ECONOMIA. Banrisul anuncia aos funcionários o fechamento de agências e cria um clima de tensão

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Greve Geral de 28 de abril já denunciava o desmonte do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Foto Maiquel Rosauro / Arquivo

Por Maiquel Rosauro

O clima é tenso nas agências do Banrisul por todo o Brasil. No final da última semana, o banco informou aos funcionários que atuam fora do Estado sobre um processo de reestruturação que fechará diversas agências. Porém, a instituição adota o silêncio tanto ao movimento sindical quanto à imprensa.

Conforme informações oficiais do banco passada aos funcionários, a agência de Recife (PE) será fechada em 15 de dezembro, a de Salvador (BA) em 15 de janeiro e a de Fortaleza (CE) em 15 de fevereiro. As agências de Belo Horizonte (MG) e Cascavel (PR) seguirão o mesmo destino, mas em data ainda não divulgada.

Em outubro, está prevista a unificação das três agências da cidade do Rio de Janeiro (RJ), restando apenas uma. O mesmo irá ocorrer com as três unidades de São Paulo (SP).

Também estão ameaçadas de fechamento, até o final do ano, agências catarinenses nas cidades de Rio do Sul, América, Estreito, Trindade, Itajaí, Jaraguá do Sul, São Bento e Brusque. Funcionários destas unidades têm entrado em contato diariamente com colegas do Rio Grande do Sul em busca de vagas em unidades do Estado.

A tendência é que, acima de Santa Catarina, restem apenas quatro agências: Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Também circula a informação de que até 100 agências em solo gaúcho sejam transformadas em postos de atendimento, sobretudo, em municípios pequenos.

Para reduzir o quadro, o banco estaria preparando um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A novidade deve ser divulgada até o final do ano.

Denúncia na Assembleia
A situação chegou até a Assembleia Legislativa na terça-feira (26). O deputado estadual e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, Zé Nunes (PT), denunciou o desmonte do banco.

“Essas medidas preparam o banco e criam um ambiente para privatização”, disse Zé Nunes na tribuna.

Tão logo tomou conhecimento das intenções da direção do Banrisul, o movimento sindical reuniu dirigentes de todo o Estado, em Porto Alegre, na quinta (28).

“A situação é preocupante, pois o fechamento das agências irá ocorrer de forma muito rápida, sendo que fora do Estado irão sobrar apenas nove unidades. O desmonte está acontecendo e queremos saber, junto ao banco, o que ocorrerá com os colegas. Temos que nos mobilizar”, relata a diretora do Sindicato dos Bancários de Santa Maria e Região, Margarete Thomasi.

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Sistema diretivo da Fetrafi/RS discutiu a situação do banco na quinta (28). Foto Divulgação

Ainda na tarde de quinta, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi/RS) protocolou na Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) um pedido de informações.

“O acionista majoritário, no caso a sociedade gaúcha, precisa tomar conhecimento do que de fato pretendem a Diretoria e o Governo do Estado com essa verdadeira reestruturação da empresa que mudará completamente o perfil e o papel do banco público”, diz o documento.

Outro lado
O site entrou em contato com a assessoria de imprensa do Banrisul na manhã de quinta para apurar as informações que estão sendo divulgadas pelos funcionários. Porém, até o momento, a instituição não retornou com as respostas.

“Estamos muito tristes”, diz banrisulense da Bahia*
Não sei se você sabe, mas nossa agência aqui vai fechar 19/01/2018 e todos nós vamos ter que ser transferidos pro Rio Grande do Sul. Os escriturários, certamente não têm como se manter aí com nosso salário atual. Além disso, nossa agência tem mais de 50 milhões em aplicação que serão dados pra concorrência, além disso, nossa agência é lucrativa, tem mais de 50 anos na Bahia. Como se não bastasse, não ficará nenhuma agência no Nordeste. Todos serão atendidos por São Paulo, ou seja, irá jogar uns 15% da carteira de crédito do banco no lixo. Estamos muitos tristes. Esse é nosso dilema.
* Depoimento divulgado pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (Sindbancarios).



19 comentários

  1. Jorge

    Está mais do que na hora de vender esse banco, ainda vale alguma coisa. Tem contas públicas a acertar e precatórios a pagar.

    Daqui a pouco vai valer nada.

    Funcionários públicos, vocês não são mais especiais que ninguém do setor privado. A tormenta é para todos. Caiam na real.

    • J. Arlei S G

      O governo Ieda vendeu metade do Banrisul com a mesma conversa de sanear as contas do estado. A única nica coisa que aconteceu foi que aquele dinheiro sumiu, o estado continuou ferrado e o governos seguintes tiveram e têm que se virar com centenas de milhões anuais, e acumulado até hj bilhões, que os cofres públicos deixam de receber porque o estado abriu mão de quase metade do Banrisul. Depois, querem tapar o buraco com aumento de impostos, tarifas (olha quanto custa uma carteira de motorista, ou até o RG normal, olha o ICMS, olha a situação de penúria de nossos hospitais, escolas, delegacias….). Não caio mais nessa, quer vender alguma coisa, vende os carros da frota da assembléia, quer reduzir quadro, reduz os CCs. NÃO VENHA DILAPIDAR MAIS AINDA O PATRIMÔNIO DO MEU ESTADO E, PRINCIPALMENTE, UMA FONTE DE RENDA PARA COFRES PÚBLICOS.

    • O Brando

      A história de privatização do Banrisul é balela do PT e badalhocas para “manter a militância mobilizada”. Até lançaram a candidatura à reeleição do Gringo com a mesma finalidade. Tudo isto é chinelagem para a eleição do ano que vem. Parcelamento dos salários é o fim da picada, óbvio. Mas se entrar um governador vermelhinho todo mundo fica “manso”. Problemas do RS é o que menos importa, o que importa é o “puder”.

    • rafael

      tu é bem burro heim. e invejoso. os funcionários do Banrisul nao São funcionários públicos. além disto irão vender e o dinheiro vai sumir ou tu não mora no Brasil e sabe como as coisas funcionam?

  2. O Brando

    Estabilidade foi subistituída há décadas pelo FGTS. Texto da CLT não foi alterado. Vejamos. “Art. 497 – Extinguindo-se a empresa, sem a ocorrência de motivo de força maior, ao empregado estável despedido é garantida a indenização por rescisão do contrato por prazo indeterminado, paga em dobro”. “Art. 498 – Em caso de fechamento do estabelecimento, filial ou agência, ou supressão necessária de atividade, sem ocorrência de motivo de força maior, é assegurado aos empregados estáveis, que ali exerçam suas funções, direito à indenização, na forma do artigo anterior”. Enquadramento é o mais benéfico possível. Ou seja, os supervereadores da Assembléia Legislativa defendem a CLT, mas é só para a maioria. Para outros não é bom o bastante, tem que haver privilégio.

    • O Brando

      Óbvio que os funcionários do Banrisul são celetistas, os artigos citados são da CLT. Se fossem estatutários teria colocado os artigos do estatuto. Banco é sociedade de economia mista, diferente de sociedade anônima.
      E tem mais uma penca de decisões judiciais que diferencia os funcionários do banco dos celetistas normais. “RECURSO ORDINÁRIO. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. EMPREGADO CELETISTA. DISPENSA IMOTIVADA. IMPOSSIBILIDADE. A despedida de trabalhador celetista admitido por concurso público por sociedade de economia mista não prescinde de motivação.”
      RS tecnicamente tem três bancos: Banrisul, Badesul e BRDE.

    • O Brando

      Mas está na conta, se os caras tivessem conhecimento e tivessem capacidade para outra coisa que não desqualificar e destratar os outros, não seriam vermelhinhos.

  3. Ricardo da S Chapacais

    Antes de falar bobagem, busque informação. Quem trabalha no Banrisul não é funcionário público, somos celetistas, recolhemos o fgts e o banco é sociedade anônima.

  4. Charlan Luis Mocelin

    Jorge, espero que leia isto. Mas o RS é um dos unicos estados com privilegio de ter mais um Banco. Enquanto outros estados tem que ficar na mao de apenas 5 bancos… Empresas precisam captsr recursosbem bancos para investir, sobreviver e garantir empregos. Cada vez mais as grandes corporacoes compram as menores diminuindo a concorrencia e aumemtando os custos para a sociedade.
    Nao tem a ver simplesmente com os fincionarios!
    Com essa tua ideia, espero que ru seja obrigado a usar um banco privado de capital estrangeiro, que te cobre tarifas altissimas e as taxas de juros sejam praticadas de acordo com oque eles acreditam

  5. Jorge

    – Na lei são celetistas, mas como a coisa funciona na realidade? A realidade diz que ninguém é exonerado há duzentos anos. È como se fossem realmente funcionários públicos. Um corporativismo sem tamanho. Ai do político que toma medidas óbvias e faz uma reestruturação. Os anos passam, o banco precisa acompanhar o absurdo de investimentos em automação que os concorrentes fazem para aumentar produtividade e dar maior retorno e isso significa precisar de menos funcionários. Só cegos não enxergam isso. E onde se vê notícias de demissões, mesmo com automação?

  6. Jorge

    – Somos privilegiados por termos um banco público? Só vejo privilégios para os comissionados e os polítoicos que colocam a mão na gestão, a cada quatro anos. Onde estão os privilégios? Falta dinheiro nos outros bancos e o Banrisul é o nosso “salvador”? Mesmo? Todos os outros bancos oferecem os mesmos serviços, a taxa de juros e as tarifas básicas são as mesmas, senão maiores no Banrisul. È uma burocracia absurda para qualquer coisa. Cobram tarifas até de pensionistas que recebem salário mínimo, enquanto vários bancos privados não cobram nada. Só nesse ano lançaram um app mobile para as empresas, uma vergonha. Banco social, público? Sâo os primeiros a entrarem em greve e os últimos a saírem. Quem faz a função social nessas semanas de greve (que se avizinham) são os conveniados.

  7. Jorge

    – A mesma sina cultural simplória de novo, comum nesse Estado: “é patrimônio nosso”, como se isso significasse grande coisa. CEEE quebrada, CESA quebrada, CORSAN, sem capital de giro para investimentos em esgoto em lugar nenhum. Carvão. Piada. Banco? Afundando com a concorrência e as fintechs. Mas “tudo é nosso”. VIVA!! Tenho dinheiro podre, cruzeiros novos aqui em casa, querem trocar comigo? Ah, isso não, não é? Mas é a mesma coisa.

  8. Jorge

    – Ieda vendeu só o que precisava para pagar as contas daqueles tempos, mas a pior coisa que fez foi não vender 49% do banco, foi ter ficado com os 51% para continuar com a gestão em mãos. Mas desde quando algo de gestão pública funciona nesse país como deveria funcionar? A minoria costumeira “chia” para não venderem todo o banco, pois “é nosso”, a única desculpa que dão. Que não vai salvar o banco. Que vendam ao menos mais 1% para que a gestão vá para a iniciativa privada. O banco finalmente seria modernizado e inserido para valer na competição, investiriam em produtividade, demitiriam quem tem de demitir. Isso sim trará mais retorno para o Estado via muito mais dividendos dos lucros do que acontece hoje. Mas políticos e funcionários querem? Não, o “nosso” é para impedir que um gestor privado melhore e traga mais dividendos. Querem que relógio do tempo corra para o ocaso do negócio. Daí vai valer nada e quero ver a choradeira.

  9. Paulo

    A cria do Brito o fingido Sartori fala mansa PMDB FDP todos obedecem a Nina ordem Mundial. Sartori. Deus vai pesar sua mão na tua vida.

  10. JOSE LUIS REGHELIN

    Quem quer de fato opinar não se esconde através de pseudônimo..
    Não é Brando?
    Qual motivo de se esconder??

  11. SOTNAS

    Cara, cada declaração contrária ao banco mais absurda!
    E por acaso, o Banrisul não segura as pontas enquanto o Estado está quebrado? Por acaso, não foi ao Banrisul que o Sartori recorreu para ter ao menos a chance de pagar alguma coisa aos funcionários do RS? Mesmo que parcelado?
    Querem vender o banco que sustenta a maior parte da economia gaúcha pra tapar um rombo de muito más administrações anteriores pensando ser a solução, aquilo que sabemos que não será, porque esse dinheiro vais se esvaziar pelos ralos sujos enquanto o Estado continuará afundado e afundando cada vez mais na incompetência. Ou não são capazes de ver o quanto o banco gera de lucro líquido para o Estado? Quem vai meter a mão nesse dinheiro da venda? Pra onde ele de fato irá? Isso vai se tornar público ou teremos outro “LAVA …”?
    E outra, SICREDI não é banco, apenas está se aproveitando de uma situação momentânea. Quando não tiver mais a concorrência do BANRISUL, se de fato acontecer a privatização, aí vcs verão a choradeira de quem escolheu se bandear com as atrativas promessas de ocasião. Não se sustenta, é cooperativa. Onde apertar o calo, se dissolve e o prejuízo todo fica pros cooperativados. CAÍAM NESSA PRA VOCÊS VEREM O QUE É BOM!!!

  12. Jorge

    Que barbaridade. Estamos falando de um Estado quebrado mesmo, que deve resolver o problema estrutural das contas de uma vez. Quer valorizar um banco só porque empresta uma esmola de vez em quando para ajudar a pagar o décimo terceiro dos funcionários? E ainda o Estado paga juro ao banco, vê se pode. Se o Estado vender 1% que lhe dá poder de gestão para a iniciativa privada, vai dar muito mais retorno em dividendos, vai sobrar dinheiro para pagar o décimo terceiro. E se vender, finalmente vai ter gente que há 30 anos espera precatórios e está com tempo de vida se esgotando.

    Sustenta a economia gaúcha? Fala sério. Não vai fazer falta nenhuma. Estamos “por aqui” com bancos públicos e privados fazendo a mesma coisa que o Banrisul faz. Está na hora de vender o Banco enquanto ele ainda vale alguma coisa.

  13. O Brando

    Falsa polêmica, chinelagem por causa da eleição de 2018. Constituição do RS prevê que para “vender” o Banrisul é necessário consulta popular. Para ocorrer consulta popular é necessário passar uma lei na AL. Ou alterar a Constituição. Nada disso está no horizonte.

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