DestaqueSaúde

SAÚDE. Grupo de trabalho vai atuar para garantir fornecimento de sensor de glicemia para diabéticos

Audiência pública na Assembleia foi o primeiro passo dessa luta dos pacientes

Plenarinho da Assembleia ficou lotado, na discussão sobre o sensor de glicemia para diabéticos (Foto Christiano Ercolani/Divulgação)

Distribuído pela Assessoria de Imprensa do Deputado Valdeci Oliveira

Um grupo de trabalho, formado por médicos, pacientes, familiares, deputados e representantes de entidades e de órgãos públicos, terá a missão de convencer a Secretaria Estadual de Saúde a assegurar gratuitamente aos pacientes com diabetes o FreeStyle Libre, sensor de glicemia que livra os portadores da doença das incontáveis picadas de agulhas nos dedos durante o dia. Este foi o principal encaminhamento da audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (11) para discutir o assunto.

A proposição foi do deputado Valdeci Oliveira (PT), que presidiu o encontro. “Esta audiência não é terminativa, é o primeiro passo. E quem está na luta sabe que são vários os passos a serem dados. Mas tenham certeza que este é um processo absolutamente unificado na sua compreensão”, afirmou o parlamentar na abertura dos trabalhos.

“Em julho passado, tivemos a oportunidade de visitar o Instituto da Criança com Diabetes (ICD), vinculado ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC), estrutura federal 100% SUS, e verificamos a excelência do trabalho realizado pela equipe. E a principal demanda apresentada naquele momento foi justamente discutir esse tema, a relevância e importância do protocolo praticado aqui no RS prever a oferta, principalmente porque também estamos falando de um grande contingente de crianças”, justificou Valdeci à realização do encontro.

Nas falas dos presentes – de familiares de pacientes a representantes da OAB, do Ministério Público e do próprio ICD – se trata de salvar vidas, oferecer qualidade e segurança no dia a dia a quem já enfrenta uma rotina difícil. Além de dialogar com a secretária Arita Bergmann, o grupo pretende fazer contato com o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, que representa os usuários na Comissão de Incorporação de Tecnologias ao SUS, para que ele seja o porta-voz do movimento em nível nacional.

Outra tarefa será a elaboração de um projeto piloto para contemplar os pacientes do ICD e a busca de emendas parlamentares para financiar a compra dos sensores. “Sabemos que a liberação precisa passar pela Conitec, mas nada impede que o Estado e os municípios instituam políticas para garantir o sensor, como já acontece em diversas cidades brasileiras. Estamos convencidos que a medida representa uma economia, pois a prevenção sempre custa menos do que tratar as complicações”, defendeu Valdeci.

O sensor fica grudado na parte superior posterior do braço e faz, sem picadas ou dor ao paciente, leituras contínuas a cada um minuto, armazenando até 8 horas de dados de glicose e dura 14 dias. O custo, porém, fica próximo a R$ 300 por quinzena para o usuário. “Este é o preço para o consumidor final. No entanto, se for adquirido em escala, o valor cai”, apontou o vice-presidente do Instituto, Balduíno Tschiedel.

Qualidade de vida

No Brasil, 14,3 milhões de pessoas convivem com o diabetes. Deste total, 700 mil estão no Rio Grande do Sul, o que faz do estado o terceiro com maior prevalência com diabetes tipo 1 nacionalmente. O Brasil é o quarto país do mundo com mais crianças com diabetes tipo 1, somente atrás da China, Índia e dos Estados Unidos. São 30,9 mil crianças diabéticas, na faixa de 0 a 14 anos, sendo cerca de nove mil no RS. A

 endocrinologista pediátrica Márcia Puñales alertou que o Diabetes Mellitus (tipo 1) está entre as doenças que mais matam. Trata-se de uma enfermidade metabólica caracterizada pelo aumento anormal de glicose (açúcar) no sangue para a qual ainda não haja uma cura definitiva, mas que pode ser controlada pela aplicação de insulina, plano alimentar adequado, prática de atividade física e monitorização da glicose. Se não for tratada, se transforma na causa mais comum de amputações de membros inferiores não-traumáticas, cegueira irreversível e doença renal crônica. 

A grande vantagem do FreeStyle Libre, segundo Márcia, é a monitorização contínua, permitindo a exposição do perfil glicêmico no decorrer de 24 horas. “O sensor mostra mais do que a glicemia estática, obtida pelos testes, indicando os tempos em que a glicemia esteve na meta, abaixo ou acima”, explicou.  A representante da Coalizão Vozes do Advocacy em Diabetes, Vanessa Pirolo, ressaltou que o uso do sensor pode retardar ou evitar complicações da diabetes e que reduz cerca de 33% das hospitalizações por conta da doença.

Conitec

A representante da Secretaria Estadual de Saúde, Karine Amaral, apresentou as etapas do processo de incorporação de tecnologia ao SUS, via Conitec. Ela disse que o processo é demorado e que o primeiro passo é a elaboração de um dossiê, contendo os benefícios e o impacto financeiro do tratamento, entre outros aspectos.  Também se manifestaram a defensora pública Liziane Paz Deble; as promotoras Cristiane Della Mea e Carine Viana Borges; a presidente da Associação dos Diabéticos de Novo Hamburgo, Rosana Blankenheim; o representante da OAB Lucas Lazzretti; pais e pacientes com diabetes, que lotaram o Plenarinho da Assembleia Legislativa. Mais de cem pessoas acompanharam a reunião por meio virtual.

Urgência

O Instituto da Criança com Diabetes comunica que cerca de 135 pacientes da instituição vivem na região afetada pelas enchentes dos últimos dias no Vale do Taquari. Segundo a nota, como muitos estão incomunicáveis e sem acesso a recursos básicos, equipes estão identificando todos e fazendo uma busca ativa nos endereços cadastrados para levar insulinas, glicosímetros e outros insumos necessários até suas respectivas cidades. Quem foi afetado ou tem familiares nesta situação pode entrar em contato através do WhatsApp (51) 98168-1654.

Artigos relacionados

ATENÇÃO


1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo