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O Pix não está na mira. Os criminosos é que estão – por Giuseppe Riesgo

Sobre um debate da hora, fala o articulista: “cidadão comum nada tem a temer”

Nas últimas semanas, muita gente ouviu falar que os Estados Unidos poderiam impor sanções relacionadas ao Pix. Em meio a narrativas políticas e desinformação, é importante separar os fatos da propaganda.

O próprio governo americano esclareceu que eventuais sanções não têm como alvo o Pix nem os milhões de brasileiros honestos que utilizam o sistema diariamente para trabalhar, pagar contas e movimentar a economia. O foco está em pessoas, empresas e organizações que prestem apoio material a grupos criminosos classificados como organizações terroristas, como o PCC e o Comando Vermelho.

E aqui precisamos falar com clareza: tráfico de drogas não é uma atividade romântica nem um delito sem vítimas. O narcotráfico é sustentado por violência, assassinatos, intimidação de comunidades inteiras, corrupção e disputas territoriais conduzidas por facções criminosas que aterrorizam a população brasileira todos os dias.

Quando uma organização criminosa domina bairros, recruta jovens, financia armamentos e espalha o medo, estamos falando de algo muito próximo do que o mundo reconhece como terrorismo. Não há qualquer razão para tratar essas facções com complacência.

Por isso, se autoridades internacionais desejam cooperar com o Brasil no rastreamento financeiro dessas organizações, identificando empresas de fachada, operadores financeiros e mecanismos de lavagem de dinheiro, essa ajuda deve ser vista com bons olhos. O combate ao crime organizado exige cooperação entre países, compartilhamento de inteligência e atuação conjunta das forças de segurança.

O cidadão comum não tem nada a temer. Quem usa o Pix para trabalhar, empreender, receber salário ou fazer suas compras continuará utilizando uma das melhores inovações financeiras já criadas no Brasil. Especialistas do mercado financeiro também têm destacado que não existe risco concreto de sanções contra o sistema em si, mas sim maior rigor contra instituições ou indivíduos eventualmente envolvidos com atividades ilícitas.

O verdadeiro debate deveria ser outro: como tornar mais eficiente a caça aos traficantes, lavadores de dinheiro e líderes de facções que enriquecem às custas da destruição de famílias brasileiras. Se a cooperação internacional ajudar nossas autoridades a identificar, prender e enfraquecer esses criminosos, melhor para o Brasil. O Estado deve estar ao lado do cidadão honesto, e não preocupado em proteger quem lucra com a violência.

O Pix não é o problema. O problema são os vagabundos que usam qualquer ferramenta disponível para financiar o crime. E contra eles toda ação legítima de combate deve ser bem-vinda.

(*) Giuseppe Riesgo é ex-secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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