Caso da Escola Base. 14 anos depois, Justiça continua sangrando os cofres da mídia grandona
Indo na conversa de um delegado, vários veículos da mídia grandona acabaram indiciando, julgando e condenando – tudo ao mesmo tempo – os proprietários da Escola Base, um estabelecimento de educação infantil, em São Paulo. Constatou-se, e nem demorou tanto, a inocência de todos. O resultado: famílias destruídas, para dizer o mínimo. E isso ninguém pode repor.
Enquanto isso, acionada a Justiça, os cofres de jornais, revistas e emissoras de TV começaram a sangrar. É verdade que muitos casos ainda dependem de recurso, mas já se sabe que o troco será elevado. Já foram condenados, por exemplo, os jornais Folha de S.Paulo (R$ 750 mil) e O Estado de S.Paulo (R$ 750 mil), TV Globo (R$ 1,35 milhão) e Editora Três, responsável pela publicação da revista IstoÉ, (R$ 360 mil).
E não é que, mesmo passados já 14 anos, ainda tem grandão sendo condenado? Acompanhe a reportagem publicada na revista Consultor Jurídico, em texto assinado pelo jornalista Fernando Porfírio. A seguir:
Jornal é condenado a indenizar no caso Escola Base
O jornal usou uma manchete escandalosa e sensacionalista que extrapolou a liberdade de informar e não resguardou sequer a honra moral de uma criança de quatro anos. Esse foi o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo para condenar, 14 anos depois, o Grupo Folha da Manhã no caso da Escola Base.
A empresa terá de pagar indenização de R$ 200 mil para R.F.N, o garoto, que hoje tem 18 anos. Ele foi apontado pelo jornal como vítima de abuso sexual dos próprios pais. Ele é filho de um dos casais acusados sem provas no caso da Escola Base. A decisão é de uma das câmaras de Direito Privado do TJ paulista. Cabe recurso.
A conduta do jornal, juntamente com outros órgãos de imprensa, contribuiu para criar uma situação anormal, não experimentada não só para os adultos envolvidos, afirmou em seu voto o desembargador Oldemar Azevedo.
O jornal Folha da Tarde embarcou no tema que dominava as edições de jornais e emissoras de TV no final de março de 1994. Com informações repassadas pelo delegado que conduzia o inquérito policial, a partir dos depoimentos de duas mães de alunos, o jornal saiu com a chamada de primeira página: Perua escolar carregava as crianças para a orgia.
O caso que viria a se transformar em símbolo de julgamento público pela mídia se baseou em laudos preliminares e na acusação de mães que apontavam seis pessoas como envolvidas no abuso sexual de crianças numa escola de educação infantil, localizada no bairro da Aclimação. A linha de investigação da Polícia se mostrou sem fundamento e o inquérito foi arquivado.
No entanto, o estrago estava feito: os acusados já tinham sido julgados sumariamente pelos jornais e programas de rádio e de TV e condenados pela opinião pública. A escola foi pichada, depredada e saqueada. Os acusados foram presos…
COMENTÁRIO CLAUDEMIRIANO: o pior de tudo isso é que, década e meia depois, a mídia grandona (e também a que se acha) continua cometendo os mesmos erros. A sociedade? Ela que se dane. A verdade? É só uma palavra utilizada demagogicamente. Nada além.
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra da reportagem Jornal é condenado a indenizar no caso Escola Base, de Fernando Porfírio, na revista Consultor Jurídico.





ATENÇÃO
1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.
2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.
3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.
4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.
5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.
OBSERVAÇÃO FINAL:
A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.