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ANÁLISE. Como foi o primeiro programa de TV, dos cinco pretendentes à Prefeitura de Santa Maria

A convite do sítio, Arnaldo Rechia, assistiu, nesta quarta-feira, ao programa inicial de cada um dos candidatos à prefeitura da boca do monte. A seguir, a análise dele, com os critérios que ele próprio estabeleceu, sem a interferência deste editor, na íntegra:

Programa eleitoral na televisão: custa caro, mas pelo visto vale cada centavo

Já é de senso comum que a produção dos programas eleitorais para televisão é um fardo financeiro para os candidatos, um ótimo negócio para as produtoras e para maioria dos eleitores… meia hora de TV desligada.

Coube a mim o convite de bom e opinativo amigo jornalista, Claudemir Pereira, de que fosse feito uma “resenha” sobre o primeiro programa dos candidatos à prefeito (a) na televisão aberta em Santa Maria.

Tentei assistir os programas sob dois prismas. O do conteúdo político/discurso e o da técnica televisiva.

As turmas de Antônio, Celso e Cristian mostraram que valem cada centavo investido.

Vamos ao que eu vi, proporcionalmente ao espaço de tempo que ocuparam na tela.

Programa de Schirmer: Escolheram logo de início boas imagens da cidade. A intenção é clara de fazer com que o eleitor se reconheça em alguns dos locais. Se remeta de como a cidade ficou boa. Foi o programa mais ‘up’, takes de sorrisos e uma boa seleção de depoimentos garante o fio condutor do programa até a chegada do candidato no vídeo.

Tecnicamente há um sério incômodo de ‘drop’ de áudio logo no início. O jingle fica se batendo e logo em seguida ouvi um off saturado. Os editores e cinegrafistas foram infelizes na escolha de dois takes em panorâmica da direita para esquerda, ou seja, contra a direção de leitura. Não compromete, o eleitor não percebe, mas eu vi.

Schirmer em sua fala não faz nada de inédito. Exalta seus feitos (como é de se esperar) e não tropeça nisso, preciso reconhecer que expressão oral nunca foi problema para o candidato, na minha opinião. O que eu não gostei foi de um efeito de edição que pretendia imitar uma lente e acabou deixando tudo um pouco escurecido. Talvez seja o formato dos arquivos, as produtoras devem captar tudo em ‘full HD’ e na hora de veicular precisa ser em ‘beta cam’. Deixando as imagens um tanto lavadas.

Farret, em sua breve participação, falou precisamente a mesma frase que usou para encerrar o debate dos vices. O cenário não poderia ser outro. Em frente à UPA.

Outra opção de edição não incomodou só a mim, mas alguns leigos também. Há uma escolha de edição que pretende ser algo como uma câmera nervosa, mas ao fim ao cabo tira a atenção do que está sendo dito,  sem falar que faz parecer que o apresentador (a) está errando a câmera.

No intuito de humanizar o político e mostrar ele como pai, a equipe acertou. Colocaram as filhas de Schirmer.

Programa de Helen: Optaram por um formato documental. Traz o perfil da candidata. Depoimento tanto dela quanto de outras personagens exaltam apenas o lado pessoal da petista. Por falar em PT, o primeiro programa traz boa parte das grandes figuras do partido no Estado. Paulo Pimenta e Valdeci Oliveira contribuem na história ao lembrar como conheceram a candidata.

A edição foi muito feliz. Vi uma trabalho de um editor muito técnico e preciso. No meu entendimento apenas sobrou uma ou duas imagens de Helen olhando para o nada. Não ficaram ruins nem comprometeram, apenas sobraram.

O trabalho de pesquisa da produção ficou evidente no primeiro programa do PT. Colegas de faculdade, de escola de trabalho, enfim.

Faltou um pouco de política propriamente dita. Achei um programa no seu todo um tanto triste. Essa sensação é salva apenas quando aparecem e são citadas as crianças. Regra básica em televisão – quer comover o telespectador? Coloca uma criança no vídeo.

Considerando que o programa de Schirmer ocupa metade do horário político, o de Helen, nos minutos que teve conseguiu passar uma mensagem sentimental. Uma estratégia muito parecida com a de “Lula paz e amor”. Lembram?

Programa de Pozzobom: Logo de início me salta aos ouvidos uma voz grave em um off muito bem escrito. Talvez aí esteja uma dupla muito bem investida neste programa. Locutor e redator. Didaticamente em comunicação sabe-se que vozes masculinas e graves são invariavelmente transmissoras de credibilidade. Talvez aí more a aposta dos tucanos.

Semelhante ao enredo do programa petista, mas menos sentimental, mais factual, a equipe de Pozzobom optou por mostrar a trajetória do candidato de forma objetiva e simples.

Um trabalho que em televisão podemos dizer que foi um “arroz com feijão” muito bem feito. Bem editado, com cores mais claras e me pareceu mais vivo que o programa de Schirmer, por exemplo. Mas em um tom de discurso completamente sério. Poucas firulas, poucos efeitos.

Escolheram mostrar o que queriam no tempo que podiam. Usaram um ‘croma’ bem resolvido mas pecaram absurdamente no áudio. No momento em que o candidato mostra a cara para falar, o áudio é baixo, sem acústica agradável e comprimido. A meu ver, no caso ouvir, um erro grave na captação de som.

Fecharam o programa com uma ótima escolha de corte/movimento de edição brincando com o final do nome do candidato com a expressão “prefeito”.

Programa de Jeferson: O PSTU evoluiu muito desde os primeiros programas de TV que vi do partido. O áudio melhorou, a edição ficou menos amadora, mas ainda assim está muito abaixo das demais.

No conteúdo a mesma sistemática. Jeferson bravo, de cara fechada, excetuando em um último ‘take’ fixo. Usaram imagens, aparentemente de web, para cobrir um off sobre a história social das classes. Não ficou ruim, gostei até, mas para aula de história não para programa político de TV.

Programa de Tiago: O PSOL foi o que mais me decepcionou. A meu ver errou tudo em se tratando de estética televisiva.

Luz estourando na face dos candidatos. Enquadramento de croma desproporcional e uma edição dura.

Tiago e seu vice, Fuchs, alternaram aparições com poucas propostas e muitas queixas. Alguém precisa fazer o papel de reclamão nas eleições, senão perde a graça.

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