tributo municipal por lá depende de aprovação na ‘Assembleia Legislativa’ do estado (na verdade no Congresso estadual). Dificilmente vai rolar. Supermercados estatais? Quero só ver.
‘[…] não deve ser alterado o problema de escassez de grãos de qualidade utilizados em larga escala pelas indústrias.’ Café necessita de altitude (mais de 1200 metros, modifica o amadurecimento da fruta). É originario da Etiopia.
‘[…] o decreto provocou confusão em vez de alívio com o fim da sobretaxa,[…]’. Só para os chapas brancas. Decreto só menciona tarifas reciprocas.
Agente Laranja deve ser ‘derrotado’ nas eleições vindouras. Como quase todo presidente americano.
‘[…] uma vez que a sua aprovação nunca esteve tão baixa (39%, segundo média da revista Economist).’ Não se sabe. A mesma revista publicou pesquisas com Kamala na frente do Agente Laranja. Margem pequena, mas a frente. O que se viu foi uma lavada.
‘[…] (o Brasil é quem mais exporta a preciosidade para os gringos).’ Falam no assunto como se toda carne e todo café fosse igual. Mercados diferentes. Brasil majoritariamente entra com quantidade, não com qualidade.
‘Quem está acostumado com seminários, simpósios, reuniões de diretoria, reuniões acadêmicas ou debates financeiros, sabe do que estou falando.’ Onde o coffe break muitas vezes é mais importante do que o proprio evento. Onde o ‘networking’ e a troca de ideias acontece.