Hipocrisia. Lula fez gol ao aceitar acordo sobre o gás com a Bolívia. O resto é blá-blá-blá
A política externa brasileira tem sido alvo de críticas na mídia. E na opinião publicada. Anti-americana. Subdesenvolvimentista. E até chavista. Esquerdista. E muito o mais, tudo tem servido para criticar a postura oficial brasileira fora das fronteiras do país.
Há muito de discurso de oposição ao governo (o que é legítimo), que se confunde com oposição ao país. E abre-se espaço para descontentes, como o ex-embaixador brasileiro em Washington, que nunca reclamou quando estava no cargo (e há canais, ao que sei, para isso, no mundo diplomático) e que, ao deixá-lo, lembrou das divergências.
O mais recente round dessa briga é o acordo do Brasil com a Bolívia, em torno do preço do gás. Que, como li de autoridade na área, estava mesmo defasado. Quer dizer: o que Lula fez, na verdade, foi uma obrigação que teria que cumprir, e renegociar contratos só é elogiado quando supostamente é a favor.
Mas, deixe minha opinião pra lá. Fiquemos com a de Kennedy Alencar, jornalista da Folha de São Paulo. Na coluna Pensata, que escreve para a Folha Online, o braço de internet do jornalão paulista, Alencar tem sido um dos mais críticos do governo. O que é correto também sou, em relação a toooodos os governos. Pois leia o que ele, insuspeitadamente, pensa acerca do acordo Brasil-Bolívia.
A grande jogada de Lula
O “acordo do gás” com a Bolívia faz parte de uma grande jogada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na política externa. Ao ceder a Evo Morales em termos econômicos aceitáveis para o Brasil, Lula marcou um golaço. Reforçou no cenário internacional a imagem de contraponto moderado a Hugo Chávez, o presidente da Venezuela. Mundialmente, Lula é cada vez mais a referência de liderança responsável e progressista da América Latina.
Tivesse “peitado” a Bolívia como queriam setores da oposição e da sociedade, na linha tanques na fronteira, Lula só teria a perder. Morales é candidato a mini-Chávez. Fez política interna com sua retórica infantil e beligerante em relação à Petrobras e ao Brasil. Lula agiu bem ao ser “generoso” no acordo com a Bolívia.
Técnicos brasileiros afirmam que o preço do gás natural comprado da Bolívia estava mesmo defasado em relação à cotação de mercado. Ora, uma renegociação de contratos assim é algo natural no mundo dos negócios. Longe de ser ruptura de contrato.
A maturidade de Lula ao lidar com a Bolívia é um exemplo claro de que ele luta, sim, para não deixar que Chávez seja a referência da América Latina no cenário mundial. Uma radicalização com Morales só teria levado a Bolívia a se aproximar ainda mais do líder venezuelano, que se meteu numa aventura autocrática de desfecho incerto.
Também faz parte da grande jogada de Lula uma tentativa de estabelecer com os Estados Unidos uma parceria econômica para que o Brasil seja um grande fornecedor de combustível alternativo ao petróleo no enorme mercado americano.
É peça-chave desse plano a revitalização da Eletrobrás, transformando-a, como diz o presidente em conversas reservadas, numa empresa nos moldes da Petrobras que possa virar…
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