POLÍTICA. Discurso de João Kaus expõe PMDB sem rumo e que depende, mais que nunca, de José Farret
Ainda está viva na memória de quem vive a política, e esteve na Câmara de Vereadores no último dia do ano, o discurso feito pelo líder da bancada do PMDB, João Kaus. Que, por sinal, em meio à fala, anunciou sua decisão de não mais liderar a agremiação no parlamento. Quem vai substituí-lo? Importa pouco, se o PMDB não costurar as fendas criadas ao longo dos últimos anos.
Mas, o que disse Kaus? Na superfície, o mais fácil: que, mesmo tendo colocado na Câmara a maior bancada (eleita em conjunto com o PR), simplesmente não conseguiu bancar um único presidente, nos quatro anos da Legislatura. No primeiro porque, em honra à uma tradição (nada escrito, diga-se), abriu mão para o parceiro político Marcelo Bisogno, do PDT, o mais votado dos 21.
E depois? Bem, segundo a interpretação do (ex)líder do PMDB, inicialmente perdeu o apoio de aliados descontentes com a Prefeitura e depois por um projeto de poder de companheiros do PP. Tudo respeitável, deixou claro Kaus, ao mesmo tempo em que ficava cristalina a decepção com o próprio partido.
Na prática, e aí já mais no campo da interpretação, as palavras do vereador peemedebista (que disse irá cuidar apenas de sua base eleitoral, a partir de agora) expõem o óbvio: o PMDB é o partido do prefeito mas não tem qualquer perspectiva de poder no futuro, exceto por um milagre. Qual? A viabilização da candidatura de José Farret, do PP, em aliança na qual os peemedebistas seriam coadjuvantes de luxo, oferecendo o nome do vice.
O que Kaus não disse, pois aí seria avançar muito no dissenso, é a avaliação deste escriba, é que a agremiação está fraturada. Sem Farret, há os que querem “cair no colo” de Bisogno, do PDT, os que (inclusive por interlocuções na capital) admitem apoiar Fabiano Pereira, do PSB, e até os adeptos de Werner Rempel (PPL) ou Jorge Pozzobom, do PSDB. Poucos, nesse caso, pois sabem da reação que haveria do prefeito Cezar Schirmer.
E, por fim, existem os que admitem (e até exigem) candidatura própria. Mas aí há outro problema: quem? O risco de uma aventura é enorme, alertam os advogados da tese, que talvez tenham que defender alguém que se imagina com força, mas que não tem prestígio sequer dentro do próprio governo. Ou então entrar com Tubias Calil, que não parece (conversa dele com o editor levou a essa impressão) muito disposto a encarar, inclusive por razões pessoais.
Resumo da ópera: o que disse Kaus, na Câmara, tem muito da desilusão dele, como integrante de uma bancada forte que virou fraca. Mas conta, igualmente, com a certeza de que faz parte de um partido que faz justiça à etimologia do nome. No mínimo.
Que Caos! Schirmer no discurso de final de ano pede unidade e o líder do governo apronta esta?
Tá feio e não tá "pareio". E depois a culpa é da oposição.