Por que Franklin Martins saiu da Rede Globo, segundo depoimento do próprio
O jornal Já, de Porto Alegre, pode não ter o alcance dos grandões, mas é das melhores coisas que o jornalistmo gaúcho tem. A ponto de, ano passado, uma reportagem nele publicada ter recebido a maior distinção do jornalismo brasileiro, o Prêmio Esso.
Pois, na edição que está nas ruas (bancas e assinantes) da capital, há uma interessantíssima entrevista com o ex-comentarista da Rede Globo, Franklin Martins, que não teve seu contrato renovado, após quase dez anos de casa. E que estréia nesta segunda-feira na rede Bandeirantes (em Santa Maria, só para quem tem TV por assinatura).
Na entrevista, feita durante a participação de Martins no Congresso Estadual de Jornalistas, ele fala sobre um monte de coisas, inclusive as razões (?) para sua saída da maior emissora do País e o entrevero com o colunista da revista Veja, Diogo Mainardi. Confira um trecho:
Faltou inteligência na cobertura da CPI
Por que você saiu da Globo?
Gostaria de saber… Trabalhei 8 anos e meio na Globo. Tive grandes desafios profissionais lá: fui o primeiro comentarista político do Jornal Nacional, talvez o último, tive liberdade, fiz um programa no GloboNews que se tornou o de maior audiência fora os telejornais, dirigi o jornalismo da Globo em Brasília, e participei da equipe que comandou a cobertura das eleições de 2002. Mas a relação começou a ficar desgastante com a crise política. No final de 2005, houve a decisão de cortar do Jornal Nacional o meu comentário, o do Jabor e o Chico Caruso. Depois, ocorreram pequenos episódios que nem vale a pena mencionar.
Meu contrato vencia em maio de 2006. Em março eu ainda não havia sido procurado. Falei com a direção, disse que não sabia se valia renovar o contrato, já que a relação não era a mesma. E eles, não, que é isso, Franklin, está tudo ótimo, vamos continuar. E sugeriram que eu tirasse férias e na volta discutiríamos valores. Bom, no retorno me ligaram. Franklin, dá um pulinho aqui no Rio. Cheguei lá, me falaram de uma pesquisa qualitativa com o nome de todos apresentadores e comentaristas e disseram: Olha, você não tem uma imagem muito forte com o público, por isso decidimos não renovar o seu contrato. E eu, ah, conta outra. Primeiro eu saí do Jornal Nacional porque minha imagem era muito forte, temiam que a minha opinião fosse confundida com a da Rede Globo. Antes das férias diziam que minha posição era consolidada. O que mudou? O único fato novo foi meu quebra-pau com o Diogo Mainardi. E eles: Pode ficar tranqüilo que nós não vamos divulgar essa pesquisa para o público, nós não vamos falar nada. E eu: Não, digam, pelo amor de Deus… Mas eu não quero dar pau na Rede Globo, prefiro ficar com as coisas boas, que foram 98% das que aconteceram quando eu estive lá. Agora é olhar para frente e fazer meu trabalho na Band. Acho que lá posso fazer um bom trabalho, é uma emissora com tradição em jornalismo. Assim como a Rede Globo.
O jornalista não deveria ter o direito de se despedir dos leitores na sua última coluna?
Acho que sim, tem que dizer, senão, depois, o ouvinte fica perguntando o que ouve com esse cara?, ele morreu? No meu último comentário para a rádio CBN, eu falei normalmente, como se nada tivesse acontecido, mas louco de vontade de dizer que estava me despedindo, saindo para um novo desafio profissional. Mas a cultura não é essa, a prática é de não comunicar a saída.
Quantas vezes você foi censurado na Rede Globo?
Podem não acreditar, mas eu nunca fui censurado na Globo. Claro, eu sei onde piso. Pelo menos, achava que sabia… É diferente falar no Jornal Nacional, no Jornal da Globo e no GloboNews. Eu quero falar para todo mundo, quero que o telespectador me escute. Não posso desrespeitá-lo, deixar que ele se sinta agredido. Tenho que ter uma interlocução. Na TV, o ideal é pouca opinião e muita informação, análise. Pode ter uma opinião para dar um toque. Mas opinião o tempo todo é um porre.
E a sua briga com o Diogo Mainardi?
É desagradável ter que responder a calúnia [de que o irmão de Franklin Martins teria sido beneficiado por ele, ao ser indicado para um cargo público]. O Diogo Mainardi é um desclassificado… [palmas do público que assistia à palestra]. Agora, o problema não é o Mainardi, é a Veja. Por que a Veja está fazendo isso com a Veja? Eu não entendo. Nunca fiz tráfico de influência. Arranja um senador que diga que eu pedi para contratar meu irmão. Ele tem a vida profissional dele, é um técnico com experiência… Agora, por que o Diogo fala essas coisas? Ele difamou uns 20 ou 30 jornalistas. É vontade de aparecer. Apareço dando pau nos outros. Quem não entrou no esfola-e-mata nessa cobertura política ficou no contraponto. Não tenho o menor interesse em polemizar com o Diogo Mainardi, tenho mais o que fazer. Estou processando ele. Pedi direito de resposta, já que a Veja não publicou minha carta. Tem ainda uma queixa-crime por calúnia, infâmia e difamação, e uma ação por danos morais…
SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço http://www.jornalja.com.br/politica





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