POLÊMICA. Deputados incentivam milícias no interior do RS e ofendem quilombolas, índios, gays e lésbicas

POR MAIQUEL ROSAURO

O deputado federal Luis Carlos Heinze (PP), principal defensor dos ruralistas gaúchos na Câmara dos Deputados, sofreu duras críticas ontem (12) devido a divulgação de um vídeo no qual incita a violência contra lideranças indígenas e insulta quilombolas, índios, gays e lésbicas. O deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS) também surge na gravação realizada em novembro de 2013, em Vicente Dutra (RS), durante encontro promovido pela Câmara dos Deputados para discutir a demarcação de terras indígenas.

“No mesmo governo, seu Gilberto Carvalho, também ministro da presidenta Dilma, estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, e eles têm a direção e o comando do governo”, afirmou Heinze no vídeo.

“Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra, mas lhes digo: se fartem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum! Nenhum! Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário”, disse o deputado Alceu Moreira. “A própria baderna, a desordem, a guerra é melhor do que a injustiça”, defendeu.

Veja o polêmico vídeo:

Após a grande repercussão nas redes sociais, Heinze concedeu entrevista a Zero Hora e afirmou que mantem tudo o que disse.

“Esses movimentos todos estão ali dentro (do governo). Eu não sou contra. Se quer ser bicha, se quer ser lésbica, eu não tenho problema nenhum”, afirmou o deputado. CLIQUE AQUI para ler a entrevista.

Leia a repercussão entre as lideranças gaúchas:

“Não deixa de ser propaganda fascista. A nossa constituição deixa muito claro que não se tolera no Brasil nenhum tipo de preconceito por condição étnica e orientação sexual. É fascismo e cabe perfeitamente enquadrar nas leis nacionais e nos tratados internacionais”
Jefferson Fernandes (PT), presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

“Os discursos revelam uma incapacidade tremenda de convivência com a democracia e com as minorias. É um atestado de preconceito puro. O mais grave é a incitação evidente à violência no campo”
Valdeci Oliveira (PT), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa

“O Partido Progressista do Rio Grande do Sul vem a público manifestar a sua posição sobre o vídeo em que consta a manifestação do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), em audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara Federal, realizada em Vicente Dutra, em 29/11/2013, registrando de forma categórica que se trata de uma opinião do deputado no exercício do seu mandato.
O partido não compartilha de forma nenhuma com qualquer manifestação preconceituosa ou que incite a violência contra qualquer grupo.
Defendemos a pluralidade e a convivência pacífica entre as pessoas, sempre respeitando suas opiniões e diferenças.
O PP não tem qualquer compromisso com o erro ou manifestação infeliz que por certo ocorre também com integrantes de outros partidos.
As opiniões divergentes ocorrem, muitas vezes, entre membros da própria família, como acontecem, também, entre os membros dos partidos políticos.
Por essa razão, o PP-RS manifesta, nesta nota, a sua posição e reafirma o seu compromisso na defesa de uma sociedade justa e plural, que começa pela liberdade de expressão, mesmo quando surgem opiniões com as quais discorda.”
Celso Bernardi, Presidente do PP/RS

 

EM TEMPO: Leia agora um texto publicado no Facebook do deputado Luis Carlos Heinze no fim da noite de ontem (12), no qual ele explica suas declarações:

“Uma notícia formatada por profissionais da comunicação contratadas a peso de ouro pela ONG Greenpeace – que recebe dinheiro público – ganhou grande repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira. Com base em um vídeo editado e com apenas 19 segundos de duração da minha fala, a ONG ambientalista destilou seu veneno e impôs com raiva o viral: “Ruralistas atacam direitos humanos”.

O vídeo foi gravado em novembro passado durante uma reunião da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados em Vicente Dutra/RS. Naquele dia debatíamos e cobrávamos uma solução do governo para barrar as desenfreadas demarcações de terras indígenas. É preciso uma solução para isso! E sobre esse assunto eu já me manifestei várias vezes aqui nas redes sociais.

Eles utilizaram a minha fala, feita no calor do debate, em que expus e reafirmo aqui, que é na Secretaria Geral da Presidência da República, comandada por Gilberto Carvalho, que estão os atos mais podres e fétidos desse governo petista, para insinuarem que sou homofóbico e racista.

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“Eles utilizaram a minha fala, feita no calor do debate”, afirma o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP)

Em momento algum, como sugere a matéria, me posicionei contrário ao ser humano, as suas crenças, cor ou opção sexual. Não me referi a negros, aos quais tenho total respeito, mas alguns movimentos quilombolas que não tem o apoio dos próprios negros.

Minha reação, e o contexto do vídeo deixa claro, que me referi aos movimentos que colocam em risco a segurança pública e a própria estabilidade do País. Jamais passou por minha cabeça ofender qualquer pessoa.

Quem não se espantou com a trágica morte do cinegrafista da Rede Bandeirantes? O próprio autor do disparo do artefato explosivo, afirma que há interesses políticos por trás dessas manifestações. Disse que são aliciados e manipulados e que recebem dinheiro para fazer barbáries nas ruas. Onde estão os direitos humanos citados na matéria contra a minha vida pública?

Ontem foi o jornalista que morreu. Antes, produtores rurais que se suicidaram e foram assassinados, indígenas que perderam a vida, hoje, o MST tenta invadir o STF e entra em confronto com policiais militares em Brasília. Quem será o próximo a morrer? É essa minha indignação: o próprio governo patrocinando quem quer desestabilizar o Brasil.

Reforço que nunca, pela minha formação e pela família, irei desrespeitar qualquer ser humano.”
Luis Carlos Heinze (PP), deputado federal



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