O lixo e o amor – por Bianca Zasso
Lugar de lixo é no lixo. A frase é clichê, mas é assim que se começa a aprender a respeitar o chão nosso de cada dia. Mesmo que a consciência da população tenha mudado com relação ao destino dos resíduos produzidos pelas grandes cidades, ainda há quem não consiga transformar em rotina o simples ato de procurar uma lixeira. Inspirados pelo consumo sem limites, os roteiristas da produtora Pixar criaram uma história sobre o futuro do lixo que tem um dos personagens mais simpáticos já mostrados na tela grande.
A trama de Wall-E, se passa num futuro onde o lixo tomou conta da Terra e todos os habitantes foram viver em comunidades no espaço. Quem fica encarregado de limpar a sujeira deixada pelos humanos é o robô Wall-E. A solidão do nosso amigo compactador de lixo é amenizada por seu animal de estimação, uma barata, e a coleção de objetos que ele recolhe durante seu trabalho.
Wall-E é um típico robô anos 90, um tanto enferrujado e dotado de olhos delicados e carinhosos que lembram os do protagonista de E.T. – O extraterrestre, de Steven Spielberg. Sua vidinha tranquila ganha outro ritmo com a chegada de Eva, uma robô moderna que vem para substituir Wall-E. Sem entender muito bem qual é a missão de sua nova amiga, ele acaba descobrindo um novo sentimento. Acreditem, as máquinas também amam.
Wall-E, além de ser uma animação inteligente e muito bem produzida, é uma coleção de referências cinematográficas que vai de 2001 – Uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick até os musicais clássicos. O formato retrô de Wall-E contrasta com as formas tecnológicas de Eva, que lembram o computador Mac, o que torna o casal ainda mais encantador.
As cenas de romance entre os dois são de uma doçura única, de deixar com inveja as melhores comédias românticas. Todo esse amor é a moldura para tratar sobre o respeito ao meio ambiente, tema que já esteve presente em outras animações, quase todas com um viés educativo demais, algumas vezes beirando o piegas. Wall-E conquista e conscientiza se valendo de uma boa trama e uma direção de arte primorosa que consegue a proeza de fazer uma máquina sujinha apaixonar a plateia.
Após as sessões, é comum o chão do cinema ficar cheio de restos de pipoca e latinhas de refrigerante. Um Wall-E seria bem-vindo, já que uma boa parte do público ainda não entendeu que para desfrutar, é preciso cuidar. Já que dentro de casa não há educação, que venha a Pixar e faça a sua parte.





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