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ECONOMIA. A crise? Existe, mas em Santa Maria ela não é tão grave assim, garante importante empresário

Painel gigante em frente à revenda garante que, ali, a crise não existe (foto Divulgação)
Painel gigante em frente à revenda garante que, ali, a crise não existe (foto Marcos Fonseca)

Por MARCOS FONSECA

Dizer que enquanto uns choram, outros vendem lenços, é cair na vala comum da economia. A expressão é batida, mas poucas frases se adaptam tão bem para ilustrar a iniciativa de um empresário de Santa Maria para superar a atual crise econômica que atordoa a vida de muitos brasileiros. Desde a última quarta-feira, 20, a fachada em frente à revenda de automóveis de Carlos Costabeber, no Bairro Nossa Senhora de Lourdes, ostenta uma imensa faixa amarela em que está escrito, em letras azuis: “Aqui não tem crise”.

Seria apenas uma bela ação de marketing, ou realmente não existe crise na concessionária de Costabeber? A resposta mais provável é: as duas coisas.

O empresário não nega a crise na economia. O próprio governo preparou um bilionário ajuste fiscal para equilibrar suas contas. A inflação está em alta, ficou mais difícil comprar a casa nova e as tarifas de serviços públicos, como a de luz, subiram até 50%. Porém Costabeber, que é professor universitário aposentado, crê que existe um negativismo muito forte, principalmente nos meios de comunicação, que só piora o quadro nacional.

O empresário apresenta números para provar a verdade por trás do painel instalado na revenda de veículos da Ford, da qual é proprietário. Segundo ele, as vendas nos primeiros quatro meses deste ano aumentaram 7,7% (foram comercializados 752 veículos a mais do que no mesmo período de 2014). As oficinas estão lotadas, e três novos mecânicos foram contratados para dar conta do serviço. “Não demitimos nem cortamos cafezinho”, assegura.

Costabeber afirma que o momento não é tão bom para o setor automotivo em comparação a anos anteriores, mas este não é o momento de os empresários ficarem de braços cruzados.  A faixa que mandou fazer busca ajudar os santa-marienses a superar a baixa autoestima. A frase serve de incentivo, também, para seus próprios funcionários. Mostra que não há risco de demissões. “Eles se sentem mais seguros”, aponta.

Safra e serviço público tornam município mais resistente à crise

O que estaria servindo de antídoto contra a crise em Santa Maria são as características do município. A safra de grãos, especialmente arroz e soja, deve ser recorde em 2015. Outro motivo é que o funcionalismo público injeta cerca de R$ 5 milhões por dia na economia local em salários, conforme as contas de Carlos Costabeber feitas a partir das folhas de pagamento do Exército, da Aeronáutica e da UFSM.

O empresário destaca que o momento é ruim para as regiões metropolitanas e cidades que dependem do setor industrial. A indústria, sim, foi bastante afetada e já demitiu 30 mil trabalhadores no país este ano. Mas Santa Maria não sente o impacto de maneira tão acentuada.

O professor de Economia Mateus Frozza, do Centro Universitário Franciscano, confirma a tese de que o município não é tão afetado pela crise na indústria, já que não é uma cidade industrializada. O docente considera a iniciativa do empresário uma maneira ousada de reagir à crise. “Ele está encorajando outros setores a fazer o mesmo”, afirma.

Frozza afirma que o setor do comércio precisa pensar numa saída para evitar a queda nas vendas. Diante de um resultado não muito bom no Dia das Mães deste ano, a saída pode ser aumentar os benefícios ao consumidor. Pode ser com prazo maior para pagamento ou parcelamento sem juros. “É o momento para o empresariado local se modernizar”, diz Frozza.

O presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (Cacism), Luiz Fernando Pacheco, prefere olhar o momento com cautela. Ele gostou da iniciativa do empresário de dizer que não há crise na sua empresa, mas pondera que é preciso “separar o que é marketing e o que é realidade”.  Segundo Pacheco, a classe média, principalmente do setor privado, é quem está sofrendo mais com a crise na economia.

Como o anúncio de aumento de impostos do governo, a sociedade fica receosa de gastar. “O pior de tudo é a questão psicológica”, afirma o presidente da Cacism.

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6 Comentários

  1. Carlinhos para Prefeito é muito pouco !!!! Com este otimismo não deixo por menos: CARLINHOS PARA PRESIDENTE !!!!!

  2. Dr. Carlinhos, parabéns pelo seu sucesso, parabéns pela sua ousadia de ostentar uma faixa desta no meio de tantas empresas e pessoas em crise, mas parabéns de qualquer forma pois admiro sua coragem em um momento politico, administrativo e financeiro critico que vivemos, em um momento em que a população bate panela em discursos da presidente ……
    Mas, parabéns ……

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