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O desastre, pode crer, não aconteceu por acaso

Inchaço, erros primários de administração, descontrole do quadro de pessoal e falta de transparência das subsidiárias do grupo. Esses estão entre os fatores apontados como fundamentais para que a Varig, pioneira da aviação comercial brasileira chegasse ao ponto de hoje.

A possibilidade de falência é real. E, a rigor, só não aconteceu ainda pelo significado simbólico que a empresa nascida no Rio Grande do Sul ainda ostenta entre seus milhares de clientes e diante da opinião pública brasileira – o que sensibiliza autoridades judiciárias, sobretudo. Mas a hipótese de acabar com a Varig existe, da mesma forma como subsiste a possibilidade de uma venda (Leia nota imediatamente anterior). Nesse caso, porém, é certo o encolhimento da outrora portentosa companhia aérea.

Os problemas que determinaram o desastre administrativo, financeiro e operacional da Varig foram detectados em relatório feltio pela Lufthansa Consulting. O diagnóstico, que aponta os erros cometidos pela empresa, é divulgado no O Globo, deste domingo, em reportagem assinada por Geralda Doca, da sucursal de Brasília do jornal carioca das “Organizações Globo”. Leia você mesmo:

”Estudo mostra erros na administração da Varig

A Varig, que já foi a maior empresa da aviação brasileira e vive hoje o dilema entre o desaparecimento e o forte encolhimento para sobreviver, não chegou à ruíona por acaso. Um diagnóstico ao qual o Globo teve acesso, elaborado pela Lufthansa Consulting assim que a Varig aderiu à nova Lei de Falências, mostra erros primários de administração, inchaço e descontrole do quadro de pessoal e falta de transparência das subsidiárias do grupo, como a Rede Tropical de hotéis e a firma de serviços aeroportuários Satã. O estudo serviu de base para a aprovação do plano de recuperação judicial da companhia pelos credores.

Segundo o diagnóstico, a situação da Varig se agravou a partir de 2000, quando o mercado se tornou mais competitivo com a entrada da Gol e o rápido crescimento da TAM. Mas foi em agosto de 2005 que a companhia começou a entrar em colapso: sem dinheiro para fazer manutenção, a empresea parou 14 aviões de uma frota de 78, o que forçou uma redução do número de vôos, principalmente no mercado doméstico. Só o leasing dessas aeronaves paradas custava USS$ 3,8 milhões por mês.

Número de pilotos por avião era 45% superior ao das rivais

No cenário internacional, o desempenho da Varig também já não era dos melhores. Entre 2004 e 2005, a ocupação dos aviões da companhia nos vôos inernacionais era menor que a da concorrência. De acordo com o diagnóstico, a receita da Varig por assento/quilômetro era 30% abaixo da registrada pelas empresas estrangeiras com linhas para o Brasil. E com um complicador: os gastos da Varig eram superiores aos das concorrentes.

Frota heterogênea- com diferentes tipos de aviões, motores e pnseus – contratos de leasing de curto prazo (dois a quatro anos) e freqüentes mudanças na diretoria da empresa, segundo o estudo, elevaram os custos operacionais e reduziram a eficiência e a produtividade da Varig. Os fluxos de caixa constantemente negativos também contribuíram para o acúmulo de dívidas.

Além de citar a falta de transparência nas empresas do grupo Varig, o estudo faz críticas ao sistema de organização da companhia, com sete níveis hierárquicos e falta de controle da atuação de cada um. A consultoria destaca que nos últimos 20 anos o fluxo de passageiros nos aeroportos de São Paulo aumentou de cinco milhões para 27 milhões por ano e no Rio, de sete milhões para 11 milhões. Apesar disso, a Varig manteve suas bases no Rio e em Porto alegre.

Com 11.967 funcionários, o diagnóstico mostra que a Varig tem um quadro excessivo de funcionários, pois emprega 1.740 pilotos e 3.700 comissários de bordo para 78 aviões. Isso significa 22,3 pilotos e 47,4 comissários de bordo por avião, ou seja, 45% a mais do que a concorrência.

Entre os gastos elevados com pessoal, o estudo apontou nível elevado de horas extras, que custam US$ 5 milhões por ano, e falta de controle das ausências temporárias de …”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço http://oglobo.globo.com/jornal/economia/.

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