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REFLEXÃO. Adede y Castro e o Estado, essa “viúva de colo macio e seios opulentos, perfumados e macios”

No colo macio da viúva

POR João Marcos Adede y Castro, Promotor de Justiça e Escritor

Cada vez que eu ouço que “a culpa é do Estado” e que “o Estado é quem deve pagar a conta”, fico pensando quem é o Estado. Esta instituição que parece não ter nada a ver conosco é, efetivamente, nós, mas não nos damos conta disto.

E, como não sabemos ou não queremos saber que o Estado somos todos nós, que ele só existe porque nós autorizamos e que ele funciona (quase sempre), com o dinheiro que arrecada nos tributos que nos cobra, nos sentimos confortáveis no macio colo da viúva de seios opulentos, perfumados e macios.

O conforto do colinho macio tem um preço, mas não nos damos conta disto. E, assim, vamos jogando a culpa e a responsabilidade pelos atos de desvio de recursos por parte dos servidores do Estado no colo da viúva, aqui representada pela sociedade inconsciente, ou como disse Chico Buarque, que dorme tão distraída, sem perceber que é subtraída vergonhosamente em inúmeras e intermináveis tenebrosas transações.

Assim, se sucedem regularizações de loteamentos particulares por conta da viúva, fazendo-se de conta que não sabemos que o proprietário da área vendeu os lotes e embolsou o dinheiro, praticando a saudável privatização do lucro e a necessária socialização do prejuízo.

Servidores públicos, aos milhares, são condenados a devolver aos cofres públicos milhões de reais em vista de pagamentos indevidos, recursos desviados em benefício privado, e nada de efetivo acontece, porque simplesmente não têm bens a serem penhorados, e nos satisfazemos com a ilusória sensação de justiça. Contabilizamos a sentença em nossos relatórios como uma vitória, falsa é verdade, mas bem confortável para nossas consciências entorpecidas.

Modifica-se a Lei das Licitações para resolver uma emergência fabricada pelo atraso deliberado e criminoso das obras para a Copa 2014, garantindo-se sigilo no processo de escolha das empresas que as realizarão e, claro, como um presente da pátria mãe tão carinhosa, a garantia de que não haverá fiscalização e se poderá multiplicar os gastos por vinte, ou por trinta, ou talvez quarenta. Qual o problema, se o dinheiro não é meu, mas do governo?

Quem não sabe que as obras para os Jogos Pan-Americanos de 2002 no Rio de Janeiro custaram, ao final, 14 vezes mais que o previsto é porque não quer saber. A Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 serão (Deus queira que eu esteja errado!) um festival de corrupção, sangria dos cofres públicos e obras que, na sua grande maioria, não servirão para nada a não ser mostrar ao mundo como somos ricos.

E o Estado brasileiro, ao propor sigilo nos processos de licitação das obras para estes eventos, está dando uma bela contribuição ao descalabro, ao desperdício de dinheiro público, no maior fiasco de toda a história do Brasil.

Até meus cachorrinhos de estimação sabem que sigilo em negócios públicos é inconstitucional.  Tanto sabem que estão latindo, esperando que alguém os ouça, já que as palavras das pessoas não valem mais nada.

A bolsa da viúva não tem fundo, está cheia de dinheiro para gastar e nós estamos confortavelmente recostados em seu colo cheiroso e macio. Para quê tanta preocupação?

Bobagens! Relaxa e aproveita.

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