Centro Espacial pela metade em Santa Maria
Sobrou franqueza ao diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Gilberto Câmara, que visitou Santa Maria nesta terça-feira.
Ao mesmo tempo em que confirmou o investimento para concluir as instalações do Centro Regional Sul de Pesquisas (CRSPE), no Campus da UFSM, deixou claro que não há chance de o Centro ficar independente do INPE e, muito menos, sediar uma estação de rastreio e controle de satélites.
Mais que isso, Câmara aparentemente não se intimidou com o lobby (havia todas as principais autoridades municipais, e algumas estaduais) santa-mariense e garantiu que o diretor do Centro, Nelson Schuch, será mesmo substituído, contrariando o interesse demonstrado pelas lideranças santa-marienses. Isso acontecerá para que o Instituto possa promover os investimentos anunciados.
Geeente! Isso tem cheiro de ultimato. Algo como, com ele aqui, nada feito. Portanto, se acalmem. É verdade que as pessoas presentes também não se intimidaram, e se fizeram ouvir. No entanto, a impressão de quem estava presente é que se trata de chover no molhado. A decisão está tomada e pronto. Será, mesmo? A conferir.
Enquanto isso, leia reportagem assinada por Fabrício Minussi, a respeito da visita de Gilberto Câmara, que o jornal A Razão publica em sua edição desta quarta-feira:
Centro, sim, antenas, não
Inpe vai concluir instalações do CRSPE mas, mas sem as antenas de rastreio de satélites
O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara, anunciou ontem que o órgão irá investir na conclusão das instalações do Centro Regional Sul de Pesquisas (CRSPE) na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O anúncio foi feito a tarde, durante palestra direcionada à comunidade universitária, mas que também contou com a presença de autoridades políticas e empresariais locais e da região.
Na oportunidade, Câmara também jogou um “balde de ‘água fria” nas pretensões de transformar o CRSPE em uma unidade autônoma ao Inpe e afastou a possibilidade de investimentos para a implantação de uma unidade de rastreio e controle de satélites na UFSM.
O diretor do Inpe utilizou argumentos técnicos e de ordem orçamentária para inviabilizar o pleito da comunidade regional. A implantação das antenas de rastreio de satélites na UFSM – um investimento de milhões de dólares – conta com respaldo de análise de viabilidade emitido em relatório elaborado por uma comissão de alto nível, com integrantes nomeados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Para o diretor do Inpe, este investimento, além de tecnicamente ser inviável e por representar uma grande monta de recursos, significaria gerar emprego e pesquisa no exterior e não em Santa Maria e região.
“Trata-se de um investimento vultuoso, que geraria apenas dois ou três empregos para operar o equipamento. Não traria benefício científico, pois não proporcionaria a possibilidade de pesquisas. Somente faria a leitura dos dados dos satélites para serem analisados posteriormente em unidades que possuem equipamento e mão-de-obra para tanto. Por isso, é inviável”, disse Câmara.
Ele também afirmou que a unidade de rastreio de satélites em operação em Cuiabá, em Mato Grosso, já realiza este monitoramento em todo o território nacional. “Se instaladas em Santa Maria, as antenas acrescentariam alcance apenas na Patagônia e no Sul do Chile”, reforçou Câmara.
Entre os investimentos anunciados ontem pelo diretor do Inpe em Santa Maria visando a conclusão das instalações do CRSPE estão os que possibilitarão transformar a unidade local em um Centro Regional Sul de Pesquisas; com a implantação de missões nacionais e internacionais e destinação de recursos significativos, de pessoal e de infra-estrutura científica necessária para dotar a unidade localizada na UFSM de amplas condições de exercer função estratégica na pesquisa espacial nacional; em especial, no monitoramento de clima e tempo, que possam garantir, por exemplo, leituras de condições específicas para o setor do agronegócio e operacionalizar políticas de prevenção a catástofes naturais.
“Vale lembrar que a posição do MCT é de que o Inpe promova a descentralização e articulação de suas unidades e é isto que estamos anunciando hoje, o compromisso de conclusão do CRSPE e renovação de convênios com a UFSM para que porjetos considerados estratégicos para a pesquisa espacial nacional possam ser levados a efeito”, concluiu Câmara.
Comissão de buscas vai nomear novo diretor do CRSPE
Outro ponto tratado pelo diretor do Inpe em Santa Maria disse respeito a permanência do professor Nelson Schuch como diretor do CRSPE. Câmara confirmou que o pesquisador será substituído para que o instituto possa promover os investimentos anunciados. Câmara alegou o desgaste que a figura do atual diretor vinha acumulando, o que segundo o Inpe, poderia atrapalhar o cronograma de expansão.
“Não podemos, de modo algum, esquecer do trabalho desenvolvido pelo Schuch a frente do CRSPE. Mas o desgaste é inevitável. Funciona assim em qualquer cargo político. Estas substituições estão sendo promovidas em todas as unidades subordinadas ao Inpe no Brasil e servem para dar novo ânimo e garantir a viabilidade política daquilo que o Inpe pretende para os próximos anos”, explicou Câmara.
A dica de que os dias de Nelson Schuch no comando do Inpe em Santa Maria estariam contados veio ainda pela parte da manhã, quando o diretor do Instituto, Gilberto Câmara, participou de reunião a portas fechadas com o reitor da UFSM, Clóvis Lima e representantes da comunidade científica universitária. Schuch não teria sido convidado a participar do encontro que tratou de detalhes dos convênios que serão retomados entre o Inpe e a UFSM. Durante a palestra proferida a tarde, Câmara ouviu …
SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço www.arazao.com.br.





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