Análise (3). O petismo local também rumina e revolve suas entranhas, à espera do jogo de 2010
Se o PMDB põe na gaveta suas divergências, que não são poucas nem desimportantes, como você leu na nota imediatamente anterior, logo abaixo, como está o PT, partido que dominou a cena política santa-mariense nos últimos oito anos e foi derrotado no pleito de outubro? A resposta imediata: bem não está. E pode ficar pior. Aliás, tende a expor, a qualquer momento, suas facetas diversas, para ser brando.
Os petistas sempre disseram, com suas razões bastante sinceras, que a divisão em correntes fortalece a sigla, ao contrário do que querem fazer crer os adversários. E que é da discussão ampla das questões internas, muitas vezes a céu aberto, que surge uma agremiação ainda mais forte. Isso não deixa de ser verdade, quando o que está à porta é uma eleição majoritária. Mas é bem diferente quando a disputa tem outra natureza.
Explico: historicamente, o PT se divide antes de uma eleição, com as tendências se engalfinhando em torno, por exemplo, da indicação de um candidato a prefeito ou a governador. Mas, depois de decidido, o militante se une em torno do vitorioso interno. Com raras exceções (Tarso Genro em 2006, no Estado, e Maria do Rosário em 2008, em Porto Alegre, para ficar em dois casos), a tese se tornou real.
No entanto, a situação se torna bem diferente quando o que está em jogo são vagas no parlamento. Aí, é cada um para seu lado. Ao ponto de as correntes se sobrepujarem a eventuais interesses locais. Exemplo: a parte divergências políticas, Valdeci Oliveira, em 2006, apoiou Adão Villaverde, vinculado a Porto Alegre e outras regiões, à Assembléia Legislativa – e não Fabiano Pereira, de Santa Maria.
Agora, ponha na roda o pleito do próximo ano, o primeiro depois da derrota municipal. O partido, em Santa Maria, terá nada menos que três candidatos a deputado. Um, certo, Paulo Pimenta, à Câmara dos Deputados. Pelo menos formalmente, terá o apoio de todos – mesmo que por solidariedade ao derrotado concorrente à prefeitura. Na prática, ele próprio não deve contar com isso. Inclusive porque há a possibilidade de Fabiano, agora, tentar a Câmara, também.
E para a Assembléia Legislativa, dois nomes locais são certos. Um é Valdeci, outro é Vilmar Galvão. E um terceiro é possível, Fabiano – se não resolver-se pela tentativa de dar o salto para Brasília. Aí a cobra vai fumar. Com uma divisão irremediável, com inevitáveis efeitos, meeesmo, sobre o próximo confronto municipal, marcado para 2012.
Inclusive porque tanto Valdeci quanto Galvão, muito provavelmente, terão dobradinhas com concorrentes não santa-marienses. Pode até não ser assim, mas é como se encaminha. O ex-prefeito com Villaverde; Galvão com Ivar Pavan – se não houver acordo com Pimenta ou, mesmo, Fabiano.
Resumo da ópera: tanto o PMDB, mesmo no poder, tem os seus problemas, quanto o PT, e mais ainda porque fora do poder, tem seus dilemas para tratar. Coisa para psicanalista? Quem sabe… quem sabe…





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