Arquivo

É tudo ou nada. Lula se envolve pessoalmente na briga pela CPMF. Há o risco político. Mas…

Não bastam mais as lideranças governistas no Congresso. Deputados e senadores alinhados tentam, mas não é a mesma coisa. Parece insuficiente, também, a participação direta dos ministros. Um deles, Alfredo Nascimento, dos Transportes, agiu diretamente sobre os senadores do Rio Grande, como você viu na nota imediatamente anterior. Outros agem de outra forma, como o ministro Guido Mantega, o da Fazenda e da chave do cofre. Aparentemente, embora ajudem, nenhum desses auxiliares diretos está conseguindo resolver o imbróglio.

 

Assim, o que se está vendo, neste momento pré-votação da proposta de prorrogação da CPMF até 2011, é que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em pessoa, está entrando em campo. Vai defender, ele mesmo, a necessidade de aprovação do tributo que garante R$ 40 bilhões anuais às burras da União.

 

Sem entrar no mérito (embora pudesse faze-lo, pois sou favorável à CPMF, o único imposto não sonegável deste país, pago por toooodos), ficando apenas na questão política, percebo um certo risco político para o Presidente se envolver tão funda e diretamente no jogo. Ele é muito mais esperto que todos vocês, leitores, e eu, juntos. Então, deve saber o que está fazendo. Mas que há risco de desgaste político desnecessário, não tenho dúvida.

 

Em todo caso, há gente muito importante na análise das coisas políticas nacionais que percebe, na participação de Lula nesse jogo como algo positivo para o Presidente. Mesmo que ele perca a parada. Será? Vale a pena ler, nesse sentido, o que avalia o jornalista Ricardo Noblat, que além de sua página na internet, também escreve, uma vez por semana, no jornal O Globo. Confira:

 

“Palco montado para Lula brilhar

 

O palco foi montado para que Lula brilhe – e venha a ser apontado no encerramento da peça como a maior estrela, aquela que foi decisiva para a aprovação no Senado da prorrogação da cobrança da CPMF até 2011. O que está em jogo é a arrecadação anual de R$ 40 bilhões.

 

A oposição calcula que tem votos para derrotar a CPMF – a oposição, não, parte dela. A fatia comandada por José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado. A outra parte, liderada por Arthur Virgílio (PSDM-AM), está temerosa.

 

O governo precisa de 49 votos de um total de 81 senadores para garantir a CPMF. Juntos, o PSDB e DEM têm 27 votos contrários à CPMDB e imaginam que contam com mais seis de senadores dos partidos aliados do governo. É aqui que a conta pega – ou pode pegar.

 

Há risco de a oposição ser traída por um ou dois de seus senadores – um deles Jonas Pinheiro (DEM-GO). E de murchar o contingente de seis senadores aliados do governo que ameaçam votar contra a CPMF.

 

A essa altura, para que o governo não fique sem a CPMF, vale, está valendo tudo. O preço do voto no Senado bate recorde. E os governadores, mobilizados para ajudar o governo, cobram os olhos da cara para dar uma mão.

 

É possível que ao cabo de tanto esforço o governo acabe derrotado? É. Mas só vendo, só vendo. O mais provável, a se levar em conta a folha corrida dos senadores, é que a CPMF vingue. E que Lula vá para o abraço.

 

A conferir. A conferir.”

 

SUGESTÕES DE LEITURA – confira aqui, se desejar, outras notas publicadas pelo jornalista Ricardo Noblat.

Leia também a reportagem “Tudo ou nada pela CPMF”, de Eduardo Militão, no Congresso em Foco.

Artigos relacionados

ATENÇÃO


1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo