FEICOOP. Primeiro dia reúne centenas de pessoas entre encontro, formação, diversidade e cooperação
Começo marcado por acolhimento, organização, trabalho coletivo e celebração

Por Carolina Carvalho / Da Assessoria de Imprensa da Feicoop
A 32ª Feira Internacional do Cooperativismo e Economia Solidária (Feicoop) começou nesta sexta-feira em Santa Maria reafirmando aquilo que a tornou referência em toda a América Latina: a capacidade de reunir pessoas, territórios, culturas e saberes em torno da construção de um mundo mais justo, solidário e sustentável.
O primeiro dia da feira foi marcado por uma intensa movimentação desde as primeiras horas da manhã. O sol que abriu o dia deu lugar à chuva durante parte da programação, mas nem mesmo o tempo instável diminuiu o entusiasmo de quem circulava pelo Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter. Mais tarde, o sol voltou a aparecer, iluminando uma feira já tomada por encontros, abraços e muito trabalho coletivo.
Enquanto parte dos empreendimentos concluía a organização de seus espaços, visitantes percorriam os pavilhões admirando uma impressionante diversidade de produtos da agricultura familiar, agroindústrias, artesanato, alimentos, vestuário, fitoterápicos, cosméticos e iniciativas de economia solidária vindas de diferentes regiões do Brasil e de países da América Latina.
Entre sotaques, idiomas e histórias de vida distintas, um aspecto se destacava por toda a feira: o protagonismo das mulheres. Seja na produção de alimentos, na organização dos empreendimentos, na condução de atividades formativas ou nas manifestações culturais, as mulheres seguem sendo uma das principais forças que sustentam e movimentam a economia solidária.
Ao longo do dia, também foram realizadas diversas atividades do Eixo de Formação e Articulação, reunindo universidades, movimentos sociais, cooperativas, organizações populares e instituições públicas para debater temas como economia solidária, educação popular, direitos humanos, democracia, cooperativismo e desenvolvimento sustentável.
Uma abertura marcada pela emoção
O ponto alto da programação aconteceu à tarde, durante a cerimônia oficial de abertura da 32ª Feicoop. Em um momento permeado por emoção e fortes aplausos do público presente, a feira celebrou sua trajetória de 32 anos de resistência, organização coletiva e construção de alternativas econômicas.
A mística de abertura ficou por conta do projeto Mojubá – Danças Populares Brasileiras, que levou para a feira manifestações inspiradas nas culturas afro-brasileiras e indígenas, valorizando a diversidade dos corpos, das identidades e das expressões culturais do país e relembrando que a Feicoop é um espaço feito pela e para a coletividade.
A cerimônia reuniu representantes de instituições parceiras, universidades, poder público, organizações da economia solidária e movimentos sociais. Ao longo das falas, foram reforçados temas como cooperação, justiça social, fortalecimento da agricultura familiar, economia popular, sustentabilidade e participação democrática.
A programação também destacou os três eixos que sustentam a Feicoop: Formação e Articulação, Arte, Cultura e Diversidade e Comercialização Solidária, reafirmando o caráter multidimensional da feira, que vai muito além da exposição de produtos e se consolida como um espaço de transformação social.
Para o coordenador do Projeto Esperança/Cooesperança, José Carlos Peranconi, o Zeca, o primeiro dia demonstrou a força de uma construção coletiva que atravessa gerações:
– Quando vemos pessoas chegando de tantos lugares, compartilhando saberes, produtos, histórias e sonhos, percebemos que a Feicoop continua cumprindo sua missão, que começou lá com Dom Ivo. Ela é um espaço de esperança, de resistência e de construção coletiva. Cada abraço, cada encontro e cada conversa que acontece aqui ajudam a fortalecer uma economia comprometida com a vida e com a dignidade das pessoas.
Sustentabilidade na prática
Entre as iniciativas que ganham destaque nesta edição está o projeto de gerenciamento de resíduos da feira, desenvolvido por Tiago Portella Fialho, estudante do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Politécnico da UFSM.
A ação envolve voluntários da Feicoop e integrantes das associações de catadores Asmar e Arsele, responsáveis pela orientação do público, coleta interna, triagem, pesagem e destinação adequada dos resíduos gerados durante o evento.
Os materiais recicláveis serão encaminhados para as associações de reciclagem, fortalecendo o trabalho dos catadores e contribuindo para a geração de renda. Já os resíduos orgânicos serão destinados à composteira da Escola Estadual Irmão José Otão, onde serão transformados em adubo para utilização na horta da instituição.
– Minha expectativa é que essa iniciativa ajude a despertar um novo olhar sobre a gestão de resíduos dentro de grandes eventos. Pequenas atitudes, como separar corretamente o lixo, fazem uma enorme diferença para o meio ambiente e para as pessoas que vivem da reciclagem. Também espero que o projeto inspire outras feiras e eventos a adotarem práticas mais sustentáveis – explica Tiago.
A iniciativa dialoga diretamente com os princípios da Feicoop, que há mais de três décadas articula geração de renda, preservação ambiental, participação comunitária e valorização da vida em todas as suas dimensões.
Com a feira oficialmente aberta, a expectativa é de que os próximos dias sejam marcados por ainda mais encontros, formação, cultura e cooperação. Afinal, como lembrou a própria cerimônia de abertura, a Feicoop está apenas começando.





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