Lula e Serra. Encontro entre adversários, que podem transformar-se em bons amigos
Um encontro histórico. Não daqueles lembrados por um século inteiro. Não. Mas histórico porque une dois homens que, afinal de contas, só têm a ganhar se, não obstante as óbvias diferenças – tanto que um é governo, outro oposição -, podem ter posições comuns. E ignorar os muxoxos, e até o eventual gritedo, de aliados de um e outro.
Pois é. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, encontrou-se, nesta sexta-feira, com o governador de São Paulo, José Serra. Ambos se enfrentaram, com a vitória do primeiro, na disputa presidencial de 2002. Sobre o que conversaram? Muito provavelmente sobre todos os assuntos não tratados pela imprensa. Ou, pelo menos, apenas o que ambos quiseram que saísse da conversa mantida no Palácio do Planalto.
Qual o resultado desse tete-a-tete? E o que ele pode significar para o futuro próximo (a votação do Plano de Aceleração do Crescimento, por exemplo) ou distante (a próxima eleição presidencial, da qual se ausentará, por findar o segundo mandato, o atual ocupante do cargo)? Esses são exatamente os temas abordados pelo jornalista Kennedy Alencar, na coluna Pensata, que escreve às sextas-feiras no portal Folha Online, o braço de internet da Folha de São Paulo. Vale a pena ler:
Lula e Serra
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acha que o candidato a presidente do PSDB em 2010 será José Serra e não Aécio Neves. Avalia que o governador paulista estará mais bem posicionado nas pesquisas do que o governador mineiro. O PSDB, então, não escolheria outra vez alguém em desvantagem nas pesquisas. Em 2006, optou por Geraldo Alckmin, à época governador de São Paulo, em detrimento de Serra, que tinha maior intenção de voto.
Serra, porém, teria de cumprir dois requisitos: realizar um bom governo em São Paulo e não transformar Lula num inimigo mortal, daqueles que pudessem “cristianizar” candidatos do seu campo político e não achar ruim a eleição de um oposicionista como Aécio. Em 2002, FHC não achava tão ruim uma vitória de Lula sobre Serra, o que aconteceu naquele pleito.
Mais: Serra e FHC acreditam que Lula poderá terminar bem o mandato. O petista seria um eleitor forte para 2010. Uma boa relação política entre o governador de São Paulo e o presidente da República seria interessante para ambos. O primeiro lucraria com contrapartidas administrativas e menos bombardeio do PT paulista. O segundo, com menor beligerância de um dos mais importantes políticos da oposição e apoio a projetos de seu interesse no Congresso.
Além de uma franca discussão sobre economia, a relação política entre Lula e Serra compõe o pano de fundo do encontro desta sexta-feira entre os dois no Palácio da Alvorada. Oficialmente, será dito que foi Serra quem pediu a conversa. É o contrário. Lula tenta conversar com o governador paulista desde o final do ano passado, para manter laços com o setor oposicionista que saiu vitorioso em 2006. Acertaram de ter o encontro agora.
O presidente tem interesse em ouvir as críticas e sugestões de Serra sobre economia, especialmente sobre câmbio e juros. Haverá na próxima terça-feira (06/03) a reunião de Lula com governadores. A pauta é extensa: PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), segurança pública, reformas tributária e política, projetos de geração de emprego para a juventude e a lista de reivindicações que os governadores apresentaram ao Palácio do Planalto.
Um encontro entre Lula e Serra é bom para o país. Uma boa relação entre PT e PSDB, apesar de suas diferenças, também
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