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“Uma batalha após a outra”: um caos em alta velocidade – por Roselâine Casanova Corrêa

Pense Leonardo de Caprio, Benício Del Toro e Sean Pean juntos – não necessariamente amiguinhos – em um único filme. Foi isso que o tarimbado diretor norte-americano Paul Thomas Anderson teve a honra de fazer – para o deleite do espectador – em “Uma Batalha Após a Outra” (One Battle After Another), lançado nos cinemas no Brasil em setembro/2025 e em dezembro no HBO Max. Dizem as boas línguas que Spielberg o assistiu três vezes e o comparou aos clássicos de Kubrick. Põe moral. E ainda foi o maior vencedor do Globo de Ouro (11/01): melhor filme de comédia ou musical, direção e roteiro (Paul Thomas Anderson) e melhor atriz coadjuvante (Teyana Taylor).

O filme é inspirado no livro “Vineland”, de Thomas Pynchon (1990), possui um ritmo alucinado, um argumento inicialmente confuso e um desenrolar que prende, apesar de suas 2h40minutos. E está cotadíssimo para o Oscar/2026, em várias categorias. As filmagens ocorreram em locais da Califórnia e do Texas. Leonardo de Caprio (Bob Ferguson) e Benicio Del Toro (Sensei Sergio) são ex-revolucionários, que lutaram contra uma fictícia organização supremacista que controlava os EUA. Na real, tematiza a resistência em meio ao caos, especialmente na relação entre pai e filha. Com muita correria, bom humor e … maconha.

O antagonista, Sean Penn (Coronel Steven J. Lockjaw), é um espetáculo à parte nessa trama. Obcecado, cruel e violento, Lockjaw é um ser abjeto, mas magnético, que alia insegurança e perversão psicológica, bem como é imprevisível e repulsivo. Justamente seu personagem obriga Caprio/Bergson voltar aos métodos de ex-guerrilheiro, para salvar sua filha Willa/Chase Infiniti do cativeiro de Penn/Lockjaw. Del Toro/Sergio é quem lhe dá proteção e logística. Teyana Taylor (Perfídia) – a mãe da menina – é uma personagem ambígua, que foi abusada pelo Coronel há 16 anos. Daí a dúvida: a menina é filha de Bergson ou do Coronel?

Isso pouco importa a um pai devotado, que cruza estradas poeirentas para encontrá-la. Assim como os personagens, o espectador se sente em uma excursão entre a costa oeste e o sul dos EUA, totalmente absorto pelos caminhos que acompanham o desenrolar do enredo principal. Impagáveis os diálogos que o protagonista trava com quem encontra por cenários ao pôr do sol, envolto em um roupão xadrez muito estranho, porém compatível com a confusão mental que o acompanha, sob o temor de não encontrar a filha.

Del Toro/Sergio entrega um amigo tão leal, que transformou a cena impagável em que é parado pela polícia, em teaser do longa. Em diversos momentos, sua presença é tão marcante que ele parece assumir o protagonismo do filme.

Na real, essa tríade tresloucada, anárquica e caótica, transforma um enredo irregular na mais pura arte da interpretação apaixonada, divertida e arrebatadora. Sabemos que o desfecho será clássico. Mas é cativante embarcar nessa busca, acompanhada de atores que o tempo só aprimora. Uma viagem formidável!

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”.

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8 Comentários

  1. Nesta hora algum imbecil vai dizer ‘ele ganhou o Oscar!’. Pois então Rami Malek também já ganhou. Num de seus filmes mais recentes, ‘Nuremberg’, matou a pelicula. Fez o papel de sempre, o de ‘zoiudo’. Acha que esbugalhar os olhos é atuar.

    1. Caro Brando,
      aqui está parecendo que você assistiu a um corte de “Nuremberg”, pois a interpretação de Rami Malek na trama está irretocável.
      Independente de seu Oscar de Melhor Ator por sua interpretação de Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody” (2019).
      Alguns filmes como “Oppenheimer”, “Amsterdam”, “007 – Sem Tempo para Morrer”, e “Os Pequenos Vestígios”, para mencionar alguns longas em que demonstra toda a sua versatilidade.
      Malek não é ator de um filme só.
      Como vês, não é ‘só’ o Oscar, é uma carreira inteira.
      Sugestão:
      Assista, com Malek:
      “Operação Vingança” (The Amateur) (2025).
      Vai que você fique mais “brando”.

  2. Ator principal Leonardo DiCaprio. Que tem a expressividade de um tijolo de seis furos. Sempre teve. O confete e as premiações são por conta da causa ambientalista e por ser da ‘patotinha’ hollywoodiana. Quem assistiu ‘O homem da mascara de ferro’ chega a mesma conclusão. No filme contracenou com Jeremy Irons, John Malkovich, Gerard Depardieu e Gabriel Byrne.

    1. Boa tarde, Brando.
      “O homem da máscara de ferro” foi lançado em 17 de abril de 1998.
      Ou seja, há 27 anos.
      Dentro de sua categoria, é um filme ótimo, com excelentes atores, citados por você.
      Incluindo Di Caprio.
      Que, aliás, está estupendo em “Uma batalha após a outra”.
      E há a questão que o ser humano se aprimora em suas profissões, ao longo dos anos.
      Ou isso não lhe é familiar??
      Grata por leres minhas resenhas com tamanha dedicação.

  3. Mais uma pelicula que a critica e jornalistas em geral vendem como ‘incrivel, fantastico, extraordinario’ por conta da ‘mensagem ideologica’, vulgo propaganda. Quando isto acontece é sinal para ignorar porque é um abacaxi.

    1. Olá, Brando.
      Tudo bem??
      Complicado avaliar um filme que não se assistiu: “sinal para ignorar porque é um abacaxi”.
      Onde está o caráter ideológico, no longa??
      Opa!, você não assistiu, esqueci.
      As relações parentais e de amizade, sim, são o mote da trama.
      E a capacidade da maldade humana, retratada no personagem de Sean Penn.
      Só para lhe informar, está bem??
      Abraços.

  4. Filme teve um orçamento de 140 milhões de dolares. Para se pagar deveria ter um bilheteria de 350 milhões de dolares. Chegou a 206 milhões. É só mais um filme psoliano versão ianque.

    1. “Uma Batalha Após a Outra” foi vencedor do Globo de Ouro: melhor filme de comédia ou musical, direção e roteiro (Paul Thomas Anderson) e melhor atriz coadjuvante (Teyana Taylor). Nessa última categoria eu realmente preferiria Elle Fanning, de “Valor Sentimental”.

      Indicações do filme para o Oscar/2026:
      Melhor filme; Melhor som; Melhor elenco; Melhor ator; Melhor direção; Melhor ator e atriz coadjuvante; Melhor roteiro adaptado; Melhor direção de elenco; Melhor fotografia; Melhor montagem; Melhor design de produção; Melhor trilha sonora.

      Cerca de 9.900 a 10.000 membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) votam no Oscar.
      https://www.oscars.org/oscars/voting

      Realmente, Brando, “é só mais um filme […]” e nada mais, não é mesmo??

      “Psoliano” é um termo informal utilizado para designar quem é membro, filiado, militante ou apoiador de um partido político brasileiro.
      Realmente, tudo a ver com o Oscar, né??

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